<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713</id><updated>2012-02-14T03:41:10.848Z</updated><category term='Ciência'/><category term='Etica'/><category term='Domínio Lógico-Filosófico'/><category term='Filosofia da mente'/><category term='Saúde'/><category term='Sociedade'/><category term='Linguagem'/><category term='Fenomenologia'/><category term='Psicologia'/><category term='Ciência cognitiva'/><category term='Psiquiatria'/><category term='Neurociência'/><category term='Opinião'/><category term='Metafísica'/><category term='Medicina'/><category term='Política'/><category term='Epistemologia'/><category term='Histórias'/><category term='Filosofia da Religião'/><title type='text'>A Fisga</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>408</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-7007157889957377927</id><published>2012-02-13T13:52:00.003Z</published><updated>2012-02-13T14:12:03.915Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Medicina'/><title type='text'>Clínica do declínio cognitivo</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="Default" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Oaspeto central no diagnóstico clínico do declínio cognitivo prende-se com omedo que as pessoas têm da demência, e dentro deste quadro, da doença deAlzheimer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Default" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-layout-grid-align: none; mso-line-height-rule: exactly; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Ademência define-se como o desenvolvimento de défices cognitivos múltiplos queincluem obrigatoriamente um compromisso da &lt;i&gt;memóriade curto prazo&lt;/i&gt; e, pelo menos, mais uma perturbação cognitiva (afasia,apraxia, agnosia ou perturbação na capacidade executiva). Estes devem sersuficientemente graves para terem repercussão funcional e representar umdeclínio em relação a um nível prévio de funcionamento, e não estar relacionadocom outros quadros clínicos em que geralmente está presente &lt;i&gt;delirium&lt;/i&gt;, vulgarmente designado porsíndrome confusional.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 18.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 18.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;A memória não é um bloco único. Hávários tipos de memória. Nos casos de demência em que há uma lesão bilateraldos lobos temporais mediais, a&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;memóriadeclarativa&lt;/em&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;estácomprometida mas a&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;memórianão-declarativa&lt;/em&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;mantém-se intacta.Enquanto a&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;memórianão-declarativa&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;, ou&lt;/span&gt; procedimental,&lt;/em&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;éa memória do&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;saber como&lt;/em&gt;,a&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;memória declarativa&lt;/em&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;é a memória do&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;saber que&lt;/em&gt;. Por exemplo, osque aprenderam uma arte ou uma atividade instrumental, não perdem a capacidadede a executar com a mesma perfeição de sempre, e todavia, não sabem dizer nadaa respeito da sua arte, nem quando nem como a aprenderam. Há um caso de um jogadorde ténis, que ao ser-lhe mostrada a sua raquete ele não era capaz de reconhecertal objeto. Mas ao lhe ser colocada a raquete na mão e ser levado para o cortede ténis, então ele era capaz de jogar com a performance de sempre se outrapessoa se colocasse do outro lado da rede. &amp;nbsp;No entanto, no seu dia-a-dia não era capaz devestir as calças, calçar os sapatos e outras tarefas triviais. Outraparticularidade era a preservação do seu habitual sentido de humor eperspicácia irónica. Apesar dos grandes estragos da&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;doença de Alzheimer&lt;/em&gt;, nãoperdeu a sua delicadeza habitual, a sua cortesia e a equanimidade do âmago maisprofundo do seu ser. E, todavia, a sua acuidade mental era um desastre. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 18.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 18.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;A&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;memóriaoperacional&lt;/em&gt;, ou&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;memóriade trabalho&lt;/em&gt;, tanto processa informação da&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;memória instantânea&lt;/em&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;– conteúdos retidos apenas por algunssegundos, necessária apenas para o desempenho de determinadas tarefas, como,por exemplo, discar um número de telefone. A&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;memóriaoperacional&lt;/em&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;integra a &lt;i&gt;memória de longo prazo&lt;/i&gt; com a &lt;i&gt;memória de curto prazo&lt;/i&gt;, ou seja, nova informaçãoque entra no sistema e que é processada continuamente. Mesmo que a&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;memória operacional&lt;/em&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;e a&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;memóriade longo prazo &lt;/em&gt;possam trabalhar independentemente uma da outra, esses doissistemas estão continuamente interagindo sobre condições normais. A capacidadeda&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;memória operacional&lt;/em&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;é limitada pela atenção, pelo que émuito vulnerável a distrações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;A&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;memória operacional&lt;/em&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;é fortemente modulada pela dopamina,em que o sistema colinérgico também exerce um importante papel. Sabe-se que acolina-acetiltransferase (enzima que catalisa a formação de acetilcolina) estádeficitária nos pacientes com a doença de Alzheimer. Ora, sabe-se que asneurotrofinas, através da ação em recetores de sinalização intracelular,desempenham um importante papel na memória através da preservação dos neurónioscolinérgicos. As neurotrofinas, como fatores de crescimento no cérebro, sãoresponsáveis pela proliferação, sobrevivência e diferenciação de neuroblastos em neurónios. Também atuam na regulação da libertação de neurotransmissores. Porexemplo, o NGF (fator de crescimento do nervo), estimula o crescimento dosprolongamentos neuronais e estimula a sobrevivência neuronal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 18.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A avaliação cognitiva e das atividades de vida diária é fundamental na deteçãoe caracterização do défice cognitivo e prejuízo funcional decorrente doprocesso demencial. Devem ser utilizados instrumentos adaptados ao contextocultural e aferidos para as variáveis demográficas mais relevantes. Além disso,são úteis no controlo de evolução do défice cognitivo e na avaliação daeficácia dos medicamentos ou outras estratégias de intervenção. Existem váriostestes breves de avaliação cognitiva. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 18.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Dos exames que hoje estão disponíveispara uso clínico a Ressonância Magnética é o melhor exame para demonstrar as lesõescerebrais, em particular alterações isquémicas, sendo por isso importante nodiagnóstico de algumas formas de demência vascular, nomeadamente nas formasassociadas a enfartes com localização estratégica ou por lesões da substânciabranca. Este exame permite ainda, atualmente, a quantificação volumétrica deestruturas cerebrais relevantes, como o hipocampo, sendo atualmente aceite comoum biomarcador no diagnóstico precoce da doença de &lt;i&gt;Alzheimer.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 18pt;"&gt;A RMcom estudo volumétrico do hipocampo, a PET cerebral com FDG ou PIB e odoseamento do péptido β-amilóde e proteína tau no líquido céfalo-raquidiano sãoactualmente aceites como biomarcadores da doença de &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 18pt;"&gt;Alzheimer &lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 18pt;"&gt;e foramincorporados nos critérios de diagnóstico precoce da doença.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-layout-grid-align: none; mso-line-height-rule: exactly; text-autospace: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Dever-se-ácomunicar o diagnóstico ao doente com declínio cognitivo ou demência (e aocuidador se aplicável). Porém, esta comunicação deverá ser prudente, adaptadaao doente individual, e acompanhada de informação e aconselhamento. Poderão serfacultados contactos úteis como da associação de doentes de &lt;i&gt;Alzheimer&lt;/i&gt;com vista à prestação de educação e suporte ao doente e ao cuidador. Serárelevante abordar assuntos como a condução automóvel e outros aspetos médico-legais.O estabelecimento de decisões para o futuro é um aspeto de primordial importância.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-layout-grid-align: none; mso-line-height-rule: exactly; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A abordagemnão-farmacológica das alterações psicológicas e comportamentais da demência, ea estimulação ou reabilitação cognitiva, é recomendável, embora de evidênciacientífica duvidosa. Estes procedimentos podem ser considerados em algunsdoentes com declínio cognitivo ou demência de grau ligeiro a moderado. Aterapia ocupacional pode melhorar a atividade funcional dos doentes e reduziras necessidades de cuidados especiais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-layout-grid-align: none; mso-line-height-rule: exactly; text-autospace: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; margin-bottom: 7.1pt; mso-layout-grid-align: none; mso-line-height-rule: exactly; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;A avaliação e apoio ao cuidadorfamiliar deve ser realizada em dois níveis: como prestador de cuidados de umapessoa com demência e, ele próprio, como doente. Os cuidadores têm aumento dorisco de depressão, doenças cardiovasculares, respiratórias e hipertensão.Existe moderada evidência que o &lt;i&gt;stress &lt;/i&gt;do cuidador, particularmente o cônjuge, contribua para a sua maior incidência de mortalidade. Aavaliação dos cuidadores deve incluir os seguintes elementos: conhecimentos,habilidades e expectativas do tratamento. A expectativa dos serviços de saúde e o suporte social também contam.&lt;i&gt;&amp;nbsp;A&lt;/i&gt; educação deve compreender as seguintes áreas: processo dedoença e estádios da doença; consequências da doença nas atividades quotidianasdo doente; sintomas psicológicos e comportamentais na demência; conhecimento etreino para lidar com o compromisso funcional e comportamental. Devem serdisponibilizadas e aconselhadas intervenções específicas ao nível do cuidador, com o objetivo de lhe minimizar o efeitodeletério da prestação de cuidados continuados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; margin-bottom: 7.1pt; mso-layout-grid-align: none; mso-line-height-rule: exactly; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-7007157889957377927?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/7007157889957377927/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=7007157889957377927&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7007157889957377927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7007157889957377927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/02/clinica-do-declinio-cognitivo.html' title='Clínica do declínio cognitivo'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-2874920398968633075</id><published>2012-02-10T08:18:00.003Z</published><updated>2012-02-10T08:41:09.686Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Etica'/><title type='text'>Alguma ética em medicina clínica</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-layout-grid-align: none; mso-line-height-rule: exactly; text-autospace: none;"&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;i&gt;O acesso à assistência necessária é uma aspiração moral, e não umapolítica pública de saúde.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-layout-grid-align: none; mso-line-height-rule: exactly; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="line-height: 19pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Asquestões éticas em medicina clínica são cada vez mais complexas, ao ponto dedeixar algumas pessoas perplexas quando caem numa situação concreta. Aexperiência, o senso-comum, ou até ser-se tido como uma pessoa de bem, não ésuficiente para desempatar certos dilemas éticos que surgem na arena clínicados dias de hoje.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-layout-grid-align: none; mso-line-height-rule: exactly; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Aocontrário do que muitas pessoas pensam, não há apenas uma única saída airosa doponto de vista ético nas situações concretas da vida quando ameaçada por doenças do corpo e da alma. Pode haver mais do que umobjetivo, e para cada objetivo mais do que um tipo de abordagem. Os desfechossão incertos e cada intervenção por si contabiliza sempre benefícios eprejuízos. Cada vez mais os pacientes são confrontados com alternativas, todaselas razoáveis. Assim, tanto pode ser bem decidido aceitar como recusar umadada intervenção. E isso não significa que as pessoas não sejam competentes ounão estejam bem informadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-layout-grid-align: none; mso-line-height-rule: exactly; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Masa autonomia dada aos doentes não lhes confere o direito de exigir aos médicos cuidadosindiscriminadamente ao sabor do seu bel prazer. Osmédicos não são obrigados a intervenções fúteis, ou que não possuam qualquerfundamento. Mas, os médicos devem ser cautelosos ao usar o termo &lt;i&gt;fútil &lt;/i&gt;deforma imprecisa, para justificar a sua posição.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-layout-grid-align: none; mso-line-height-rule: exactly; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Outra questão frequente é a da mentira ao doente. Muitosprofissionais de saúde não têm coragem para dar más notícias. Apelam àcompaixão para proteger o paciente das más notícias.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 19pt;"&gt;Por exemplo, o prestador de cuidados de saúde pode dizer a umapaciente que ela tem um &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 19pt;"&gt;pequeno tumor, &lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 19pt;"&gt;como forma de ela não pensar de imediato que se trata de cancro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-layout-grid-align: none; mso-line-height-rule: exactly; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Há uma diretiva em saúde que fala em beneficência. Este jargão épara dizer que os médicos atuem em benefício do doente. Assim, os médicos têm odever de agir pelos melhores interesses de seus pacientes. Os interesses dopaciente devem prevalecer sobre o próprio interesse dos médicos ou de terceiros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-layout-grid-align: none; mso-line-height-rule: exactly; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; O grande tendão de Aquiles dos médicos é o dos erros. É impossível não se cometerem erros em medicina clínica, independentemente de os danos por vezes não serem relevantes. Os médicos como muito temem a divulgação dos seus erros, na medida emque colocam em causa a sua carreira, têm tendência para fazer tudo para osocultar quando acontecem. Isto é paradoxal porque sem a sua divulgação ospacientes não conseguem fazer escolhas livres e informadas. Ao mesmo tempo, ospacientes sentem-se ofendidos quando os médicos cometem erros e não osreconhecem. Por outro lado, os seus pares também têm tendência para osproteger, na medida em que sabem que um dia, mais tarde ou mais cedo, vão estarna mesma situação. Mas mais grave ainda é quando o médico é portador de doençamental que afeta a qualidade da sua atuação e ainda assim ninguém tem coragemde pôr cobro a essa situação. E todavia, a sociedade confia na capacidade autoreguladoradas instituições criadas para tal efeito. Se colegas de um médico com problemasnão fazem nada para proteger os pacientes, nenhuma outra pessoa pode estar emcondições de o fazer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-layout-grid-align: none; mso-line-height-rule: exactly; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="line-height: 19pt;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 19pt;"&gt;Alguns pacientes com necessidade evidente de cuidados&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 19pt;"&gt;médicos não podem pagar os medicamentos, exames ouhospitalizações, e a seguradora de saúde pode negar a cobertura. Se issoocorrer, os médicos deverão defender o paciente, tentando ajudá-lo a obter oscuidados essenciais. Os médicos poderiam considerar, ou os pacientes poderiamexigir o uso de meios menos lícitos para conseguir assistência médica. Mas, emboraos médicos, de forma compreensível, queiram ajudar os&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-layout-grid-align: none; mso-line-height-rule: exactly; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;pacientes, as práticas fraudulentas minam a credibilidade e confiabilidadedos médicos. Não enganar, é uma norma ética básica em&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 19pt;"&gt;&amp;nbsp;defesa dos pacientes.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 19pt;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 19pt;"&gt;As normas tendem a fazer listas de fármacos que contemplam a participação financeira do Serviço Nacional de Saúde. Mas o paciente pode exigir um fármaco de fora dessa lista desde que esteja disposto a pagá-lo. É razoável o médico defender fármacos de fora da lista desde que apresente razões válidas para o seu uso.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 19pt;"&gt;A alocação de meios para aassistência à saúde é inevitável porque os recursos são limitados.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 19pt;"&gt;Idealmente, as decisões deveriam ser feitas por políticas públicasde saúde a partir de normas consensualizadas por peritos médicos. Mas isto é problemático porque pode serinconsistente com a prática dos casos concretos. À cabeceira do doente, os médicos geralmente agem como um amigo, embora inserido no seu contexto próprio, e a norma faz a regra mas não prevê a exceção. Aindaassim, faz sentido a prática baseada na evidência.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-layout-grid-align: none; mso-line-height-rule: exactly; text-autospace: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-2874920398968633075?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/2874920398968633075/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=2874920398968633075&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/2874920398968633075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/2874920398968633075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/02/alguma-etica-em-medicina-clinica.html' title='Alguma ética em medicina clínica'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-6114585654092330276</id><published>2012-02-09T08:45:00.002Z</published><updated>2012-02-09T08:49:20.993Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociedade'/><title type='text'>Incomensurabilidade mereológica</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Apesar de amaior parte das pessoas admitirem que não faltam piegas ou medricas por aí,isso se for dito pelo Primeiro-Ministro (PM) em ato público é consideradoofensivo para os portugueses como um todo. Mesmo que seja verdade eu ser umpiegas, não admito que o PM me chame isso na frente de toda a gente. Agora forade brincadeiras, incomensurabilidade aqui significa que não podemos medir ecomparar coisas que são incomensuráveis. Dizer que meia-dúzia são medricas atítulo individual, não pode caracterizar os portugueses a título coletivo. E amereologia tem a ver com o equacionamento da relação entre as partes e o todo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Um erromereológico é atribuirmos ou aplicarmos uma propriedade que diz respeito a umaparte de um todo (sociedade ou conjunto), a esse todo. Por isso é um abusodizer que os portugueses são tal e tal, a partir de meia dúzia der pessoas. Epior ainda é dizer que Portugal é péssimo, só porque alguns portugueses sãopéssimos. Não é transponível a avaliação de capacidades individuais para aavaliação das mesmas capacidades em relação ao país.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É tendênciahumana natural fazer arrumações de partes por grupos e categorias, eestabelecer relações de identidade. O método de agrupar pessoas por categoriassociais, todavia, tendem a degenerar em interações disruptivas entre os seusmembros. Os contextos ambientais são muito importantes. No desenvolvimentosustentável de um país, para além do valor individual de cada cidadão, não sepode desprezar a característica do ambiente físico do território em que essepaís se situa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Por “ambiente”quer-se dizer algo mais do que apenas, por exemplo, a malha florestal ou aprofundidade do lençol freático. A sustentabilidade ambiental deve ser definidaem termos da qualidade global da vida humana à partida e da sua preservação quedepende dos humanos que nele vive. Desenvolvimento sustentável de um país tem aver com aquilo que satisfaz as necessidades das pessoas em cada momentopresente sem comprometer as gerações futuras na sua capacidade de satisfazer osmesmos desideratos. Claro que a mobília do mundo muda, as carroças de cavalossão substituídas pelos automóveis, mas a capacidade de preservar a relação daqualidade de vida ambiental tem de ser mantida. Há resultados da criaçãohumana, que apesar de à partida poderem ter a bondade que todos reconhecem, sãoenganadores porque contrariam os desideratos que referimos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Se estivermoscertos nas opções que fazemos em relação às nossas necessidades, não significaque haja contratempos provocados pela própria natureza. E é por isso que estasquestões não são lineares. A tecnologia é importante para vencer essasvicissitudes da natureza. Mas atenção, mais e melhor tecnologia não significa melhorqualidade de vida, nem melhor sustentabilidade do desenvolvimento. A naturezamaterial das coisas esgota-se. Por isso a equação estabelece-se numa linha deforça entre o libertino cínico e o asceta compassivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A dada altura dapalestra, o astrofísico disse: Daqui a seis mil milhões de anos o sol morrerá,e por conseguinte, todo o tipo de vida que possa existir no sistema solardesaparecerá, a menos que haja vida deste sistema que migre para outra galáxia.Um libertino cínico que estava na sala pensou: então tanto faz que a espéciehumana desapareça daqui a seis milhões de anos ou daqui a mil anos. Um ascetacompassivo que estava na sala ouviu aquilo e sentiu um arrepio na espinha evieram-lhe as lágrimas aos olhos. No fim das conferências há sempre aquelaspessoas que gostam de ir falar com o conferencista. E o asceta compassivotambém foi. Logo que conseguiu a oportunidade de chegar à fala com oconferencista, o asceta compassivo perguntou: daqui a quanto tempo é que disse queo sol morrerá? O conferencista respondeu: seis mil milhões de anos. O ascetacompassivo suspirou e disse: muito obrigado, pensei que tinha dito seis milhõesde anos. Ufa! Que alívio!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-6114585654092330276?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/6114585654092330276/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=6114585654092330276&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/6114585654092330276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/6114585654092330276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/02/incomensurabilidade-mereologica.html' title='Incomensurabilidade mereológica'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-8548278434199107079</id><published>2012-02-07T12:12:00.002Z</published><updated>2012-02-07T12:17:13.861Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Metafísica'/><title type='text'>Modalidades de verdade e realismo modal</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;As &lt;i&gt;modalidades de verdade&lt;/i&gt; fazem parte de umcapítulo da filosofia contemporânea para falar de modos de verdade. Há várias &lt;i&gt;modalidades de verdade&lt;/i&gt;, das quais voufalar aqui de três: a &lt;i&gt;modalidade aléticaou metafísica&lt;/i&gt; – em que as verdades são &lt;i&gt;necessárias&lt;/i&gt;ou &lt;i&gt;contingentes&lt;/i&gt;; a &lt;i&gt;modalidade epistémica&lt;/i&gt; – em que asverdades são &lt;i&gt;a priori&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;a posteriori&lt;/i&gt;; a &lt;i&gt;modalidade conceptual&lt;/i&gt; – em que as verdades são &lt;i&gt;analíticas&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;sintéticas&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O &lt;i&gt;realismo modal&lt;/i&gt;, uma teoria filosóficaproposta por David Lewis, defende que os &lt;i&gt;mundospossíveis&lt;/i&gt; são tão reais como o mundo atual. Os números são &lt;i&gt;reais&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;necessários&lt;/i&gt; e existem em todos os &lt;i&gt;mundos possíveis&lt;/i&gt;. A água é &lt;i&gt;real&lt;/i&gt;mas &lt;i&gt;contingente&lt;/i&gt;, porque há &lt;i&gt;mundos possíveis&lt;/i&gt; em que não existe água.Uma outra noção é a de &lt;i&gt;essencialidade&lt;/i&gt;.Há &lt;i&gt;propriedades&lt;/i&gt; que são &lt;i&gt;essenciais &lt;/i&gt;para que certos existentesexistam. A necessidade metafísica é determinada pelo modo como as coisas são. Masnão tem de ser determinada pelas leis da natureza do mundo atual, uma vez que noutrosmundos possíveis pode haver outras leis naturais. Há particulares que têmpropriedades essenciais, mas essas propriedades não têm de ser necessárias. &lt;i&gt;Essencialidade&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;necessidade &lt;/i&gt;não são conceitos intermutáveis. Por exemplo, H2O é umapropriedade essencial da água. Onde exista água é essencial que seja H2O. Mas aágua não existe em todos os &lt;i&gt;mundospossíveis&lt;/i&gt;. Não é um existente &lt;i&gt;necessário&lt;/i&gt;.Por outro lado, a existência não é propriedade de nada, porque não é umaessência. Mas, para que qualquer objeto tenha propriedades, é essencial que eleexista. Este trocadilho de palavras serve para exemplificar a confusão que sepode gerar com o uso desatento de certas expressões. A afirmação de que onúmero 2 é par é uma verdade em todos os mundos possíveis, é uma verdade &lt;i&gt;necessária, a priori e analítica&lt;/i&gt;. Nãorequer o recurso à experiência empírica para sabermos que é verdade. Ao passoque afirmar que “água é H2O”, é uma verdade &lt;i&gt;contingentea posteriori&lt;/i&gt;. Não é uma verdade conceptual, pois só se pode chegar lá pelaexperiência empírica. E é &lt;i&gt;contingente&lt;/i&gt;e &lt;i&gt;não necessária&lt;/i&gt; porque não é umaverdade em todos os &lt;i&gt;mundos possíveis&lt;/i&gt;,mas apenas nos mundos em que exista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Em Marte a água,se existe, tem de ser H2O. Esta afirmação implica atribuir à substância designadapelo termo “água”, uma determinada &lt;i&gt;propriedadeessencial&lt;/i&gt; não trivial, a de ter a composição química H2O. É possível queexista água em mais planetas do mundo atual (mundo em ato), mas a existir, temde ser quimicamente H2O. A composição química H2O é uma &lt;i&gt;propriedade&lt;/i&gt; &lt;i&gt;essencial&lt;/i&gt;para que a água seja água. E é o carácter essencial que leva alguns filósofos aafirmar que “água é H2O” é uma &lt;i&gt;verdadenecessária a posteriori&lt;/i&gt;. E esta posição que é polémica. Nem todos osfilósofos aceitam que a proposição –&amp;nbsp; “a águaé H2O” – seja uma &lt;i&gt;verdade necessária&lt;/i&gt;.Segundo Kripke, “a água é H2O” é uma &lt;i&gt;verdadenecessária&lt;/i&gt; &lt;i&gt;a posteriori&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Numa &lt;i&gt;proposição&lt;/i&gt; &lt;i&gt;necessária a posteriori&lt;/i&gt;, o seu carácter &lt;i&gt;necessário&lt;/i&gt; tem a ver com o facto de ser uma modalidade alética oumetafísica. Ao passo que o ser &lt;i&gt;aposteriori&lt;/i&gt; é uma modalidade epistémica. Se os cientistas da NASA, que andama estudar Marte através de sondas enviadas para o espaço e telecomandadas, descobriremque Marte tem água, estão a descobrir uma &lt;i&gt;verdadea posteriori&lt;/i&gt;. Quem aceitar a teoria dos &lt;i&gt;mundospossíveis&lt;/i&gt;, e o &lt;i&gt;realismo modal&lt;/i&gt;, dizque a água não é como os números. A água não existe em todos os mundospossíveis, mas os números existem. Logo, a verdade “a água é H2O” é uma &lt;i&gt;verdade contingente a posteriori&lt;/i&gt;. Kripke,para além de não aceitar a intuição modal dos &lt;i&gt;mundos possíveis&lt;/i&gt;, considera que a água ser H2O é uma &lt;i&gt;verdade necessária a posteriori&lt;/i&gt;. Mas é precisonotar que para descobrir se a substância “água” é H2O como propriedadeessencial, é necessária a intervenção da experiência empírica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Os problemas queestou aqui a abordar são problemas que têm a ver com as nossas &lt;i&gt;“intuições modais”&lt;/i&gt;, em contraponto com ooutro tipo de intuições a que chamaremos &lt;i&gt;“intuiçõesde senso-comum ou percetivas”&lt;/i&gt;. Já vimos que podemos classificar as &lt;i&gt;intuições modais&lt;/i&gt; em conceptuais,metafísicas e epistemológicas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Os principais problemasgerados à volta da verdade das proposições residem sobretudo no domíniometafísico. Os problemas, e deficiências, relacionados com o modo comoconhecemos essas verdades, os de ordem epistemológica, candentes no tempo deKant, foram praticamente resolvidos a partir da segunda metade do século XX.Agora, se quisermos saber se é possível articular uma teoria coerente que dêconta das nossas intuições de senso-comum, estamos a meter-nos em problemas dodomínio conceptual. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Há, de facto,grandes problemas na interpretação da relação entre linguagem e realidade. Aopinião, de que as proposições são verdadeiras ou falsas em função da formacomo a realidade é, é uma opinião muito comum. Ora, o maior problemas darelação entre a linguagem e a realidade tem a ver com a &lt;i&gt;verdade&lt;/i&gt;. É a relação entre &lt;i&gt;proposições&lt;/i&gt;e os seus &lt;i&gt;fazedores-de-verdade&lt;/i&gt;. O &lt;i&gt;fazedor-de-verdade&lt;/i&gt; é aquilo que faz uma &lt;i&gt;proposição&lt;/i&gt; verdadeira ser verdadeira.Tem de haver algo, que exista, que a faça ser verdadeira. Mas a pergunta pelo &lt;i&gt;fazedor-de-verdade&lt;/i&gt; de uma proposiçãoverdadeira é uma pergunta de ordem metafísica. Ao passo que perguntar como seconsegue saber se uma proposição é verdadeira ou falsa estamos a fazer umapergunta de ordem epistemológica. Toda a verdade tem um &lt;i&gt;fazedor-de-verdade&lt;/i&gt;, mas nem sempre os &lt;i&gt;fazedores-de-verdade&lt;/i&gt; são óbvios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Quem for adeptoda teoria da verdade como correspondência, que consiste em corresponder proposiçõesverdadeiras com entidades da realidade que as tornam verdadeiras, é tentado adizer que todas as proposições verdadeiras, num determinado &lt;i&gt;contexto&lt;/i&gt; &lt;i&gt;verofuncional,&lt;/i&gt; correspondem à mesma entidade da realidade. A &lt;i&gt;verofuncionalidade&lt;/i&gt; tem a ver com o valorde verdade de proposições conjugadas umas com as outras. Se um determinadocontexto proposicional aceitar a intersubstituição de termos &lt;i&gt;co-extensionais&lt;/i&gt;, esse contextoproposicional será &lt;i&gt;verofuncional&lt;/i&gt;. Asteorias dos &lt;i&gt;fazedores-de-verdade&lt;/i&gt;, quesurgiram em meados dos anos de 1980, colocaram a &lt;i&gt;noção de verdade como correspondência&lt;/i&gt; no centro do debatefilosófico. Na noção de &lt;i&gt;verdade comocorrespondência&lt;/i&gt; o que está em causa é a correspondência entre &lt;i&gt;proposições &lt;/i&gt;(portadores-de-verdade) eaquilo que as faz ser verdadeiras (&lt;i&gt;fazedores-de-verdade)&lt;/i&gt;.Mas é preciso notar que isto não implica qualquer isomorfismo entre proposiçõese realidade. É intuitivo que vários &lt;i&gt;fazedores-de-verdade&lt;/i&gt;funcionem conjuntamente para tornar uma proposição verdadeira. E entidades diferentes(objetos ou fenómenos empíricos) podem funcionar como &lt;i&gt;fazedores-de-verdade.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O grandeproblema da relação entre linguagem e realidade é saber que parte da realidade.Realidade é uma expressão muito vaga. Deve ser isso o que qualquer cientistadeve querer saber. Ao cientista, nada lhe dizem as questões de fenomenologiaconceptual ou metafísica. A ele interessa-lhe a fenomenologia empírica. Afenomenologia conceptual tem a ver com o sentido. Verdades conceptuais não têm &lt;i&gt;fazedores-de-verdade&lt;/i&gt; porque não sãoontologicamente fundadas na realidade empírica do mundo. O que interessa aocientista são as verdades contingentes do mundo. Uma verdade empírica éverdadeira em virtude de factos da experiência, ou em virtude da forma como arealidade é. Mas as verdades empíricas são-no apenas em função de uma parte darealidade e não de toda a realidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A teoria dos &lt;i&gt;fazedores-de-verdade&lt;/i&gt; pressupõe que omundo é independente da linguagem que o descreve. Daqui resulta que o mundodeve ser de uma determinada maneira e não de outra. Mas uma teoria de &lt;i&gt;fazedores-de-verdade&lt;/i&gt; não precisa de secomprometer com a &lt;i&gt;necessidade&lt;/i&gt;. Umateoria de &lt;i&gt;fazedores-de-verdade&lt;/i&gt; poderestringir-se apenas a &lt;i&gt;verdadescontingentes.&lt;/i&gt; Alguns autores defendem que os &lt;i&gt;fazedores-de-verdade&lt;/i&gt; se devem restringir a verdades contingentes. Eé este ponto de vista que faz rejeitar a tese de Kripke, da existência de &lt;i&gt;verdades necessárias&lt;/i&gt; &lt;i&gt;a posteriori&lt;/i&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Ao estudarmos &lt;i&gt;Fenomenologia Conceptual&lt;/i&gt; temos de tercuidado quando empregamos termos com o significado e a referência não convencionais,isto é, de acordo com o seu uso comum. É por isso que muitos vezes, ao seperder o sentido daquilo que se quer dizer, se gera mais confusão do que esclarecimento.A &lt;i&gt;Fenomenologia Conceptual&lt;/i&gt; não tem aver com factos, mas sim com a natureza &lt;i&gt;apriori&lt;/i&gt; das coisas, o mesmo é dizer com o seu significado e sentido.Diferente da &lt;i&gt;Fenomenologia Empírica&lt;/i&gt;,que é acedida pela perceção, a &lt;i&gt;FenomenologiaConceptual&lt;/i&gt; consegue manter uma certa coerência, mesmo que exclusivamenteacedida pelo raciocínio puro. Há &lt;i&gt;verdadesconceptuais&lt;/i&gt; que não se misturam com as verdades empíricas. As noções &lt;i&gt;a posteriori&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;a priori &lt;/i&gt;são noções epistémicas, ou seja, noções que têm a ver coma forma como acedemos ao conhecimento. Kant, por causa da &lt;i&gt;necessidade,&lt;/i&gt; formulou uma teoria deficiente acerca das verdadescientíficas, ao pensar que podiam ser &lt;i&gt;necessárias&lt;/i&gt;,mas tinham de ser ao mesmo tempo &lt;i&gt;a priori&lt;/i&gt;.Para ser coerente com isso inventou o &lt;i&gt;sintéticoa priori&lt;/i&gt;. E assim confundiu o conceito ao misturar os domínios. A &lt;i&gt;necessidade &lt;/i&gt;é do domínio &lt;i&gt;metafísico&lt;/i&gt;. O &lt;i&gt;a priori&lt;/i&gt; é do domínio &lt;i&gt;epistémico&lt;/i&gt;.E o &lt;i&gt;sintético&lt;/i&gt; é do domínio &lt;i&gt;conceptual&lt;/i&gt;. Hume também se enganouquando pensou que as verdades científicas não podiam ser &lt;i&gt;necessárias,&lt;/i&gt; mas apenas podiam ser &lt;i&gt;contingentes&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;David Lewis écontroverso com o seu &lt;i&gt;realismo modal&lt;/i&gt;,que pode ser sistematizado em quatro teses: &lt;i&gt;osmundos possíveis existem; todo o mundo possível é uma entidade concreta;qualquer mundo possível é causalmente e espácio-temporalmente isolado dequalquer outro mundo possível; o mundo em ato, tal como existe, é um dos mundospossíveis.&lt;/i&gt; Assim, segundo estas teses, não faz sentido dizer que o mundoatual é o único mundo real, porque os &lt;i&gt;mundospossíveis&lt;/i&gt; não atuais (não em ato) são tão reais como o mundo atual.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Mas David Lewiscontribuiu para uma melhor compreensão de certos conceitos modais como: &lt;i&gt;necessidade, possibilidade&lt;/i&gt;; e noções de &lt;i&gt;propriedade e proposição&lt;/i&gt;. A suaabordagem tem a vantagem de conseguir critérios de distinção de &lt;i&gt;propriedades &lt;/i&gt;que são necessariamente &lt;i&gt;extensinais&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;co-extensionais&lt;/i&gt;, de propriedades &lt;i&gt;intensionais &lt;/i&gt;(com s). As propriedades &lt;i&gt;intensionais &amp;nbsp;&lt;/i&gt;têm a ver com oconteúdo conceptual das &lt;i&gt;proposições&lt;/i&gt;.Portanto, &lt;i&gt;intensão&lt;/i&gt;, no vocabulário deDavid Lewis, é o conceito contido na expressão linguística. E o objeto, ouobjetos, com o qual uma expressão linguística se corresponde, constitui a &lt;i&gt;extensão&lt;/i&gt; dessa expressão linguística.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Para qualificara verdade das &lt;i&gt;proposições&lt;/i&gt; são usadosos termos modais: &lt;i&gt;possibilidade enecessidade&lt;/i&gt;. Estes termos fazem parte das &lt;i&gt;modalidades aléticas&lt;/i&gt; e entraram no vocabulário dos &lt;i&gt;mundos possíveis&lt;/i&gt;, em que as modalidadesfuncionam como quantificadores de &lt;i&gt;mundospossíveis&lt;/i&gt;. A vantagem de misturar noções de &lt;i&gt;mundos possíveis&lt;/i&gt; com termos modais de &lt;i&gt;possibilidade &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;necessidade&lt;/i&gt;,consistiu na possibilidade de os transformar em quantificadores lógicos. Osconceitos de &lt;i&gt;necessidade&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;possibilidade&lt;/i&gt; correspondem,respetivamente, aos quantificadores &lt;i&gt;universal&lt;/i&gt;e &lt;i&gt;existencial.&lt;/i&gt; Por exemplo, afirmarque é possível que existam melros brancos, é o mesmo que afirmar que existepelo menos um mundo possível onde existem melros brancos. E afirmar que é &lt;i&gt;necessário&lt;/i&gt; o número 2 ser par é o mesmoque dizer que em todos os &lt;i&gt;mundospossíveis&lt;/i&gt; 2 é sempre par.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A principalvantagem que o &lt;i&gt;realismo modal&lt;/i&gt; deLewis oferece para a análise das propriedades é a possibilidade de termos umaanálise totalmente &lt;i&gt;extensional&lt;/i&gt;.Evitam-se confusões com o recurso a noções &lt;i&gt;intensionais&lt;/i&gt;na análise das &lt;i&gt;propriedades.&lt;/i&gt; Definirumas vezes que um ser humano é um animal com um coração, e outras vezes umanimal com dois rins, é estar a definir a mesma extensão. As propriedades sãodiferentes mas são co-extensionais porque compartilham o mesmo agregado, ouentensão, que é um organismo humano. A definição é extensional na medida em quese está a definir um agregado de órgãos exemplificado com aqueles órgãos.Diz-se que aquelas propriedades são &lt;i&gt;intensionalmente&lt;/i&gt;diferentes mas &lt;i&gt;extensionalmente&lt;/i&gt;idênticas. Por outro lado são contingentes, porque podem existir seres humanosem outros mundos possíveis que possuam coração mas não possuam rins. Para istobasta admitir que nesse mundo as leis da natureza são de tal modo que permitemo surgimento de seres humanos com coração, mas não a formação de rins.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O &lt;i&gt;realismo modal&lt;/i&gt; de Lewis dissolve oproblema da co-extensionalidade ao expandir o domínio de quantificação paraalém dos existentes no mundo atual, acrescentando ao domínio de quantificaçãoexistentes possíveis e não atuais. Em &lt;i&gt;contextoextensional&lt;/i&gt; o valor de verdade permanece inalterado quando há permuta determos co-extensionais. Isto consegue-se perceber melhor com um exemplo. Nocontexto “árvore” o seu valor de verdade não se altera quando substituímos, porexemplo, a extensão oliveira pela extensão pessegueiro. Esta é uma formacontingente de ver a co-extensionalidade de propriedades. O tratamento queLewis dá &lt;i&gt;a propriedades&lt;/i&gt;, pode aindaser estendido a &lt;i&gt;relações&lt;/i&gt;. O conjuntode instâncias que satisfaz uma relação também pode ser expandido para outrosmundos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Já agora, &lt;i&gt;contexto intensional&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(com s) é aquilo quedetermina a aplicabilidade de um termo ou expressão a uma extensão. A &lt;i&gt;intensão&lt;/i&gt; determina as características deaplicabilidade de um termo, ou seja, tem a ver com o conceito que abrange.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Uma &lt;i&gt;proposição&lt;/i&gt; é verdadeira num mundo se tale tal situação descrita por essa proposição é o caso nesse mundo. Como já foireferido, é este pressuposto que envolve uma teoria de verdade porcorrespondência. Há uma relação de identidade entre a &lt;i&gt;proposição&lt;/i&gt; e a &lt;i&gt;propriedade&lt;/i&gt;do mundo que torna essa proposição verdadeira. Assim, uma &lt;i&gt;propriedade&lt;/i&gt; é a &lt;i&gt;extensão&lt;/i&gt;da &lt;i&gt;proposição&lt;/i&gt;. E a &lt;i&gt;proposição &lt;/i&gt;articula-se com o mundo que atorna verdadeira. No vocabulário dos &lt;i&gt;mundospossíveis&lt;/i&gt; isto pressupõe &lt;i&gt;transmundialidade&lt;/i&gt;.Quando uma &lt;i&gt;proposição&lt;/i&gt; varre um &lt;i&gt;mundo possível&lt;/i&gt;, recolhe sempre maiselementos do que uma propriedade. O &lt;i&gt;realismomodal&lt;/i&gt; contraria muitas vezes a &lt;i&gt;intuiçãodo senso-comum&lt;/i&gt;. Para o &lt;i&gt;senso-comum&lt;/i&gt;existe apenas um mundo, ou seja, o mundo atual, e que é por isso o único mundoreal. O &lt;i&gt;realismo modal&lt;/i&gt; é uma teoriametafísica, em que os &lt;i&gt;mundos possíveis&lt;/i&gt;são reais e existem independentemente da mente. Há mais mundos para além domundo percebido pela intuição do nosso senso-comum. Seja como for, não seencontram muitos filósofos adeptos da ontologia inflacionada de David Lewis. Quandomuito, utilizam a sua terminologia dos &lt;i&gt;mundospossíveis&lt;/i&gt; para fins heurísticos ou semânticos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-8548278434199107079?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/8548278434199107079/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=8548278434199107079&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8548278434199107079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8548278434199107079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/02/modalidades-de-verdade-e-realismo-modal.html' title='Modalidades de verdade e realismo modal'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-8781469313338833207</id><published>2012-02-03T09:41:00.001Z</published><updated>2012-02-03T10:30:52.577Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociedade'/><title type='text'>Razão de plasma</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;O mundoplasmático é o mundo possível a que a maior parte das pessoas comuns tem acessoatravés de um ecrã de plasma ou de protoplasma. O plasma tornou-se forçosamenteuma metáfora de um lugar mítico, onde o caos do mundo é mitigado, transformadoem imagem brilhante, mediatizada em brilho cósmico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Os nossos olhosnão nos deixam enganar quando vemos as imagens dos carteiristas romenos aroubar no Rossio. A polícia estava lá. Ou imagens de mulheres nuas, mulheressem pernas, crianças sem uma mão. Ou prédios a cair em Lisboa e no Rio deJaneiro. É o poder mágico da ontologia do plasma a reorganizar-nos afenomenologia da mente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Só umaconsciência que tenha conhecimento disto é que pode ser uma consciênciaesclarecida a caminho de uma &lt;i&gt;intelligentsia&lt;/i&gt;existencialista. Não é de esperar grande coisa de razoável quando apassividade é inconsciente, na medida em que a participação solicitada atravésdas chamadas de valor acrescentado não passam de um embuste. É perfeito, mas éembuste.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Tem sido pelapassividade e pelo sossego da poltrona que a razão subjetiva se tem tornadocapaz de perceber a razão objetiva. Ora, isto afasta o telespectador do real aoser penetrado virtualmente. A relação com o mundo altera-se a partir do momentoem que o plasma nos dispensa de usar a razão objetiva. Na verdade, aconversação local foi transformada pela mediação comunicacional em conversaçãoplanetária, ou global. A razão subjetiva assenta no &lt;i&gt;pathos&lt;/i&gt; comunicacional que areduz à dimensão da razão privada, egoísta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É nestes termosque deve ser entendida a nova forma de razão, a “razão em luta”, razão ativistaque não se submete ao primado do comum englobante. E a única forma de a “razãoem luta” escapar às garras do “tigre” é ser uma razão irónica. A ironia é a armaque a razão tem para lutar contra a visão do mundo plasmático. A razão irónicaassalta o egocentrismo de milhões de egos distraídos e dispersos pela ciber-esfera.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;Sapere aude!&lt;/i&gt; – Ousa saber, ou tem a coragem de teservir do teu próprio entendimento. Esta frase consta do ensaio de ImmanuelKant – O &lt;i&gt;Que é o Esclarecimento?&lt;/i&gt;1784.Serviu como palavra de ordem da razão subjetiva moderna. No entanto, a suautilização original parece ser de Heraclito, e está registada &lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;na&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;Epistularumliber primus&lt;/i&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;de Horácio,livro 1, carta 2, verso 40. Devemos depositar confiança em nós próprios, omesmo é dizer na nossa razão. É a partir daí que podemos levar a razão àscircunstâncias do mundo, ainda que estejamos frustrados em face das catástrofesmundiais passadas, e das ameaças que o vão entendimento vislumbra no futuro.Quem morre mais cedo poupa cotizações para as reformas dos outros. É com ironiaque devemos ver as profecias de um declínio próximo do mundo provocado por nóspróprios. Só a maior insolência encontra ainda palavras para falar darealidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A palavra alemã&lt;i&gt;Aufklärung&lt;/i&gt; é traduzida por &lt;i&gt;Esclarecimento&lt;/i&gt;, mas também podia ser &lt;i&gt;Iluminismo&lt;/i&gt;ou &lt;i&gt;Luzes&lt;/i&gt;. Ao que interessa aqui, é o que diz Kant quanto à preguiça e àcobardia a que as pessoas fracas se entregam para não pensarem pela sua cabeça.É tão cómodo engolir a papa mastigada que nos é dada através do plasma. Kantdiz: &lt;i&gt;Uma revolução poderá talvez causar a quedado despotismo pessoal ou de uma opressão cúpida e ambiciosa, mas não estarájamais na origem de uma verdadeira reforma da maneira de pensar; novospreconceitos servirão, assim como os antigos, de rédeas ao maior número,incapaz de refletir.&lt;/i&gt; Ou seja, é preciso que as pessoas se libertem de qualquer tutela, seja elaa de um padre, de um governante, ou agora, de um plasma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Aquele que, além de esclarecido, não teme as trevas, e ao mesmo tempo temsob o comando um exército numeroso e bem disciplinado, garantia da tranquilidadepública, pode dizer o que um Estado livre não ousa dizer:&amp;nbsp;“raciocinai o quanto quiserdes, e sobre o quedesejardes, mas obedecei!” […] Um grau mais elevado de liberdade civilparece ser vantajoso para a liberdade de&amp;nbsp;espírito&amp;nbsp;do povo, e lhe impõe todavia barreirasintransponíveis; um grau menos elevado daquela proporciona a este emcontrapartida a possibilidade de estender-se de acordo com suas forças. Quando,portanto, a natureza libertou de seu duro invólucro o germe sobre o qual elavela mais ternamente, isto é, a inclinação e a vocação para&amp;nbsp;pensar livremente, então essainclinação age por sua vez sobre a sensibilidade do povo (graças à qual este setorna cada vez mais capaz de ter a&amp;nbsp;liberdadede agir) e finalmente, também sobre os princípios do&amp;nbsp;governo, que encontra o seu própriointeresse em tratar o homem, que doravante&amp;nbsp;é mais do que uma máquina, na medida de sua dignidade.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;A razão, pelo menos desde Descartes, e passandodepois por Espinosa antes de chegar a Kant, fazendo parte de um psíquicoseparado, separação entre espírito e natureza, sempre que era abordada acabavapor cair em contradições impossíveis de dissolver. As investigações de Kant sobreo entendimento constituíam o tema central das “Críticas da Razão”. Para Kantera óbvio, pelo menos desde Espinosa, que a natureza, bem como a totalidade doser em geral, tinha de ser um sistema racional unificado. E para Espinosa era óbvioque Deus, a Substância absoluta, não podia deixar de fazer parte da unidade dosistema racional total.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-8781469313338833207?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/8781469313338833207/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=8781469313338833207&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8781469313338833207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8781469313338833207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/02/razao-de-plasma.html' title='Razão de plasma'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-2870424917664331539</id><published>2012-02-01T11:00:00.006Z</published><updated>2012-02-01T15:52:07.078Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Medicina'/><title type='text'>Evocação de Mário Moreira, a propósito dos 60 anos da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Mário Moreirafoi o primeiro presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (1952 –1956), que após ato eleitoral criou a sua sede no Serviço 1do Hospital deArroios. Xavier Morato era o Secretário-Geral.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A sessão soleneinaugural da Sociedade teve lugar no Salão Nobre da Faculdade de Medicina deLisboa, pelas 22 horas do dia 27 de Novembro de 1952.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Ao evocar esteacontecimento e o nome do primeiro presidente da Sociedade Portuguesa deMedicina Interna, aproveito para respigar algumas passagens da alocução queMário Moreira proferiu na abertura da sessão, com o título: &lt;i&gt;Grandeza e decadência da Medicina Interna&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Pelo título daconferência já se pode avaliar quão ciente estava Mário Moreira do rumo que aciência estava a levar, mercê da explosão tecnológica que se deu no período quese seguiu à Segunda Guerra Mundial. Mário Moreira previa a decadência daMedicina Interna com o despontar das novas especialidades médicas: Cardiologia,Gastrenterologia, Pneumologia, Endocrinologia, para mencionar apenas asprimeiras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;i&gt;“Mercê dovertiginoso processo de desenvolvimento que a ciência está a ter, a medicina sofreunas últimas décadas uma violenta transformação nos seus métodos de análise etratamento. O Clínico Geral não passará de uma mera sobrevivência de um passadorotineiro, sendo remetido para bem longe da ribalta.”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;O nascimento dasnovas especialidades de dentro da Medicina Interna era o começo da suadecadência, devido ao inexorável desmembramento que iria sofrer à medida quemais especialidades fossem surgindo. É claro que já não estavam em causaespecialidades como Oftalmologia ou Otorrinolaringologia. Estas especialidades,como outras do mesmo género com pendor eminentemente cirúrgico, já existiammesmo antes de ter surgido o conceito de Medicina Interna. O seu conceito foicriado em finais do século XIX, mais precisamente num congresso organizado naAlemanha em 1882. Rapidamente esta evolução chegou aos Estados Unidos daAmérica, onde pontuou William Osler (1849 – 1919) como fundador do primeiroServiço de Medicina nesse país, no &lt;i&gt;JohnsHopkins Hospital.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Para MárioMoreira, o que se estava a passar na década de 1950, no campo da Medicina, erahumilhante para a Medicina Interna. Ele já estava a ver, por antecipação, o“público” a peregrinar de consultório em consultório até encontrar o verdeiroespecialista das suas “maleitas”. A ânsia do especialista iria tornar-se umaverdadeira obsessão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;i&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;“Raros abencerragens se mantiveram no seuposto, terçando armas pela sua dama, travando ardoroso combate pela sua causa.”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;A primeirasessão científica da Sociedade realizou-se em Março de 1953, na sala dassessões do Hospital dos Capuchos, que era a sede da Sociedade de CiênciasMédicas dos Hospitais Civis de Lisboa. A última reunião científica, deste primeiro período antesda hibernação, mais precisamente um ciclo de conferências sobre &lt;i&gt;Hepatologia&lt;/i&gt;, realizou-se de 8 a 11 de Maio de 1967. Tendo decorrido na Aula Magna da Faculdade de Medicina de Lisboa, envolveu já, comoprevia Mário Moreira, a parceria de outra associação médica, a Sociedade Portuguesa deGastrenterologia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;E, efetivamente,a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna iria hibernar entre 1967 e 1983,altura em que finalmente a Ordem dos Médicos estava a acordar para os temposque vinham aí, reconhecendo e criando dentro da Ordem dos Médicos a especialidadede Medicina Interna. Neste caso teve papel preponderante Ducla Soares. Mas aMedicina Interna só viria a atingir novamente um ponto alto na década entre1985 e 1995, primeiro com Armando Porto, de Coimbra, e a seguir com CerqueiraMagro, do Porto. Em Maio de 1990 realizar-se-ia o 1º Congresso Nacional deMedicina Interna, em Coimbra, no Auditório da Universidade. Era nessa alturaPresidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna – Armando Porto, eSecretário-Geral – Fernando Santos. Esta década de ouro culminou em 1996 com oprotagonismo internacional que Barros Veloso teve na criação da FederaçãoEuropeia de Medicina &lt;i&gt;Interna (EuropeanFederation of Internal Medicine - EFIM).&amp;nbsp;&lt;/i&gt;Esta organização científica, fundada em1996, resultou de uma congregação de vontades que emergiu da dinâmica entre aAssociação Europeia de Medicina Interna e o Forum de Presidentes das SociedadesNacionais de Medicina Interna. Foram cruciais os encontros entre Ugo Carcassi, de Itália, e Barros Veloso, de Portugal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ADCqX1-zwLo/TykbKc0MC5I/AAAAAAAAB0o/XFjXkAzdOY0/s1600/1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="205" src="http://2.bp.blogspot.com/-ADCqX1-zwLo/TykbKc0MC5I/AAAAAAAAB0o/XFjXkAzdOY0/s320/1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote class="tr_bq" style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;Conselhofundador da EFIM no primeiro encontro em Paris, 1996. Vê-se Barros Veloso, o domeio sentado na fila da frente, e Levi Guerra, o 3º de pé a contar da esquerda na fila de trás, que era na alturao Presidente da Sociedade Portuguesa. Barros Veloso tinha sido o presidentecessante, um dos obreiros deste encontro.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-2870424917664331539?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/2870424917664331539/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=2870424917664331539&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/2870424917664331539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/2870424917664331539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/02/evocacao-de-mario-moreira-proposito-dos.html' title='Evocação de Mário Moreira, a propósito dos 60 anos da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ADCqX1-zwLo/TykbKc0MC5I/AAAAAAAAB0o/XFjXkAzdOY0/s72-c/1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-9207906889402596424</id><published>2012-01-31T09:24:00.001Z</published><updated>2012-01-31T09:56:12.344Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Medicina'/><title type='text'>10º Encontro Internacional de Medicina Interna</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Este ano o 10ºEncontro Internacional de Medicina Interna realiza-se no Porto, de 15 a 18 deFevereiro. O seu programa é inteiramente dedicado às &lt;i&gt;doenças sistémicas autoimunes&lt;/i&gt;, com palestrantes nacionais eestrangeiros. Deste grupo de doenças fazem parte enfermidades e síndromes comas mais variadas expressões clínicas e patologias, como por exemplo: &lt;i&gt;artrite reumatoide, lúpus eritematososistémico, esclerose sistémica, poliendocrinopatias autoimunes, síndrome deBehçet, síndrome de Sjögren.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Se tivéssemosque eleger as doenças paradigmáticas da Medicina Interna, certamente que as&lt;i&gt;doenças autoimunes &lt;/i&gt;não ficariam de fora. A &lt;i&gt;Medicina Interna&lt;/i&gt; e as &lt;i&gt;doenças autoimunes&lt;/i&gt;, ambas estão casadas até nadificuldade da definição. Se não é fácil para o leigo perceber o que é afinal a&lt;i&gt;Medicina Interna,&lt;/i&gt; então perceber o que são as &lt;i&gt;doenças autoimunes ...&lt;/i&gt;&amp;nbsp;Por agora vamo-nos deter na &lt;i&gt;Medicina Interna&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O ser humanodoente não é uma mera coleção de sinais e sintomas, ou um corpo avariado. O serhumano doente tem medos e esperanças, e o que busca em primeiro lugar é alívioe tranquilidade. Por isso, o médico para assistir pessoas que sofrem, para alémde ter de possuir um vasto conhecimento científico e habilidades técnicas, tem que ser dotado de muita compreensãodo outro e solidariedade humana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A &lt;i&gt;MedicinaInterna&lt;/i&gt; é uma especialidade médica não cirúrgica, eminentemente hospitalar. Os médicos que a praticam chamam-se &lt;i&gt;Internistas&lt;/i&gt;. Cabe ao &lt;i&gt;Internista&lt;/i&gt; tratar apessoa de uma forma global e integrada em meio hospitalar, porque em meio nãohospitalar o mesmo é praticado pelo &lt;i&gt;Clínico Geral&lt;/i&gt;, embora em menorprofundidade. Em meio hospitalar, o &lt;i&gt;Internista&lt;/i&gt; está para o adulto assim como o &lt;i&gt;Pediatra&lt;/i&gt; está para a criança. Criança, segundo os padrões pós-modernos, estende-se,pelo menos, até à idade de 18 anos. No tempo do meu tirocínio com 10 anos aindase ia para as enfermarias de &lt;i&gt;Medicina Interna&lt;/i&gt;. Por isso, durante muito tempo os&lt;i&gt;Internistas&lt;/i&gt; trataram pessoas a partir dos dez anos de idade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Uma criança ouuma pessoa adulta não são uma coleção de órgãos para serem tratados porespecialistas à peça. Por isso só deve fazer sentido que uma pessoa quando queira um médico,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 18pt;"&gt;quando sentir que algo não vai bem com a sua saúde,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 18pt;"&gt;por sua iniciativa deve procurar um&lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 18pt;"&gt;Clínico Geral&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 18pt;"&gt;, ou, vá lá, um &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 18pt;"&gt;Internista&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 18pt;"&gt; ou um &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 18pt;"&gt;Pediatra&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 18pt;"&gt;, conforme idade. Só depois, se for caso disso, terálugar a intervenção de um especialista de peças, ou um técnico. O &lt;i&gt;Clínico Geral&lt;/i&gt;é o equivalente do &lt;i&gt;Internista&lt;/i&gt; ou do &lt;i&gt;Pediatra&lt;/i&gt; na vida quotidiana não hospitalar.Deve haver, por conseguinte, uma continuidade de cuidados entre &lt;i&gt;Clínico Geral&lt;/i&gt; e&lt;i&gt;Internista,&lt;/i&gt; em caso de adultos, e &lt;i&gt;Clínico Geral &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;Pediatra&lt;/i&gt; em caso de crianças.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;No hospital, o&lt;i&gt;Internista&lt;/i&gt; pode ser encontrado em todo lado, uma vez que é chamado comfrequência aos outros &lt;i&gt;Serviços Hospitalares&lt;/i&gt; para tratar de complicações que aí ocorram aos doentes, quenão relacionadas com a patologia que levou ao internamento do doente, mas normalmente relacionadas com outras doenças de base, crónicas ou agudas, que o doente sofra. De resto,onde passa mais tempo é na Enfermaria de Medicina, no Serviço de Urgência e naConsulta Externa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O aumento doconhecimento científico a benefício da medicina teve sempre um caráterexplosivo, e agora mais do que nunca. O médico ao longo do tempo teve sempre detravar uma luta titânica se queria fazer jus aos preceitos hipocráticos sem perder as estribeiras, ou seja, sem perder aquilo queconstitui a essência na estreita relação entre médico e paciente – a confiança por parte do doente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Quando opaciente apresenta problemas clínicos complexos, como é o caso das &lt;i&gt;doençasautoimunes&lt;/i&gt;, é crucial que o médico se detenha o tempo que for preciso numa boaanamnese e exame físico antes de partir para exames laboratoriais. Os examesauxiliares têm de ser criteriosos e adequados, sob pena de fornecerem falsaspistas. Pela crescente complexidade que envolve, os riscos podem ser grandespara o doente. Em muitos casos são mais lesivos do que a própria doença, quer por via própria, quer por via &amp;nbsp;dostratamentos que eles induzem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É aqui que entraa arte em medicina. Depois de se ter adquirido uma base científica sólida, e de um longo tempo de prática, para se ser um bom artista, é preciso uma harmoniosa combinação de conhecimentoclínico, intuição, experiência e discernimento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-9207906889402596424?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/9207906889402596424/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=9207906889402596424&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/9207906889402596424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/9207906889402596424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/10-encontro-internacional-de-medicina.html' title='10º Encontro Internacional de Medicina Interna'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-3552746154877439551</id><published>2012-01-28T11:36:00.003Z</published><updated>2012-01-28T12:07:15.589Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência cognitiva'/><title type='text'>A experiência é o fator que mais estimula a plasticidade cerebral</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="background: white; line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;A experiência produz mudanças estruturaise funcionais no cérebro, que se manifesta no tamanho e na ativação da função sináptica e dendrítica. A formação ou eliminação de sinapses e o aumento de tamanho dos dendritos - as regiões terminais dos neurónios -, ou o aumento da atividade metabólica, são alterações funcionais dos neurónios que estão correlacionadas com o comportamento do indivíduo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background: white; line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A aprendizagem e a plasticidade cerebral sãointerdependentes. Assim, com a modificação do comportamento modificam-se assinapses de alguns circuitos neuronais. E este processo de permanente rearranjo está na base daquilo a que se chama memória. Mas este rearranjo é precáriodurante as primeiras horas após a aprendizagem de novas competências. É sódepois de um certo processo de estabilização dos circuitos, que leva algum tempo, que a memória seconsolida. Sempre que estes circuitos são ativados, é memória que se está amobilizar. Sempre que se esteja a lembrar de alguma coisa está-se a pôr emmovimento circuitos de memória, os quais são suscetíveis de receber nesse movimentonova informação, e consequentemente novo rearranjo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background: white; line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;As memórias são especialmente mobilizadaspor aquilo a que chamamos “emoções”, sobretudo as &lt;i&gt;memórias declarativas episódicas&lt;/i&gt;. As&lt;i&gt;memórias declarativas&lt;/i&gt;, ou explícitas, são as memórias que podemos exprimir porpalavras para relatar factos ou eventos que se distribuem por dois subtipos dememória: &lt;i&gt;memória episódica&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;memória semântica&lt;/i&gt;. É a &lt;i&gt;memória episódica&lt;/i&gt; que está ligada a conteúdosbiográficos e temporais. Ao passo que a &lt;i&gt;memória semântica &lt;/i&gt;está ligada ao conhecimentoabstrato sem qualquer vínculo ao tempo. Deve-se recordar aqui que as &lt;i&gt;memóriasdeclarativas&lt;/i&gt; têm como contraponto as &lt;i&gt;memórias preformativas&lt;/i&gt;, que são asmemórias indispensáveis ao desempenho de habilidades e comportamentosaprendidos, como por exemplo as competências profissionais que envolvem gestos e atitudes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background: white; line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Não podemos falar de emoções e memória semfalar de mecanismos neuro-hormonais que participam na configuração das redescerebrais que as suportam. São os eventos bioquímicos, em que entra a dopamina, a noradrenalina, a acetilcolina e aserotonina, que regulam o comportamento emocional, como por exemplo o comportamento secundário ao &lt;i&gt;stress&lt;/i&gt;. Isto implica com a memória.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background: white; line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Como o cérebro é uma estrutura empermanente construção, daí decorre também que o repertório comportamental estásempre a atualizar-se. É uma evidência científica que a plasticidade sinápticaé a responsável pela capacidade de transformação dos neurónios e pela aquisiçãodas memórias, e que a manutenção de atividades criativas e estimulantes podemelhorar a evocação da memória. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background: white; line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-size: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-3552746154877439551?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/3552746154877439551/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=3552746154877439551&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3552746154877439551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3552746154877439551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/experiencia-e-o-fator-que-mais-estimula.html' title='A experiência é o fator que mais estimula a plasticidade cerebral'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-5783026050304251787</id><published>2012-01-28T11:34:00.003Z</published><updated>2012-01-28T12:23:50.980Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Histórias'/><title type='text'>Eh pá: estamos vivos!</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Vi há dias na TVo doutor Mário Soares contar histórias do “gajo porreiro” que ele foi, e aindaé, nos anos da brasa. Ou seja, no Período Revolucionário Em Curso. Ele não sósoube impor-se às massas das classes médias, como teve a coragem de meter o Socialismo na gaveta,como então se dizia. Ele criou a infraestrutura psicológica da nossa capacidadede adaptação aos tempos que vinham aí.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Nos anos quentesda Revolução de Abril irrompeu em Portugal uma nova forma de ilusionismopolítico, que galopou até estes dias que estamos a atravessar. Passamos efetivamente por uma mudança profunda de clima político e social. Não há ninguémque não constate isso. Mas, ao ouvir agora em retrospetiva as histórias dodoutor Mário Soares custa-me acreditar como foi possível chegar onde chegamos coma nossa vontade de viver democraticamente. É extraordinário o carácter honestocom que ele conta aquelas histórias inacreditáveis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O doutor MárioSoares saiu-se vitorioso na confrontação que teve com a velha esquerda utópicae radical que se havia infiltrado em todas as camadas sociais de cima a baixo.Agora, só com um espírito de autoconservação muito grande, e com um prodigioso malabarismo psicológico, se consegue ter vontade para viver esta vida consumista e ilusionista de gente que se distrai com acosmética.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia, umapessoa com uma cara cadavérica não se safa em lado nenhum. Se essa pessoa for pedir umtrabalho, o empregador alega que com aquele aspeto assusta os clientes. Nestemundo virado do avesso, os esteticistas nunca tiveram tantas mãos a medir comoagora. E assim, neste descontentamento a velha esquerda debate-se com a suadecadência, a desmoronar-se sob o peso de tantas ambivalências. Confusos edesesperados, os líderes políticos de esquerda preferem ir para o manicómio, ouenforcarem-se na cela, do que reconverterem-se em social-democratas da viatortuosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A chamaSocialista ainda não se extinguiu, mas agora arde de outra maneira. O doutorMário Soares voltou a tirar o Socialismo da gaveta, defendendo-o numa atitudede herói da Nossa Revolução sem &lt;i&gt;pathos&lt;/i&gt;.Mas já não podemos regressar à simplicidade da nossa ingenuidade peranteutopias dogmáticas. À medida que se caminha para poente, mais nosvamos aproximando da verdade do nosso ocaso. Já não se vê muita distância a separar-nos dafinisterra.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-5783026050304251787?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/5783026050304251787/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=5783026050304251787&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/5783026050304251787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/5783026050304251787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/eh-pa-estamos-vivos.html' title='Eh pá: estamos vivos!'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-3809569579310299282</id><published>2012-01-25T18:47:00.004Z</published><updated>2012-01-25T19:20:42.177Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fenomenologia'/><title type='text'>Fenomenologia conceptual em vez de transcendental</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;O que se vaiseguir a partir desta epígrafe, e por baixo dela – &lt;i&gt;Fenomenologia conceptual em vez de transcendental &lt;/i&gt;– é um trabalhonão só de &lt;i&gt;reflexão&lt;/i&gt; mas também de &lt;i&gt;conceção&lt;/i&gt;. A &lt;i&gt;reflexão&lt;/i&gt; é a meditação e ponderação. A &lt;i&gt;conceção&lt;/i&gt; é a elaboração e criação de noções para um melhorentendimento. É um trabalho que se pode fazer com recursos mínimos. Não épreciso nenhum laboratório, nenhum edifício especial, nem instrumentos físicoscomplicados para se praticar este tipo de trabalho. Mas é preciso,essencialmente, tempo. E depois alguns livros e um computador, sempre dapenúltima geração, ligado à rede.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Partindo doconceptualismo dos textos filosóficos, a palavra &lt;i&gt;transcendental &lt;/i&gt;diferencia-se da palavra &lt;i&gt;transcendente.&lt;/i&gt; O que é menos claro nos textos filosóficos é adiferenciação &lt;i&gt;conceptual/transcendental&lt;/i&gt;.Por outro lado, em relação à &lt;i&gt;fenomenologia&lt;/i&gt;,muitas vezes não se percebe o que se quer dizer com isso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Começando pelapalavra &lt;i&gt;transcendental&lt;/i&gt;, foi Kant quemfixou de forma definitiva a diferença entre &lt;i&gt;transcendentale transcendente&lt;/i&gt;. O termo &lt;i&gt;transcendental&lt;/i&gt;já era utilizado pelos filósofos medievais para referir entidades como: um,algo, coisa, bem, beleza, verdadeiro, ou seja, aquelas entidades quetranscendiam as fronteiras entre quaisquer duas categorias aristotélicas.Assim, para Kant, &lt;i&gt;Crítica da Razão Pura&lt;/i&gt;,o &lt;i&gt;transcendental&lt;/i&gt; é o que pertence àscondições &lt;i&gt;necessárias&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;a priori&lt;/i&gt; doconhecimento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Em relação aotermo &lt;i&gt;fenomenologia,&lt;/i&gt; particularmenteno período em que mais foi usado, durante o século XX, é remetido para a obrade Edmund Husserl (1859-1938), em que ele a usa como método filosófico paradescrever a nossa experiência diretamente, tal como é, sem o auxílio dequalquer conceptualização. Por conseguinte, por aqui já se pode ver que seseguirmos Husserl, as expressões: &lt;i&gt;fenomenologiatranscendental&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;fenomenologiaconceptual&lt;/i&gt;, encerram dentro de si contradições, uma vez que se junta umaqualquer noção conceptual com um método que não aceita o conceptual. Isto é,navega-se em águas à revelia de tudo aquilo que a ciência adquirida pelaModernidade vinha explicando e oferecendo ao nosso entendimento. Talvez tenhasido por isso que discípulos de Husserl desde a primeira hora, como Heidegger,Sarte e Merleau-Ponty, se dispuseram a aprimorar o método fenomenológicopassando por cima das conclusões a que Husserl havia chegado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É claro que otermo &lt;i&gt;fenomenologia&lt;/i&gt; também já vinhade trás, e era utilizado pelos filósofos, pelo menos desde Johann Heinrich Lambert,de origem suíça, que aparece no seu tratado de lógica – &lt;i&gt;Neues Organon&lt;/i&gt;, 1764 – para referir a investigação ou teoria daexperiência sensível e, em geral, da aparência que para nós têm as coisas, ou oque elas parecem. Portanto era a descrição dos fenómenos cujo método ia paraalém do que era captado pelos sentidos na nossa experiência quotidiana. Poroutro lado, Hegel, na &lt;i&gt;Fenomenologia doEspírito, &lt;/i&gt;tentou descrever com este vocabulário a forma como gradualmente oespírito aparecia. Era através do choque dinâmico e sucessivo de diferentesformas de consciência que se superavam umas às outras desfazendo as suasdiferenças até culminar no autoconhecimento, que para Hegel era o conhecimentoabsoluto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Um conceptualistaé aquele que defende que as propriedades das coisas e as relações entre elas,ou se se quiser, os universais, para existirem precisam de uma mente. Osconceptualistas opõem-se aos nominalistas (que dizem que os universais nãoexistem), e também se opõem aos realistas (que dizem que os universais existem,mas não dependem da mente para existir). Ora, os conceptualistas acham que osuniversais existem, mas a mente é imprescindível para que a sua existência sejaum facto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;De um modogeral, um investigador conceptual trabalha tendo em vista contribuir para acompreensão do que já é conhecido, para a clarificação do que está malconcebido, e para o esclarecimento das formulações que ainda podem virrelacionadas com o que não é conhecido. A &lt;i&gt;fenomenologiaconceptual&lt;/i&gt; antecede a &lt;i&gt;fenomenologia empírica&lt;/i&gt;, ou seja, aquilo que éempiricamente investigado pela ciência, o qual ela tem de classificar comoverdadeiro ou falso. Portanto, as investigações empíricas e as suas teorias sãoantecedidas por conceitos e relações conceptuais. A &lt;i&gt;fenomenologia conceptual&lt;/i&gt; é uma pesquisa &lt;i&gt;a priori&lt;/i&gt; de conceitos e da teia de conexões relevantes que existementre eles.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-3809569579310299282?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/3809569579310299282/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=3809569579310299282&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3809569579310299282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3809569579310299282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/fenomenologia-conceptual-em-vez-de.html' title='Fenomenologia conceptual em vez de transcendental'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-567067938596776529</id><published>2012-01-25T18:23:00.004Z</published><updated>2012-01-25T18:31:35.261Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociedade'/><title type='text'>Os burlões de colarinho branco pantomimeiros</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-tQ72MAlq8p0/TyBH8pifucI/AAAAAAAAB0Q/W3alkP4OX_s/s1600/1.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-tQ72MAlq8p0/TyBH8pifucI/AAAAAAAAB0Q/W3alkP4OX_s/s320/1.JPG" width="228" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18pt; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; font-size: x-small;"&gt;PaulCézanne. Óleo sobre tela 65x101, 1888-1890. Da coleção do casal Mellon (1985)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 18pt;"&gt;Em sentidofigurado um pantomimeiro é um dissimulado, mas em rigor é um ator que nos ésimpático e nos faz bem à disposição. A minha mãe chamava-me pantomineiro (comn) quando me punha a fazer de engraçadinho. Depois temos os arlequins, que emsentido figuradochamamos àqueles que mudam de opinião conforme o lado deque sopra o vento. Mas em rigor é uma personagem da antiga comédia italianausando um traje muito colorido e aos losangos. E ainda temos os mimos que sãoatores que representam através da performance, com mímica, postura corporal egestos muito sugestivos sem o uso de qualquer palavra.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;O pierrô é umavariação do Pedrolino italiano, diminutivo de Pedro. Ele usa roupas brancaslargueironas e também um chapéu alto e pontiagudo. Por vezes tem uma lágrimapintada na face. Ele é triste e apaixonado em segredo pela Colombina, pombinha.Esta, por sua vez, apaixona-se por Arlequim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Os burlões decolarinho branco são de várias feitios, mas geralmente intitulam-se empresáriosaté 3 dias antes de a polícia lhes deitar a mão. Aparecem bem vestidos, combons carros, e por vezes acompanhados pela família aos domingos para almoçar embons restaurantes, depois da missa-do-meio-dia. A única coisa que os aborrece éserem filhos de gente pobre. Por isso, o que os move é o sonho de entrar naalta-roda e ficarem entre o político e o esteta, entre o ideólogo e ocharlatão, entre o pastor de uma religião pimba e o vigarista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A desrazão dacondição humana atual reclama explicações. Por isso os jornalistas vão aoencontro de psicólogos e psiquiatras para que lhes expliquem o que se está apassar. A explicação é muito simples: as pessoas querem ser enganadas porqueestão tolhidas pelo medo. Se não houvesse mortos até dava para rir. A estupidezé a grande infame. Estamos a assistir a uma mudança, não de paradigma mas dehomem. Melhor dizendo, da espécie homo. De &lt;i&gt;homosapiens&lt;/i&gt; para &lt;i&gt;homo stultus&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Os outrosanimais é que estão a ser de longe os mais avisados. Afinal, quanto maisinteligentes, não espertos, tanta maior tendência para o naufrágio num mar deinfames absurdos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-tHeM_9WZAYQ/TyBIA14EvLI/AAAAAAAAB0Y/UOtVg6iSyyQ/s1600/2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;img border="0" height="239" src="http://3.bp.blogspot.com/-tHeM_9WZAYQ/TyBIA14EvLI/AAAAAAAAB0Y/UOtVg6iSyyQ/s320/2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-567067938596776529?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/567067938596776529/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=567067938596776529&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/567067938596776529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/567067938596776529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/os-burloes-de-colarinho-branco.html' title='Os burlões de colarinho branco pantomimeiros'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-tQ72MAlq8p0/TyBH8pifucI/AAAAAAAAB0Q/W3alkP4OX_s/s72-c/1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-6087577974411741756</id><published>2012-01-24T10:21:00.000Z</published><updated>2012-01-24T10:36:26.063Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Das memórias</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;A memória édaqueles assuntos cujo estudo, encarado do ponto de vista sistémico, é quaseuma impossibilidade. Isto resulta não só do caráter sistémico da memória mastambém do facto de a metodologia que prevalece no campo da ciência ser de tipoanalítico, o que dificulta ainda mais qualquer pretensão de grandes sínteses,feita a ressalva ao caso particular do estudo dos sistemas informáticos quetambém lida com memórias. A memória está metida em tanta coisa como desde logoa nossa trivial memória cerebral, passando pela memória imunológica, até àsmemórias como subtipo literário, ou as memórias informáticas. Em informática,as memórias são todos os dispositivos que permitem a um computador guardar dados,temporariamente ou permanentemente. A memória principal é também chamada dememória real. A memória como género literário consiste num narrador contarfactos que vivenciou, ou presenciou, e que ficaram retidas nas suas lembranças.Portanto, é uma narrativa baseada em histórias verídicas ou factos reais. É umaforma literária diferente da biografia, uma vez que esta se limita a contar avida de alguém em particular.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A memória dosistema imune é ainda mais antiga, em termos filogenéticos, do que a memóriacerebral. A memória do sistema imune inata existe mesmo antes da existência dosvertebrados, embora a memória adquirida é por assim dizer uma conquista dosvertebrados. Com a memória imunitária inata os seres vivos delimitam o que lhesé próprio do que lhe é estranho, não só outros microrganismos como substânciasinanimadas. A resposta do sistema imune através da dita memória inata é umaresposta ultrarrápida por forma a não tolerar o que lhe não é próprio, e ao mesmo tempo permitindo-lhe tolerar o queé próprio, de modo a que o sistema imune não provoque danos nos seus própriostecidos. A memória do sistema imune adquirida, na qual entram em cena oslinfócitos B e T, promove o reconhecimento específico de coisas previamentesintonizadas por estas células. Por isso não é tão rápida como a memória inata.Esta imunidade defensiva é específica contraantigénios estranhos que previamente entraram em contacto com o organismo. O carácter destesantigénios é sempre patogénico, como é o caso das infeções por vírus ebactérias.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 18pt;"&gt;Uma das características fundamentais da imunidade adaptativa reside no facto de apóso contacto inicial com determinado antigénio, num contacto posterior a respostajá ser muito mais rápida e vigorosa, e por isso já não surgir doença. É nestasituação que se diz que os organismos já estão imunizados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A noção desistema aplicada à memória, como correspondendo a um conjunto de elementos queinteragem entre si e com o mundo exterior que o envolve, permite uma abordagemunificada de uma grande variedade de fenómenos. A abordagem sistémica permiteavaliar os problemas que os sistemas muito complexos colocam. Só depois de seterem analisado as propriedades topológicas de diversas categorias de sistemasse percebeu o que estava em causa na fenomenologia das representações. E foidepois de se ter visto que estas representações assumiam a forma de redes, seprogrediu no estudo da memória cerebral. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Com a abordagemdo sistema límbico como uma rede, se percebeu que esta rede, local porexcelência destinado ao processamento das memórias, mesmo depois de serdanificada, e por conseguinte colocar o indivíduo no estado de amnésia, verificou-seque não era aqui que as memórias eram retidas. As memórias são retidas em redesamplamente distribuídas por todo o córtex cerebral. A rede límbica o que faz éconectar todos esses circuitos corticais e dar-lhes coerência e sentido em algosignificativo. É essa transposição para representações experienciais coerentesque faz com que a fenomenologia aconteça. As informações conservam-se nocérebro mesmo que o sistema límbico seja destruído. O que se perde é oprocessamento dessa informação. É esta informação retida nas redes corticaisque fornece aquilo a que se chama a memória implícita. É por isso que certospacientes com Alzheimer, completamente desmemoriados ao nível da consciência,mesmo assim podem ter performances em que é necessário o recurso a estasmemórias. Nesta situação, eles não têm consciência explícita de que possuem essasfaculdades. Daí que um cantor lírico com Alzheimer tenha conseguido cantar as áreas quesempre cantou sem saber como é que as cantou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Quando René Thomestabeleceu a sua teoria geral da morfogénese, aplicada tanto às morfologias domundo inanimado como às dos seres vivos, com o recurso a considerações baseadasem conhecimentos de topologia, deu não só mais um salto nas dificuldades dacompreensão da memória, como abriu portas para outras possibilidades de melhor aestudar. No entanto, a procissão ainda vai no adro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-6087577974411741756?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/6087577974411741756/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=6087577974411741756&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/6087577974411741756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/6087577974411741756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/das-memorias.html' title='Das memórias'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-1200730532681574168</id><published>2012-01-21T12:30:00.003Z</published><updated>2012-01-21T12:47:20.847Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>A interdisciplinaridade do Tempo. Ninguém sabe tudo</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;O estudo do Tempo é um bom exemplo para percebermos o que está em causa quando falamos de Interdisciplinaridade. O seu sentido tem implicações na forma da linguagemutilizada pelos vários intervenientes científicos, ou não científicos, quando pretendemdialogar acerca do mesmo tema. Tem sido longamente debatido, já há muito tempo, oproblema do fechamento disciplinar por causa das idiossincrasias linguistaspróprias de cada uma em particular. Ora, tem sido propósito de algunsestudiosos contribuir com o seu trabalho de análise descomplexado depreconceitos para um intercâmbio de ideias mais profícuo entre cientistas comtradições culturais e linguísticas bem distintas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Um físico paradefinir um acontecimento na Terra precisa no mínimo de quatro dimensões: trêspara dizer onde (latitude, longitude e altitude) e uma quarta para dizer quando(o tempo). Por outro lado sabe-se que existe uma diferença crucial entre astrês dimensões do espaço e a dimensão do tempo. É que enquanto as três giram emqualquer direção e em qualquer sentido, a do tempo tem apenas uma única direção eum único sentido. Isto pelo menos num certo tipo de física, em particular por aquela que éregida pela 2ª Lei da Termodinâmica. Verificaremos mais adiante que tal nãosucede em outras físicas e em disciplinas com fundamentos sociológicos eantropológicos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Pois sim, aimportância do Tempo não diz respeito apenas aos físicos. Os físicos não sepreocupam, enquanto físicos, com o Tempo biológico, ou psicológico, ou atéhistórico. No plano físico o Tempo obedece a outro tipo de invariânciasabstratas que não as invariâncias biológicas psicológicas. Estas dizem respeitoa todos os seres vivos (a segunda apenas para alguns) já que todos os seres, etodas as coisas, avançam numa direção inevitável, como uma seta num inexoráveldevir entre o passado e o futuro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É muitodiferente a forma como os antropólogos estudam o Tempo, partindo das suas construçõesculturais e históricas contidas em coletes de força de várias ordens: social,política, filosófica e estética. A dada altura certos antropólogos passaram-sedos carretos, diferenciando o sentido do Tempo linear judaico-cristão do sentido do Tempo circular ou cíclico das “outras” sociedades. Passou assim a haver uma certaambiguidade de identidade entre quem eram os “nós” e quem eram os “outros”. Nesta linhaavultam, só para referir dois, do lado americano, Benjamin Lee Whorf, e do ladoeuropeu, Émile Durkheim. Assim, os antropólogos passaram a dar mais importânciaà apreensão humana do Tempo do que ao seu sentido lógico e universal defendidopelos físicos. Para os antropólogos o Tempo é apreendido de maneira diferenteconforme a cultura e a língua no seio da qual se desenvolve. Conforme asidiossincrasias de cada língua assim cada povo que a fala possui um sistemaconceptual próprio. Todavia, trabalhos mais recentes têm vindo a desacreditar aexistência de qualquer espécie de ligação profunda entre os tempos verbais deuma determinada língua e o processo de conceptualização do Tempo por parte dosrespetivos falantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O caráterespecífico da linguagem que é própria de cada disciplina científica, que incluias metáforas, tem levado alguns investigadores a fixarem-se de uma formapersistente nos princípios lógicos que já remontam desde pelo menosAristóteles. De facto, a lógica desempenha um papel importante nas ciências namedida em que constitui o melhor instrumento que o homem jamais engendrou para mediaros juízos sobre a realidade de uma forma Interdisciplinar, abrangente e consensual. A lógicaestá intimamente associada às condições que despertam em nós o sentimento daevidência e da certeza. Aquilo que o matemático tem necessidade de demonstrarpode revelar-se evidente no quadro da lógica, mesmo que seja uma lógica menossofisticada, ou menos rica do que certas lógicas que hoje há por aí. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;E é assim, pelouso da lógica, que se pode ultrapassar a inevitabilidade do uso de metáforas,que não poupa ninguém, inclusivamente os cientistas mais empedernidos das ditasciências duras, que afasta a acessibilidade à compreensão, por parte dosprofanos, das coisas ditas pelos especialistas de cada disciplina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-1200730532681574168?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/1200730532681574168/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=1200730532681574168&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/1200730532681574168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/1200730532681574168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/interdisciplinaridade-do-tempo-ninguem.html' title='A interdisciplinaridade do Tempo. Ninguém sabe tudo'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-975521734087503825</id><published>2012-01-19T12:34:00.003Z</published><updated>2012-01-19T13:37:18.815Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fenomenologia'/><title type='text'>À margem dos conceitos de realidade</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Quando o homem(sem predomínio de género, raça ou etnia) deita mão do método científico paraabordar a realidade empírica através das “ideias-limite” da matemática (incluia geometria) como instrumento cognitivo, estará a utilizar um método universalde conhecimento?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Eu diria quesim, acrescentando e ressalvando o facto de apenas se tratar do conhecimentoobjetivo da realidade. Para além deste tipo de conhecimento não nos podemosesquecer do conhecimento subjetivo. Para completar o raciocínio devo dizer queo &lt;i&gt;a priori&lt;/i&gt; da matemática para serpraticável no mundo empírico, concreto, tem de se valer do método da medição.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O que temlevantado imensos problemas é a compreensão da ligação do &lt;i&gt;a priori&lt;/i&gt; abstrato da matemática ao concreto dos corpos estendidosno espaço-tempo da experiencialidade. Como é que a matemática configura eabrange os corpos físicos e todas as suas formas numa totalidade abstrata eabrangente? A matematização do mundo pré-matemático é uma coisa no mínimo muitoestranha, na medida em que não é uma cópia indireta de experiências somáticasda fenomenologia do mundo como a cor, o som, a temperatura, o peso, só paramencionar alguns aspetos. A estranheza que se gera resulta do facto de nãosabermos como se passa do “instinto” ao “método”. E na verdade todos nós, nóscientistas passe a expressão, reconhecemos que a matematização do mundo comoidealidade universal precede todas as induções de causalidades singulares, ouseja, a particularização de experiências no mundo circundante da vida de cadaum.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É oentrelaçamento entre as experiências causais pré-matemáticas e a matemática quetorna a objetividade da ciência uma coisa estranha e por conseguinte acolocarmo-nos perante ela com alguma desconfiança. A matemática através dafísica (ciência) veio complicar substancialmente o mundo da vida intuitivamentedado e percecionado, o único mundo efetivamente experienciado na nossa vidaquotidiana. Talvez seja oportuno rever agora os conceitos de perceber epercecionar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Perceber temmais de epistemológico e menos de fenomenológico. E percecionar está emcontraposição simétrica com perceber, sendo mais fenomenologia e menosepistemologia. No entanto, percecionar coisas é algo mais do que ver coisas(abrangendo com o termo “ver” todas as outras vias dos sentidos). É vulgaracontecer a qualquer pessoa ver uma coisa e pensar outra. Isto é, um pessoapode ver uma coisa e percecionar outra. O que o Granjo Marcos viu junto aocarro de bois quando foi visitar o Lavrador não foi uma cobra mas sim uma cordagrossa de prender os bois. Mas o que ele percecionou foi uma cobra. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Há diferençaentre aquilo que se vê e aquilo que se perceciona. Assim, aquilo que seperceciona é aquilo que se conhece. Claro, conhecemos outras coisas sem seratravés da perceção. E as imagens que percecionamos nos sonhos não as vemos,porque não é através dos órgãos dos sentidos da visão que as percecionamos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A imagem queconsigo percecionar neste momento do gato da minha filha, que não está aquineste momento, é uma imagem real mas virtual. E a imagem que tenho da paisagemdo meu sonho de ontem é uma imagem virtual e imaginária, porque essa paisagemnão existe. E a imagem da cobra do Granjo Marcos é também uma imagem virtual eimaginária. A imagem real seria a imagem da corda. É conveniente não fazerconfusão entre “real”, “virtual”, “imaginário” e “material”. Imaginário é, porassim dizer, a contrafação do real. E virtual é a contrafação do que ématerial. Também se pode dizer que o real existe, ou é verdadeiro, e oimaginário não existe, ou é falso. Portanto, as coisas virtuais existem epodemos tê-las como verdadeiras. O virtual é real, mas não é material. Ovirtual é um simulacro real de algo material. Por exemplo, uma imagem numespelho é uma imagem virtual, um simulacro real de algo material.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A fenomenologiada imagem dos sonhos, ou das imagens nos espelhos, é uma fenomenologia que nãopodemos negar, não podemos dizer que não existe. Não é uma fenomenologia falsa.Ao passo que a fenomenologia da cobra em vez da corda já é uma falsafenomenologia. O erro conceptual que é comum cometer-se à margem dafenomenologia das imagens é considerar que só existe o que é material, oufísico. A este erro se chama conceção fisicalista do mundo. É um erroontologizar a fenomenologia. Assim como é também um erro conceptual dizer queé o cérebro que perceciona as imagens dos sonhos. Quem perceciona as imagensdos sonhos é um “Eu” e apenas eu, no sentido de uma primeira pessoa. É umaimpossibilidade a perceção dos sonhos na terceira pessoa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Convém nãoesquecer que há diferença entre “Eu” e o “meu” cérebro. Mereologicamentefalando, o meu cérebro faz parte de mim, na medida em que ele é apenas mais umórgão entre muitos outros que constituem o meu corpo, que quando emfuncionamento em vida é um organismo. Mas não produzimos nenhuma falácia quandodizemos que o cérebro é o órgão que processa o pensamento, ou que em últimaanálise é ele que centraliza a perceção, as emoções e muitas outras coisas. Masé uma falácia dizermos que é o cérebro que deseja ou que assalta o expressoda meia-noite. Quem deseja ou assalta é a criatura viva envolvida em toda adinâmica das suas circunstâncias relacionais que determinam o comportamento davida real.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Voltando agoraao método científico, convém dizer que o que quer que façamos cientificamentenão alteramos a estrutura essencial própria da vida comum, a vida efetivamenteintuível, experienciada e experienciável, na qual tudo se joga. A naturezacientífica é uma natureza idealizada. E todavia, transforma-se em verdadeabsoluta e autónoma da natureza pré-científica. A idealização científica domundo, ou a mente ideal de coisas, é uma construção de identidades relativas. Éuma operatividade mental de objetos ideias que tem suporte no método matemáticoobjetivamente fundado em dados empíricos pré-científicos ou pré-matemáticos.Uma das bases daquilo que é mental, como a matemática, é os objetos seremideais, ou imaginários e não materiais. Aqui está uma das bases do mental. Aoperação mental idealizada assenta nas aparições e nas representações. É nopercecionar que se revelam as aparições. E é no imaginar que se revelam asrepresentações. E é no perceber que está a revelação. Usando a metáfora dafotografia Kodak, só de pois de revelar a película negativa é que se representaa imagem. Mas só depois se percebe quando vemos a fotografia no papel.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A unidade domundo está numa espécie de movimento reivindicado por Heraclito. Sejamos entãoheraclitianos acerca desta matéria para podermos intuir o mundo da nossa vidameramente subjetiva. O tempo mental é diferente do tempo corporal, e não temespaço. O que percecionamos, e aquilo em que acreditamos, é o conteúdointencional do nosso estado psicológico. Todavia, os estados mentais comconteúdo intencional dependem sempre de algo exterior ao cérebro dos agentes.Os conteúdos mentais não são cópias analógicas dos corpos espácio-temporaiscaptados pelos sentidos. E a matematização do mundo espácio-temporal só épossível porque as qualidades efetivamente sensíveis e experienciáveis do mundoestão entrelaçadas com a matemática de forma inextrincável, de uma forma sui generis, de umaforma muito particular.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-975521734087503825?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/975521734087503825/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=975521734087503825&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/975521734087503825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/975521734087503825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/margem-dos-conceitos-de-realidade.html' title='À margem dos conceitos de realidade'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-3996236950079509601</id><published>2012-01-17T13:59:00.002Z</published><updated>2012-01-17T14:11:58.815Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociedade'/><title type='text'>Obscenidade, porém não pornográfica</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-wlynycLEpMo/TxV-gRU00mI/AAAAAAAAB0A/KDbHDhEbF5A/s1600/1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-wlynycLEpMo/TxV-gRU00mI/AAAAAAAAB0A/KDbHDhEbF5A/s320/1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;&lt;i style="line-height: 18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Obsceno é aquilo que é indecente ou ofensivo dopudor. Pode provocar nojo ou vergonha. A pornografia é a explicitação de sexode forma vergonhosa ou ofensiva dos bons costumes. É por isso que se diz que apornografia é obscena.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Ter um guarda-costasque custa seis mil euros por mês, ou ser nomeado para um lugar bem-pago pormero clientelismo político, ou a colocação do emblema da marca Mercedes-Benz na boina do CheGuevara e exibi-la com fins publicitários em cartazes para vender um novoproduto, mesmo que se tenha pedido depois desculpa, é considerado obsceno.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Atravessamos umaépoca em que jornalistas e analistas de renome comentam as não-regras do jogo maisobscenas do capitalismo sem todavia lhes resistirem. Os editoriais continuam aconfessar a sua devoção ao sistema apesar de reconhecerem que esse sistema estámorto e enterrado. São as verdades da cultura cínica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O empresário,dantes chamado industrial, comparece aos diretos, faz as suas consideraçõessobre a realidade capturada por ele de forma coerciva, e como se nada tivesseacontecido regressa à penumbra para continuar tudo como dantes. As maioriaspõem-se de acordo num único compromisso, que é o de manter as meias tintas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Já aqui se disseque o rasto da dissimulação remonta aos tempos pré-humanos. A psicologia doembuste é uma necessidade, ou uma premissa da vida animal para a sobrevivênciadas espécies. O aparelho pulsional do sistema límbico esconde dentro de nós umburlão. O disfarce ou a dissimulação é um dom da natureza. E o cinismo é um domda natureza humana. O próprio Lobo Xavier reconhece isto na Quadratura doCírculo: &lt;i&gt;“Eu ao dizer isto reconheço queestou a ser cínico, mas a verdade nua e crua sempre foi por definição cínica”.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Quem quiserperceber isto, basta assistir às brincadeiras dos infantes através de câmarasocultas. O seu talento lúdico impulsiona-as a experimentar o produto dos seussonhos e da sua imaginação. É daqui que parte o fenómeno estético. O burlão éum verdadeiro artista, inclusivamente imbuído por verdadeiros códigos de ética.Não é por acaso que o encontramos em grandes papeis no cinema, se bem que nadade novo, na medida em que são réplicas ou plágios das peças de Shakespeare. Embom rigor Shakespeare também plagiou Ésquilo, Sófocles e Eurípides. Até Camõesplagiou Virgílio, da Eneida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;São os próprioseducadores a reforçar desde logo o espírito embusteiro das crianças com asfalsas realidades do mundo, ora com açúcar (Pai Natal),ora com vinagre (Jesus aralhar no céu quando troveja). Num clima destes, de simulações e morais duplas,cedo se chega à disposição pré-criminal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Voltando aonevoeiro que paira pela Europa dentro, um nevoeiro psicológico pseudo-realistafeito e resignação, as pessoas estão aturdidas e olham de esguelha uns para osoutros. As “flores do mal” vão germinando um pouco por toda a parte. Agentessecretos, aqui e ali fazem confissões divulgando verdades ocultas sem intençãode magoar. O comum dos mortais, o mais das vezes, não os entende porque não osleva a sério. Acha que não passam de uns vigaristas a viver vidas duplas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;E assim os europeus se resignam, não pedindo impossíveis mas pedindo um emprego para ganhar dinheiro.Não para caçar moscas com açúcar e mosquitos com vinagre. Reconhecem a situaçãoe adaptam-se a ela, camuflando-se. Os espertos vivem dos tolos e os tolos do trabalho.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-3996236950079509601?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/3996236950079509601/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=3996236950079509601&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3996236950079509601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3996236950079509601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/obscenidade-porem-nao-pornografica.html' title='Obscenidade, porém não pornográfica'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-wlynycLEpMo/TxV-gRU00mI/AAAAAAAAB0A/KDbHDhEbF5A/s72-c/1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-3389235021451909235</id><published>2012-01-16T09:45:00.000Z</published><updated>2012-01-16T09:46:05.942Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fenomenologia'/><title type='text'>Espírito europeu</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Há quem penseque a atual crise europeia, que se arrasta já há cerca de um século, é umextravio do racionalismo fixado pelo Iluminismo. Este extravio é identificadocom um certo tipo de ingenuidade, em que, por exemplo, o objetivismo é uma dassuas faces.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Há outros quepensam que o espírito europeu, que é uma herança da velha Grécia desde o tempoda Renascença, foi extraviado por via do Idealismo Alemão, embora façam questãode fazer justiça a Kant, que se empenhou fervorosamente em superar o objetivismomesmo sem o ter conseguido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A conceção doespírito científico como objetividade do mundo por parte de representações deum espectador inocente e descomprometido redundou ela mesma numa redondaingenuidade. É uma grande ingenuidade pensar na objetividade como um objetocomo representação do mundo. Ora, essas representações do mundo variam conformesão pontos de vista de subjetividades individuais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Em todo o caso,o dado espácio-temporal tem duas naturezas: corpórea e espiritual. O espectadornão inocente, ou seja, ativo, apercebe-se como realidade corporal inserida numa&lt;i&gt;espaciotemporalidade &lt;/i&gt;universal. Hámuita coisa real no espaço que só adquire significado para o ser humano comopessoa depois de entrar no corpo da pessoa como &lt;i&gt;experienciador &lt;/i&gt;humano. Esta é a realidade, uma realidade movimentadade forma comunicativa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A corporalidaderevestida de animalidade (no sentido de anímico), princípio da vida e dopensamento, dissolve-se nos indivíduos singulares enquanto objetospsicossomáticos. Através da circularidade psicossomática estabelece-se umacontinuidade num certo espaço temporal a que chamamos espírito europeu, atravésda experiência comunicativa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Como é que oespírito europeu lida coma sua própria esquizofrenia? Como é que a subjetividadese objetiva? Deixa-se sempre algo de fora. Portanto, ele só se podeautocompreender se fizer perguntas ao outro, que está fora dos limites da suasubjetividade. Ou então, só se pode autocompreender se conseguir realizar ummétodo de captação fenomenológica que supere o chamado objetivismo fisicalistaao ponto de ser o executor de todas as validações possíveis. A este método EdmundHusserl chamou-lhe, por palavras minhas, &lt;i&gt;atitudede atenção e consciencialização do espírito transcendental.&lt;/i&gt; Nesta atitude,enquanto realização espiritual, ficamos cientes de que o &lt;i&gt;eu&lt;/i&gt; já não é mais uma coisa isolada num mundo &lt;i&gt;pré-dado&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-3389235021451909235?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/3389235021451909235/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=3389235021451909235&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3389235021451909235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3389235021451909235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/espirito-europeu.html' title='Espírito europeu'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-3380721301517290282</id><published>2012-01-13T14:17:00.002Z</published><updated>2012-01-13T14:23:01.330Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>Cultivar hortas em baldios</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 19pt;"&gt;O que sucederiase agora fôssemos voltar a ser donos do nosso produzir, cultivando hortas embaldios com a finalidade de reapropriação coletiva dos recursos naturais tendoem vista proteger o ambiente e acabar com a pobreza no mundo? Poucos teriamdúvidas em afirmar que seria o golpe de misericórdia para o desastre ecológicoque vem a caminho. Será? Todavia os baldios são um &lt;/span&gt;&lt;i style="line-height: 19pt;"&gt;tertius genus&lt;/i&gt;&lt;span style="line-height: 19pt;"&gt; de propriedade, na medida em que são coletivos, mas nãosão inteiramente públicos. E também não são inteiramente privados.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Segundo &lt;i&gt;Garrett Hardin&lt;/i&gt; (1968), a partilha daexploração dos recursos pelas comunidades leva inevitavelmente à suadestruição. A tese é a seguinte: Se eu arranjar uma vaca e a colocar a pastarnum relvado baldio, e mais alguns vizinhos da comunidade fizerem o mesmo, oscustos tocam a todos, igualmente distribuídos por todos, mas os lucros que cadaum obtém, por exemplo, com a venda do leite ao resto da comunidade, reverteminteiramente a título individual. Então, se eu arranjar mais uma vaca, e depoismais outra, e as colocar no mesmo sítio, mais ganho. Quantas mais vacas eu tiver,mais eu beneficio. &lt;i&gt;Hardin&lt;/i&gt; diz que,assim, rapidamente se esgotará o alimento, acabando a mama para todos. Estaforma de explorar a terra conduz fatalmente à catástrofe. Mas a sua teoriacontém uma falácia.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 19pt;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A falácia da teoria de &lt;i&gt;Hardin&lt;/i&gt; é não condizer com a realidade.Organizações comunitárias de agricultores sempre existiram na Europa e aindaexistem hoje em várias partes do mundo, e isso nunca aconteceu. Então o que éque acontece num baldio real? Aquilo que se pode designar por bom sensoespontâneo das comunidades que se auto-organizam. Isto tem a ver com a ideia dejustiça, que contraria a outra ideia da vontade de maximizar ganhos. A teoria de&lt;i&gt;Hardin &lt;/i&gt;assenta numa ideia que é filhada ideia de privatização do mundo, através da qual o ser humano se egocentriza,formando agregados de indivíduos interesseiros e sociedades anódinas. Esse é omodelo comportamental de agricultores a operar numa sociedade com economiacapitalista. E isto é assim porque este tipo de sociedades é exclusivamentemotivada pelo lucro. E o lucro, com o seu excesso de exploração dos recursosque são finitos, é que leva à catástrofe. E assim é, porque o motor daexploração capitalista está nos benefícios que revertem a título privado comesse tipo de exploração.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 19pt;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Portanto, a falácia estácontaminada pelo dito paradigma capitalista. Na exploração dos baldios a títuloespontâneo as pessoas não têm tempo para despertar o seu egoísmo latente emregime de exclusividade. No regime dos baldios estabelece-se um ciclo virtuosoentre o egoísmo e o altruísmo, em que são estas tendências que se vigiammutuamente. O capitalismo quebrou este ciclo. E na prática o socialismo falhouporque se tratou de uma enxertia no cavalo capitalista. Ou seja, o comunismonão foi mais do que um filho do capitalismo. É isto que os manda-chuva chinesesatuais evidenciam com o seu Capitalismo de Estado Comunista. Os atuais membrosda camarilha do poder na China são os mais portentosos capitalistas do mundo.Foram eles que compraram a maior fatia da Energia De Portugal, a fatia dedragão, em nome do Estado Chinês. Claro está, como “Estado” é uma conceçãoabstrata, materialmente, corporalmente falando, são eles os verdadeiros donos,ou seja, praticam uma forma de privatização por outros meios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-3380721301517290282?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/3380721301517290282/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=3380721301517290282&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3380721301517290282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3380721301517290282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/cultivar-hortas-em-baldios.html' title='Cultivar hortas em baldios'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-1911595505734116541</id><published>2012-01-12T08:14:00.001Z</published><updated>2012-01-12T08:36:16.107Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Medicina'/><title type='text'>A espiritualidade de regresso à medicina</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Sou dos quepensam que o adoecimento das sociedades civilizadas do Ocidente ainda comportauma parte do padrão que obedece a uma dimensão espiritual, ou religiosa, impregnadapela cultura ao longo dos tempos desde os seus primórdios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É claro que omovimento de secularização da modernidade e do iluminismo, que se verificou nopoder e na ciência nos países ocidentais, teve um papel decisivo na forma comoa medicina é praticada nos dias de hoje. Em todo o caso não deixa de sercurioso verificar-se que a separação do sagrado da esfera profana já estáinscrita na matriz do cristianismo desde a sua génese. Portanto, o que nosimporta refletir agora é o facto de a separação entre o domínio espiritual etemporal não se ter restringido apenas à esfera da política. A ideia delaicidade da ciência é ela mesma uma ideia tributária de categorias cristãs –neutralidade, independência, imparcialidade, transparência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&lt;br /&gt;Noutros artigos já publicados aqui foram referidos estudos epesquisas científicas cada vez mais aturados sobre a relação da doença com a espiritualidade.Um dos últimos debruçou-se sobre o assunto da mediunidade. &lt;/span&gt;Não faltam agora trabalhosclínicos a demonstrar efeitos positivos da espiritualidade em saúde. Leiam-se,por exemplo, artigos de Koenig, da Universidade de Duke, ou de Benson e Marg daUniversidade de Harvard, ou de Astin, da Universidade de Stanford, ou de LotufoNeto, do Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos do Institutode Psiquiatria da Universidade de São Paulo. Na Europa, The Spirituality andPsychiatry Special Interest Group, do Royal College of Psychiatrists, dedica-sea pesquisas sobre as interferências espirituais na saúde mental. Estestrabalhos clínicos são um contraponto ao que mais abundantemente se tempublicado, e há mais tempo, acerca dos malefícios para a saúde mental da religiosidadelevada ao extremo do fundamentalismo. O fanatismo e a interpretação distorcidade preceitos religiosos tanto pode levar à violência por intolerância, como àdiminuição da auto-estima por efeito da culpa, ou medo da punição, que muitasvezes culmina em suicídio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;As pesquisascientíficas na área da medicina que associam a espiritualidade deparam-se comalgumas dificuldades. O primeiro desafio que os cientistas têm pela frente é opreconceito corporativo e institucional dos cientistas em relação a estesassuntos. O segundo é de ordem conceptual. Não há uma língua franca em ciênciapara questões de ordem espiritual e para termos como alma e espírito. Em bomrigor também não há para corpo, quando se fala do problema corpo/mente. Este éum grande problema. Para uns, a mente é o cérebro. Para outros, a mente é ocorpo em relação, ou em ação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Alguns filósofosamericanos, produtores de pensamento na segunda metade do século XX, têmapresentado argumentos, com a chancela de “lógicos”, acerca da racionalidade daexistência de um “Outro”, um Ser sobrenatural e omnipotente que sabe tudo o quese passa nas nossas mentes, pela mesma razão da existência de outras menteshumanas para além da nossa sem que se possa ter qualquer prova disso. É estetipo de acrobacia teológica do raciocínio que deixa estupefactos outros colegasfilósofos da mesma craveira intelectual. Filosoficamente tem sido aceite comoindisputável o raciocínio lógico que diz que nunca se poderá provar aexistência de outras mentes humanas. Daí o termo “teoria da mente”. Este termo éprecisamente usado para a explicação do porquê de humanos adivinharem asintenções de outros humanos sem que o tenham de explicitar linguisticamente. Éapenas uma teoria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim,dizer que as outras mentes humanas e a mente de um Ser que tudo sabe e tudo vêestão no mesmo barco epistemológico é ir longe demais no entorse ao raciocíniológico. Isto parece uma forma de ofuscar a questão intelectual da razoabilidadede certas crenças que, pese embora serem afetivamente irresistíveis, não fazemqualquer sentido lógico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, amedicina falhará na sua missão de curar e consolar se negligenciar os aspetosreligiosos e espirituais inerentes ao processo de adoecer e de morrer. Devemoster grande humildade para saber lidar cuidadosamente com estes aspetossubjetivos. A espiritualidade está ao mesmo nível de outras subjetividades,como a ansiedade ou a angústia, a depressão ou o desespero.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Para todos osefeitos, a ilusão básica do espiritual e de um ser espiritual, ou agentesobrenatural, que nos criou intencionalmente como indivíduos, que “quer” quenos comportemos de determinada maneira, que tem conhecimento dos nossos atos epensamentos e com o qual nos encontraremos depois de morrermos, é bastanteconvincente para a maior parte das pessoas. Esta natureza do espiritualtranscende qualquer credo religioso institucional adquirido pela via dacultura. As religiões são flexíveis, adaptando-se às condições sociais específicas,independentemente do local onde surjam. A concretização de um determinadoconteúdo de crença é que é impulsionado por algo mais perene e que se designapor espiritualidade humana. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A dimensãoespiritual foi, e será, útil para a nossa sobrevivência e continuidade. E essaé razão suficiente para que a natureza a mantenha bem viva nos cérebroshumanos. A adaptação funciona bastante bem. Esta asserção, independentemente defazer parte de uma teoria, ou não, não precisa de estar vinculada à convicçãode seja quem for para ser validada. A avaliação de uma asserção não pode estarà mercê das oscilações temporais de cada um. A pessoa que esteve lúcida duranteum período de tempo, pode estar mais caótica e perturbada noutro. Assim, umateoria se tiver razão sustenta-se independente de quem a defenda. Não é por umfulano muito respeitável a defender que lhe vai dar sustentabilidade. Da mesmamaneira, não é pelo facto de um ateu num momento difícil procurar Deus que sevai demonstrar que Deus existe. Nem é pelo facto de vermos um ateu ser ateu atéao último momento antes da morte que vamos afinal confirmar que Deus nãoexiste.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Em momentos dedesespero, até o mais sólido ateu pode dar consigo a apelar a Deus para osalvar. Os ateus são seres humanos como os outros. Independentemente dequalquer vontade contextual, o nosso cérebro funciona como tem de funcionar enós não temos grande poder sobre isso. Se tiver de ter Alzheimer teráAlzheimer. Nós não temos qualquer força ao dizer: “não quero ter Alzheimer”. Ecom os outros fenómenos é quase a mesma coisa. É uma patetice aquilo que certoscéticos dizem quando fazem questão de demonstrar a sua imunidade ao pensamentoirracional, ou então, ao pensamento de fundamento religioso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Filosoficamentefalando, o ateísmo entrincheirado na sua frente fervorosa &lt;i&gt;a la Dawkins&lt;/i&gt; não serve para nada. Não tem sentido batalhar para quea natureza humana algum dia se cure de Deus através do raciocínio científico.Enquanto forma de pensar, Deus faz parte inerente dos sistemas cognitivosnaturais da espécie humana. Deus só é libertado da existência, ou através deuma operação ao cérebro, ou através de mais uma bifurcação evolutiva em que aespécie humana evolua para outra espécie que perca essas característicascerebrais. Deus existe desde a época em que começou a ser pensado. Claro queninguém sabe quando começou. Uns apontam há 150.000 anos. Outros são maismodestos estimando há 40.000 anos. Outros não arriscam datas mas fazemcoincidir isso com o aparecimento da linguagem, quando começamos a serintriguistas. Está bem fundamentado cientificamente o desaparecimento um dia daespécie humana, tal como outras espécies já desapareceram. Todavia, não se sabequando nem como. E nessa altura é também provável que a crença em Deus nãoacompanhe a evolução no corpo de outras espécies vindouras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Já acreditei emDeus. Agora não acredito. Acho que não mando nisso, da mesma maneira em que nãomando no meu Alzheimer. Até é possível que um dia volte a acreditar, nunca sesabe. São apenas fenómenos individuais e contextuais. Posições individuaisnesta matéria valem o que valem, o que é o mesmo que dizer que não valem nada.Independentemente disso, acredito que se extirparmos a espiritualidade daspessoas, a humanidade perderá com isso no seu conjunto. Não tanto em relação àsconfissões concretas, mas em relação à ideia de Deus. Não tenho dúvidas queseria bem pior para o ser humano, tal como o conhecemos, se não tivesse a ideiade Deus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É provável que aideia de Deus sobreviva enquanto a teoria da mente se mantiver como parte daestrutura cognitiva humana com fins adaptativos. Mais tarde ou mais cedo vamostodos desta para melhor. O que importa é que possamos viver em harmonia uns com os outros, de uns para os outros, aqui e agora, antes que seja tarde. Partilho então estes momentos dereflexão com os outros que o queiram fazer. E se não quiserem, tudo bem àmesma. É uma questão de se aproveitar uma oportunidade. Ou não.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-1911595505734116541?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/1911595505734116541/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=1911595505734116541&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/1911595505734116541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/1911595505734116541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/espiritualidade-de-regresso-medicina.html' title='A espiritualidade de regresso à medicina'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-1423047043513965960</id><published>2012-01-11T12:02:00.003Z</published><updated>2012-01-11T13:13:45.550Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>A questão da origem e verdade da mediunidade</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os médiuns dizem que comunicam com o espírito dos mortos, eque as perceções mediúnicas são um facto verdadeiro independente de qualquercredo religioso. Enquanto os médiuns explicam o que se está a passar numa sala,acompanhados pela jornalista e dois filhos da falecida, e os operadores decâmara, dizem: “a falecida está aqui junto de nós, e faz questão de dizer aosfilhos que está em paz”. Mas cá para mim, aposto que o cenário de os mortoscomunicarem com os médiuns e o seu espírito pairar pela sala é umaimpossibilidade. Eu tenho uma explicação: As pessoas não ocupam corpos, são oscorpos e nada mais. Algo se passa de facto, mas os médiuns têm uma má teoriapara interpretar o que se passa nas suas cabeças.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&lt;br /&gt;Isto vem a propósito de um programa de televisão, maisconcretamente o programa “Até à Verdade” da SIC, apresentado por Rita FerroRodrigues, e que estreou na noite do passado sábado, dia 7 de Janeiro de 2012.É um programa com todos os ingredientes para levantar polémica, na medida emque &lt;/span&gt;investiga crimes mediáticos com a ajuda de dois médiuns. Os dois médiunstentam dar resposta contando como tudo se passou, depois de terem conversadocom os mortos. Contam tudo o que os mortos lhes quiserem contar. Há mortos queaparecem mas fecham-se em copas, não querem falar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É de admitir que aquantidade de coisas que eles afirmam não seja produto da sua imaginação, nemdo seu conhecimento prévio fazendo batota. Tanto mais que há muita coincidênciacom factos que pouca gente sabe, mas que correspondem a acontecimentos que algumaspessoas que estão vivas, de uma forma direta ou indireta, de uma formaconsciente ou inconsciente, registaram na sua memória. Portanto, deve estarcerto quando se diz que a comunicação mediúnica se faz com uma fonte externa. Afonte externa são as pessoas mais ou menos referenciadas. O que se deve passaré a comunicação do seu cérebro com o cérebro das pessoas presentes, ou dealgumas pessoas mesmo que não presentes tenham estado envolvidas na memorizaçãode certos factos. O que pode acontecer é a captação de memórias por parte dosmédiuns. E isto consegue-se através de faculdades do tipo telepático ehipnótico. Os médiuns podem captar o que se passa na mente dos seusinterlocutores, ou de pessoas relativamente próximas. Uma coisa parece certa:não é preciso que a mente dos médiuns se enquadre nos padrões de tipopsicótico. De resto, a fenomenologia da experiência mediúnica atravessa osséculos com as mais diversas formas – a Pitonisa do Oráculo de Delfos, o Moisésdo Monte Sinai, o Maomé da cúpula do Rochedo, o Francisco de Assis, o João daCruz, a Teresa de Ávila, e por aí fora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando ospsiquiatras são chamados a se pronunciar sobre o diagnóstico clínico de umavivência religiosa: psicopatologia dissociativa ou psicose? E a maior pare dasvezes a conclusão é não se tratar nem de uma coisa nem de outra. A mente, como umaunidade de consciência, é composta de um sistema integrado de vários módulos emconstante interação. Por exemplo, na psicopatologia dissociativa estes módulosperdem a sua conexão e podem funcionar cada um para seu lado. Mas recentementedescobriu-se que há situações de dissociação cerebral com efeitos benéficospara o indivíduo. Ora, a experiência dos médiuns e outras vivências paranormaisnão menos controversas estão catalogadas no grupo dos fenómenos dissociativos.Os médiuns referem ter a sensação de pensamentos e sentimentos não-self.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Todos os fenómenos queocorrem na natureza devem ser investigados com as melhores ferramentascientíficas mais adequadas até ao momento para o estudo da mente. E é isso quecertos investigadores (neurologistas, psiquiatras, psicólogos e filósofos), sempreconceitos, têm vindo a fazer com algum resultado positivo. É claro que osestudos mais divulgados ainda se têm limitado a contextos institucionais deinternamento. Falta ainda dar o salto para a comunidade em meio externo. Háestudos efetuados em certas unidades de internamento de doentes portadores dedeficiências mentais, usando o método da reunião mediúnica, com resultadospositivos para as pessoas que nela participaram. Os investigadores acreditamque a prática da comunicação mediúnica oferece uma oportunidade de comunicaçãopara uma população que é incapaz de se comunicar pelas vias convencionais. Istovem na linha de outros estudos em que o incentivo de práticas religiosas tembeneficiado certas pessoas com doenças graves e convictas do poder da fé noprocesso de cura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Pego num exemplo daliteratura médica psiquiátrica para ilustrar o que acabou de ser dito.Descreve-se o estudo através do método de reuniões de comunicação mediúnica emgrupo numa instituição de internamento de doentes com deficiência mental.Reúnem-se em grupo, não mais do que 12 pessoas, metade são médiuns e osrestantes podem ser os especialistas que dirigem e orientam o estudo, mas nãoos que avaliam os resultados para evitar vieses. Iniciam a cessão com um ritual,à semelhança do que se passa em muitos outros cenários de mediação psicológica,que tem como finalidade a harmonização dos participantes. Em seguida, osmédiuns ficam recetivos à comunicação mediúnica, esperando que ocorra de modoespontâneo. Os pacientes comunicantes estão internados na instituição mas nãoparticipam na reunião. A sua identificação nem sempre é possível. Estabelece-seuma conversa com o médium, a qual tem como finalidade ajudar o comunicante asuperar a condição aflitiva em que se encontra. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O que é curioso nestadescrição é o facto de os especialistas afirmarem que os sujeitos comunicantes,para além de não estarem fisicamente presentes, normalmente não têm consciênciado que se passa. Isto passa-se ao nível da esfera do inconsciente. Por isso, ospacientes nem sequer têm conhecimento de que participam neste tipo decomunicação. Os avaliadores dos resultados dos casos destacomunidade de doentes, ao partirem para o terreno, desconhecem quais foram oscasos que entraram na experiência mediúnica. O que eles vão certificar é asdiferenças nas pessoas avaliadas entre o antes e o depois destas experiências. Trata-seassim de um estudo duplamente cego. Nem o doente nem o especialista sabem quementrou no processo. E mesmo os especialistas e os médiuns que trabalharam ascessões, não conseguem identificar todos os casos. Na comunicação mediúnica, hásujeitos que se identificam pelo nome, mas outros não. Há casos em que épossível identifica-los pelo quadro clínico, mas nem sempre. Há outros casosmais difíceis de identificar dado a comunicação se ter ficado apenas por "diálogos" de carácter muito genérico. Daí o facto de muitas vezes asexperiências serem muito inconclusivas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É claro que os médiuns têm de se enquadrarnuma qualquer teoria ou corrente religiosa, para dirimir conflitos quenaturalmente se geram ao nível da dimensão existencial dos próprios, e assimpreservarem o seu equilíbrio e uma mente minimamente saudável, não psicótica. Portanto,a grande maioria dos médiuns seguem a doutrina espírita codificada por AllanKardek. Ora, um dos pilares básicos desta doutrina é a crença de que podem serevocados os espíritos dos mortos. E, em minha opinião, é este um dos grandesequívocos que continua a persistir neste tipo de teorias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Agora, como área deestudo, estas práticas devem ser preservadas com uma certa dignidade intelectual,o que nem sempre acontece, dado que constituem uma fonte importante de estudopara o avanço da compreensão do funcionamento da mente humana. Não devemosapoiar, nem de um lado o ceticismo primário, nem do outro a credulidadeingénua. Deve isolar-se a experiência fenomenológica de qualquer conotaçãointerpretativa ou causal. Portanto, uma postura de humildade intelectual neutraé essencial. As experiências dissociativas espontâneas na vida comum dodia-a-dia, sem estarem ligadas a qualquer quadro patológico, nem a qualquercontexto enquadrado em práticas de cariz religioso, não são assim tão rarascomo as pessoas julgam. A título de exemplo, leia-se o &lt;i&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Manual do AprendizFranco Maçom – Introdução ao Estudo da Ordem e da Doutrina Maçónica,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;,largamente difundido pela Internet e editado pela Sociedade das CiênciasAntigas em &lt;i&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;eBooksBrasil.com&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. Na altura em que este texto está a ser publicadotem estado novamente acesa a discussão à volta das lojas maçónicas, que nãopelas melhores razões. Não se lê outra coisa nos blogues ditos de referência,nos jornais ditos de referência e nos debates televisivos de horário nobre, considerações acerca dos malefícios de organizações secretas, como é o caso da Maçonaria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-1423047043513965960?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/1423047043513965960/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=1423047043513965960&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/1423047043513965960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/1423047043513965960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/questao-da-origem-e-verdade-da.html' title='A questão da origem e verdade da mediunidade'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-7752586268019115312</id><published>2012-01-09T10:36:00.003Z</published><updated>2012-01-09T10:48:45.911Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência cognitiva'/><title type='text'>Da teoria do conhecimento: conhecer para viver</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Para conhecer oestado de coisas no mundo não basta a transmissão de informação pelos canaissensoriais. É preciso que a informação seja compreendida e interpretada. E parahaver compreensão tem de haver significado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Para que se dê acompreensão a informação tem de ser incorporada num corpo já possuidor de umcerto estado informacional codificado na forma de uma densa rede de estruturasquímicas. Por conseguinte, para haver conhecimento e entendimento tem de haverum qualquer arranjo funcional de um corpo vivo em articulação com o mundoenvolvente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Para conhecer oestado de coisas no mundo não basta o estímulo de órgãos sensoriais específicosa partir dessas coisas, tal como elas existem no mundo. É preciso que essesestímulos se arranjem nos circuitos neuronais do cérebro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Para que existaconhecimento é preciso que haja fenomenologia para além do corpo físico. Estafenomenologia é relacional. É preciso que haja conceitos. É precisointencionalidade para que haja interpretação da informação, ou seja, é precisoque as coisas sejam revestidas de significado. E as coisas só se revestem designificado depois de terem sido incorporadas e vivenciadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Conhecer éconstruir esquemas e sistemas categoriais a partir de um pano de fundo biológicoinato. O sentido da realidade é dado através de conceitos representados deforma linguística. Através de um sistema categorial é construída uma escala devalores na qual é inserida a qualidade do mundo através da experiência. Aqualidade do mundo resulta do contacto do conhecedor com os objetos que omobilam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;A realidade domundo é uma questão simultaneamente ontológica e epistemológica. Mas a verdadeé mais uma dependência do conhecimento do que da realidade ontológica do mundo.A qualificação de verdadeiro ou falso é uma qualificação do conhecimento acercada realidade do mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Para haverconhecimento tem de haver uma relação. Esta relação pressupõe ação. Para dizerestas coisas tem-se sempre de partir de uma base categorial qualquer. Éimpossível dizer seja o que for não se partindo de lado nenhum. Por exemplo,para falar acerca do conhecer podemos adotar as categorias aristotélicas desubstância, qualidade e relação. Portanto, o conhecimento envolve a substânciado mundo, a relação entre substâncias (conhecedor [mundo interno] e mundo externo), e aqualificação fenoménica da relação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Conhecer éinteratuar com o mundo. Cérebro e mundo através das várias interfaces do corpo.O cérebro é uma substância indispensável ao conhecer. É da dinâmica relacionalentre cérebro e mundo que se dá o conhecer. Um dos mecanismos através do qual océrebro conhece, é o mecanismo da matemática. A matemática é uma forma organizacionaldo cérebro, a qual está na base de reconhecimento de padrões. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Um outo padrãocerebral do cérebro para o conhecimento é a mente religiosa. Religião nosentido de religação. No sentido evolutivo da espécie humana a organização religiosado cérebro humano teve um carácter de imperativo adaptativo. O padrão irreligiosodo cérebro é um padrão que se estabeleceu mais tardiamente no processoevolutivo. O ateísmo é um apelo de uma mente hiper-racional. Este, é menosrazoável e menos intuitivo do que o padrão religioso convencional, na medida emque este foi consolidado ao longo de muito mais tempo. Depende de uma estruturapaleomórfica vinculada ao sistema límbico, que continua a operar ocultamente nonosso cérebro, identificada na linguagem freudiana por &lt;i&gt;id &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;inconsciente&lt;/i&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Houve um tempo,mais ou menos há 4 milhões de anos, quando se deu a bifurcação entre a nossaespécie e a dos chimpanzés, em que os nossos antepassados eram desprovidos deemoções sociais complexas, como por exemplo a vergonha e o orgulho. Só depoisde adquirirmos estas emoções é que começamos a ter capacidade para julgar osoutros. É a esta capacidade que os psicólogos chamam &lt;i&gt;teoria da mente&lt;/i&gt;. Sem a existência de uma teoria da mente, coisa queos chimpanzés não têm, não era possível a existência de sentido crítico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Importamo-nosmuito com aquilo que os outros pensam de nós. E há pessoas que se importammesmo muito, mais do que elas desejariam, uma vez que a vergonha relacionadacom a putativa avaliação social negativa feita pelos outros pode ser um forte indutor de suicídio. Com efeito, surgiu a necessidade de despertarmosnos outros uma boa impressão acerca de nós. E isto foi conseguido com uma outraemoção: a vaidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-7752586268019115312?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/7752586268019115312/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=7752586268019115312&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7752586268019115312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7752586268019115312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/da-teoria-do-conhecimento-conhecer-para.html' title='Da teoria do conhecimento: conhecer para viver'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-3404618840312268995</id><published>2012-01-06T13:42:00.000Z</published><updated>2012-01-06T21:08:33.241Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia'/><title type='text'>Quem é capaz de entender a complexidade?</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;i&gt;“Ouvistes quefoi dito: ‘Não cometerás adultério’. Eu, porém, vos digo: todo aquele que olharpara uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seucoração” &lt;/i&gt;Mateus 5: 27, 28.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;As pessoas sabemque o mais natural deste mundo é adoecermos, e apesar de não ser tão natural aspontes caírem, não andam por aí pontes a cair aos pontapés, sabem por que é queas pontes caem. Para a maioria das pessoas, em qualquer sociedade humana, astragédias incontroláveis são vistas como sendo causadas intencionalmente por umagente sobrenatural inteligente. E é por saber isso que a bruxa Maya tiraproveito da sua esperteza. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Para uma boaparte das pessoas do planeta Terra esse “agente” é Deus. Os budistas são umtipo de ser humano que não acredita em Deus. Mas acreditam que quem se portarmal pode reencarnar, numa vida futura, num escaravelho ou num rato dos esgotos.As pessoas não resistem à tentação de pensar que os infortúnios têm a ver comalgo de errado ou de perverso que fazemos, ou, mesmo, pensamos. Raciocinardessa forma supersticiosa e possuir ao mesmo tempo uma boa formação científicasão coisas que não se autoexcluem com aquela facilidade como muitos ingénuos,ou iletrados em Psicologia, pensam. O fenómeno da dissociação da consciência éum dos aspetos da moralidade. Quando não há um castigo, as pessoas nãoconseguem resistir àquele tipo de pensamento que lhes faz crer que algo demuito errado no mundo da moral se deve estar a passar. As pessoas foramformatadas geneticamente para serem orientadas pela expectativa de um mundosempre justo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me,quando tinha 13 anos, de estar com toda a rapaziada do Externato, na sacristiada Igreja Matriz, para o confesso da desobriga pascal. Era obrigatório, todostínhamos que ir. Numa quarta-feira-santa à tarde, quatro padres aviavam 80rapazes, que no dia seguinte, vestidos de Mocidade Portuguesa iam, comgalhardia, comungar. Um dos pecados que era comum a todos era o da masturbação.Hoje, a masturbação não é exatamente pecado, mas naquela altura era. Depois determos lançado as sortes para obtermos o padre que nos era mais simpático,ajoelhávamo-nos no soalho, e embrulhávamos numas palavras comidas, entrecortadaspor saliva, aquela frase: “de vez em quando toco umas punhetitas”. Nós bemsabíamos que aquilo não podia ser nenhum crime, e todavia… todos osmasturbadores confessos, declaradamente entre colegas, manifestavam o receio deo castigo poder repercutir-se em doença ou na perda da inteligência. Um dosmaiores complexos nas idades dos &lt;i&gt;“teens”&lt;/i&gt;é ser tido, ou passar, por burro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Os psicólogos,sobretudo os narrativistas, acreditam que as histórias de vida carregadas dedramatismo permitem vislumbrar aspetos universais da psicologia humana que nãosão facilmente observáveis em contexto laboratorial ou experimental. Estespsicólogos que estudam a personalidade baseada em narrativas de vida dizem quea memória autobiográfica é estranhamente criativa. As histórias de vidabaseiam-se em factos biográficos mas vão bastante além dos factos reais à medida queas pessoas selecionam aspetos da sua experiência. As pessoas criam de forma imaginativatanto o passado como o futuro, de modo a darem um determinado sentido à vida tantopara eles como para quem os ouça. Acrescentos aqui, cortes ali, é construídauma vida com mais ou menos significado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Nas narrativasde vida, a maior parte das pessoas tende a menorizar o passado, apesar de evitardenegrir seja quem for. Despropositadamente o passado tende a ser apenasinfantil. A idade presente é sempre a idade do sábio, pois a vida progride sempre emdireção linear rumo à sabedoria. Mas isto pode ser especialmente frustrantequando nos vemos encurralados nas garras de um profundo sofrimento. O quedevemos pensar é que é o acaso que comanda as nossas vidas. A nossa vida é umconjunto de acontecimentos fortuitos, acidentais, onde não tem lugar qualquerprincípio de justiça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-3404618840312268995?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/3404618840312268995/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=3404618840312268995&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3404618840312268995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3404618840312268995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/quem-e-capaz-de-entender-complexidade.html' title='Quem é capaz de entender a complexidade?'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-4246120811600792820</id><published>2012-01-05T15:54:00.003Z</published><updated>2012-01-05T16:18:07.077Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociedade'/><title type='text'>Das próteses e outros manuais para manetas</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Já chegou aPortugal a decisão de avançar com a remoção dos implantes mamários de siliconedo fabricante &lt;i&gt;Poly Implant Prothese(PIP).&lt;/i&gt;&amp;nbsp;Os Hospitais da Universidadede Coimbra vão remover os implantes mamários franceses. A Direção Geral da Saúdepondera fazer uma recomendação para a retirada das próteses com siliconeindustrial. Vivemos tempos interessantes quando é a filosofia dos engenheirosque marca o compasso ao ritmo febril do desconforto mamário. Nesta relação profundada técnica com o &lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;i&gt;ser&lt;/i&gt; &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;(humano)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; é tempo de interrogar com violência a &lt;i&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;natureza&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; paraaprender a canalizar novas energias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Ainda me lembrodo maneta nas feiras da minha terra a tocar gaita-de-foles. Este maneta estavaem sintonia com a sua época e por isso sabia adaptar-se a todas as situações.Para todos os efeitos o maneta da gaita-de-foles tinha um trabalho. Era notempo do Serviço Médico à Periferia, o tempo do Serviço de TrabalhoObrigatório. Os manetas eram os aristocratas dos combatentes sinceros e heroicos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Agora, em tempode Zaratustra voltar a falar, já não é tempo de Serviço Médico à Periferia, étempo de enviar os estudantes de Ciências Económicas por quatro semanas para amina, a fim de que o trabalho nos poços lhes desenvolva as capacidades de ummineiro aceitável. O intelectual sabe muito pouco sobre os homens que escavam osolo firme a grande profundidade. Na existência quotidiana do pequeno “logista”temos o refinado e calculista burguês, que nega tudo até ser confrontado com aevidência dos factos. Perante a perna da evidência, tem de engolir as outras duas pernas dotripé da verdade, ou seja, a perna do valor e a perna da convenção. É a filosofia de engenheiro,do “penso” rápido. É o que Daniel Kahneman explica no seu último livro –&lt;i&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Thinking, Fast and Slow.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Com umaseriedade mortal, médicos protéticos dirigem-se aos amputados com um humorferoz, proclamando: "manetas, mancos e portadores de próteses, podem continuar a luta daindústria da técnica clínica !". O alegre cinismo da medicina protésica não incideapenas nos casos especiais. As próteses médicas e a mentalidade &lt;i&gt;robot&lt;/i&gt; apenasrefletem a filosofia do engenheiro com a sua técnica provocadora contra o velhohumanismo. A sua ligação com a técnica tornou-se uma ligação obsessiva. Quanto mais o pensamento é pensamento de engenheiro, mais o cérebro de menino se aprovisiona de ideias protéticas. Com mamas de silicone ligeiro, elegantes e de fácilapalpação, de fabrico francês, o pensamento segue em frente, rápido, mesmo acochear. A filosofia de engenheiro é filosofia de personalidade sem alma, mas muito ao gosto do espírito daépoca. Não faz mal, temos em stock uma nova prótese para si, se não gostar daque tem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Como veemsenhoras, todos estes médicos cirurgiões engenheiros, fabricantes, autoridadessanitárias e responsáveis políticos, em caso de qualquer fiasco, todos eles seesforçam igualmente por colocar a sua sapiência ao serviço do maneta paragrandeza da pátria. Para quem se esforça assim pelo bem-estar dos outros e dasoutras podemos nós estar descansados com o destino das nossas contribuições.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Assim espero tercontribuído com este texto subversivo e anticapitalista para melhor nosautoconhecermos, nesta embriaguez da recauchutagem do &lt;i&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;ser (humano)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. Espero que a leituratambém seja subversiva contra o &lt;i&gt;homo protheticus&lt;/i&gt;,o assaltante e explorador de senhoras com decote elegante. A ideologia do &lt;i&gt;fitness&lt;/i&gt; é hoje tão atual como outrora,em que a ética do ter esmaga sempre a ética do ser. O filósofo engenheiro joga com aspalavras, é oportunista e inconsistente. Se bem que cínico mole, e simpático.Utiliza a retórica como armadilha, a simpatia como isco e o segredo como êxitodos instintos cúmplices da técnica e da indústria. Sem a camaradagem da máquinaninguém poderia viver hoje. Com esta moleza de silicone há senhoras que ambicionamum dia fazer tombar cavalheiros de aço. Tudo o que for mole e líquido será bom.O que temos a fazer? Desaparecer.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-4246120811600792820?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/4246120811600792820/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=4246120811600792820&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/4246120811600792820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/4246120811600792820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/das-proteses-e-outros-manuais-para.html' title='Das próteses e outros manuais para manetas'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-8206645697608058470</id><published>2012-01-04T17:30:00.000Z</published><updated>2012-01-04T17:31:21.036Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociedade'/><title type='text'>A ética republicana é o faz-de-conta dos políticos de borracha</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Estamos em Janeirode 2012, os jornais falam de secretas e manipulações difíceis de compreender. Numaamálgama de notícias em que o bem combate o mal e o mal combate o bem, ninguémconhece os contornos. Dizem que é uma República de apertos-de-mão por baixo dasmesas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Medito sobre ocinismo destes políticos de borracha e chego à conclusão que lá no fundo setrata de cinismo fraco, em que a fantasia ocupa o lugar da realidade com fáciesde consciência moral. Como resposta a este cinismo fraco na forma de falsaconsciência moral devemos contrapor o cinismo forte, o da insolência. De umpolítico de borracha pode-se fazer tudo o que se quiser.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A organização,ou o clube, também é frequentada por gente de bem, membros inofensivos que nãofazem a mínima ideia do que se trama. A arte da dissimulação e da simulaçãopolítica impregnam as cabeças dos políticos de borracha para a conspiração. É aguerra das secretas com as famosas teorias da conspiração. Para salvar osprivilégios tradicionais utilizam a astúcia como verdadeira moral.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Há um bloco deinteresses repartido por partidos de forma invisível desde o início da República.E depois dizem que é uma forma de moralidade mística ao serviço patriótico. Umanuvem a pairar sobre as nossas cabeças é o que é! É uma força que faz com que supostosadversários sejam aliados. Nesta situação, ficamos siderados com a falta detransparência entre direita e esquerda. Socialistas e social-democratas estãomisturados nas mesmas lojas em promíscuas alianças. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Neste mês de Janeirode 2012 continuamos a sentir a tempestade lá fora vinda da Grécia, quando semantêm os rumores da sua saída do euro. Entretanto a banda de música continua atocar sob os auspícios das promessas de novas premissas do capitalismo, de novasrelações Europa-América e de novas relações Guerra-Paz. Deverá uma dívidaimpagável conduzir ao colapso total de uma Nação, ou de um Estado? Isso podeser possível ao abrigo de uma atitude política ao jeito “crime e castigo”, aomodo do Reichstag. Os políticos de borracha, moles, são simultaneamentemanobrados e manobradores de sombras, tacticistas, cobardes, pequenos,esquivos, invejosos, vingativos. Ávidos de dinheiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-8206645697608058470?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/8206645697608058470/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=8206645697608058470&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8206645697608058470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8206645697608058470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/etica-republicana-e-o-faz-de-conta-dos.html' title='A ética republicana é o faz-de-conta dos políticos de borracha'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-5224553812166241547</id><published>2012-01-03T11:13:00.000Z</published><updated>2012-01-03T11:19:49.501Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociedade'/><title type='text'>Urbi et orbi. O sorriso das classes dominantes no declínio</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;O mundo já hámuito que não coincide com o horizonte natural desenhado pelos europeus maisambiciosos. Já passaram muitos anos desde que o Papa arbitrou a contenda entreportugueses e castelhanos pelo direito sobre a soberania dos mundos descobertosa ocidente. Era a imprescindível bênção do Imperador Romano derramada em cimado Tratado de Tordesilhas. Os navios de Carlos V navegavam todos os maresconhecidos e por conhecer, em nome do Sacro Império Romano com o seguinteescrito na proa : &lt;i&gt;Plus Ultra&lt;/i&gt;. Estelema, cujo objetivo era demonstrar o dinamismo do novo império que ele regia,foi o mote mais marcante da era moderna.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O termo “crise”está tão esgotado como a burguesia moribunda que supostamente serviria para adespertar. Desde Oswald Spengler que se assiste ao declínio do Ocidente, eainda assim, apesar de se sentir a ingenuidade a soçobrar, o sentido do sensocomum dos impostores cinzentões, que é infinito, refina o seu embuste. Pode serque tenhamos que aguentar estes tagarelas deploravelmente insípidos por muitomais tempo neste estádio pós-moribundo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O termo “decadência”,neste cenário, é um eufemismo, porque não se parte de nenhuma elevação de ondese tivesse caído. “Crise” vemo-la desfilar diante de nós há muito. Nem noapogeu do Império Romano, Roma pensou conquistar ou dominar os nórdicos bárbaros,como se dizia em relação aos estranhos ao Mediterrâneo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A Europa foi-seconstruindo a expensas da dialética de dois mundos: o mundo mediterrânico e omundo nórdico. Sempre que o mundo nórdico se agitou, &lt;i&gt;o langue d’oc e os langues d’oïl&lt;/i&gt; se inquietaram e tremeram. Assim,a Europa é marcada pelo confronto entre dois estilos que se rivalizam entre sidesde tempos imemoriais. É a dialética duas vezes, entre a lógica dialética e alógica analítica. Kant foi o único que conseguiu pensar ao mesmo tempo dialeticamentee não dialeticamente. Kant, com a sua dialética transcendental, descreve aesfera das afirmações potenciadoras de antítese como esfera de ilusãometafísica. O caráter antitético das proposições, só por si, sem os contendores,não tem a capacidade de produzir discórdias. É preciso que o &lt;i&gt;lógico&lt;/i&gt; se transcenda em &lt;i&gt;ontológico&lt;/i&gt;, ou seja, em &lt;i&gt;psicossomático&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-5224553812166241547?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/5224553812166241547/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=5224553812166241547&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/5224553812166241547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/5224553812166241547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2012/01/urbi-et-orbi-o-sorriso-das-classes.html' title='Urbi et orbi. O sorriso das classes dominantes no declínio'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-5127557329254933239</id><published>2011-12-30T11:48:00.002Z</published><updated>2011-12-30T11:48:24.441Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência cognitiva'/><title type='text'>Sinais – significado e sentido</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;A nossa mentepassa a vida a criar significado, desambiguando o que não tem sentido. É porisso que aceitamos que o divino transcendente nos fale por sinais. O súbitogrito de um pássaro preto; a paragem do relógio numa hora especial; o estalarda madeira do armário; ou até uma borbulha na ponta do nariz – quando o climaemocional se torna propício – não há nada que escape ao estatuto de sinal e quenão assuma um significado. É o nosso cérebro que qualifica a fenomenologia domundo natural, dando uma determinada forma à sua apreensão subjetiva.Apreendemos o mundo através dos sentidos, e o cérebro transforma essesestímulos em sinais, traduzindo-os de acordo com a nossa história evolutiva. Pelofacto de o nosso cérebro dar um significado às coisas, não tem que se seguirque o significado esteja na cabeça. Mas também não implica que o significadoseja algo inerente às coisas, ou que seja uma propriedade intrínseca às coisas.O facto de o cheiro de certas coisas ser muito desagradável para nós, e deoutras ser agradável, não significa que o mau cheiro, ou o perfume, sejam umacaracterística intrínseca dessas coisas. Por outro lado, os maus cheiros nãoestão no cérebro.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-5127557329254933239?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/5127557329254933239/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=5127557329254933239&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/5127557329254933239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/5127557329254933239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/12/sinais-significado-e-sentido.html' title='Sinais – significado e sentido'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-8433524119013161536</id><published>2011-12-30T09:46:00.003Z</published><updated>2011-12-30T09:47:31.627Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência cognitiva'/><title type='text'>Estado Alief</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; O estado &lt;i&gt;Alief &lt;/i&gt;é um conceito inventado por TamarSzabó Gendler, Professora de Ciência Cognitiva na Universidade de Yale, paradescrever aqueles estados de crença automática em coisas estranhas,desencadeado por factos de forte impacto na vida das pessoas. É umcurto-circuito à racionalidade e às crenças baseadas na ciência, mesmo naquelesfisicalistas positivistas recalcitrantes. O falecimento da mãe ou do pai de umcientista, mesmo desse calibre, pode desencadear na sua mente um estado de crençaou desejo, por exemplo, de sobrevivência à morte do corpo, ou outro fenómenomais ou menos de espiritualidade intensa. É o estado de perturbação emocionalforte que normalmente desencadeia automaticamente a ativação dos circuitoscerebrais mais primitivos dos seres humanos relacionados com estados limite.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Basicamente oestado &lt;i&gt;Alief &lt;/i&gt;é um estado de crença emtensão contraditória com as crenças explícitas que governam as pessoas no seudia-a-dia. Isto também pode ser desencadeado por histórias que reforçam crençasreligiosas, por filmes de terror, ou filmes em que a história reforça certasilusões positivas para a pessoa em causa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Há quemconsidere este estado, não de crença, mas de quase crença, na medida em que apessoa que o experiencia sabe muito bem que ele é um produto da sua imaginação.Mas, ainda assim, sente-se bem com ele.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-8433524119013161536?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/8433524119013161536/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=8433524119013161536&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8433524119013161536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8433524119013161536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/12/estado-alief.html' title='Estado Alief'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-7463250994925336021</id><published>2011-12-29T10:21:00.000Z</published><updated>2011-12-29T10:30:07.793Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência cognitiva'/><title type='text'>Astrólogos e profetas</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;i&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Diz que o fim domundo vai ser em 21.12.2012. Acredite quem quiser. A atriz brasileira ReginaDuarte já disse que o fim do mundo no Brasil foi cancelado, porque osbrasileiros não têm estrutura para um evento dessa magnitude.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Em Janeiro de 1523 um grupo de astrólogos londrinosconcluiu que o fim do mundo aconteceria por via de um dilúvio a 1 de Fevereirodo ano seguinte. Temendo o pior, milhares de pessoas abandonaram a cidade embusca de terras mais altas. Quando voltaram, no dia 2 de Fevereiro, nada de especialtinha acontecido, exceto a cidade ter sido saqueada. Os astrólogos assumiramentão um "pequeno erro de cálculo": afinal, o dia do juízo finalaconteceria daí a um século, em 1624.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Diz o povo que esta época do ano é o São Miguel dosadivinhos. Desdobram-se numa azáfama de encomendas para fazerem as previsões docostume.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Os astrólogos têm tendência para ver nos fenómenosnaturais algo mais com significado para os humanos. Para eles o mundo estácheio de sinais. Este ver para além do óbvio é consequência da forma peculiarcomo o seu cérebro está organizado. Os astrólogos, em situação inversa à dosautistas, têm o aparelho da “teoria da mente” hipertrofiado. Os autistas sãodesprovidos completamente da faculdade de produzir “teoria mental”, isto é,interpretar o comportamento das outras pessoas ligado às suas intenções. Enquantoos autistas são bons em perceber o “como” as coisas inanimadas funcionam,desprezando os "porquês", os astrólogos funcionam ao contrário: não seinteressam com o facto das coisas ao nível “como”, sendo obcecados com os “porquês”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Para os astrólogos as súbitas movimentações dasplacas tectónicas no leito dos oceanos é irrelevante. O que eles veem nascatástrofes provocadas pelo movimento das placas tectónicas são sinais commensagens claras transmitidas aos maculados e superficiais seres humanos. Osastrólogos, com o seu software cognitivo especializado (hipertrofiado), produtorde teorias conspirativas, ligam as catástrofes naturais a causas psicológicassubjacentes. Se lhes caírem dois botões do casaco em dias sucessivos,perguntam: “o que isto quer dizer?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; O cérebro dos astrólogos até sabe que não existemtais causas psicológicas sobrenaturais a pairar sobre o mundo, mas ao mesmotempo não se importam de brotar tais pensamentos. A “teoria da mente” dosastrólogos trabalha em ritmo acelerado e imparável. É uma tentação viciantepensar que o Universo age como se fosse um agente vagamente intencional.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-7463250994925336021?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/7463250994925336021/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=7463250994925336021&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7463250994925336021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7463250994925336021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/12/astrologos-e-profetas.html' title='Astrólogos e profetas'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-8660685258639752394</id><published>2011-12-28T10:37:00.000Z</published><updated>2011-12-28T10:37:40.691Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência cognitiva'/><title type='text'>Raciocínio teleofuncional</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Raciocínioteleofuncional (teleológico funcional) é uma expressão técnica que oscientistas cognitivos utilizam para se referirem ao estratagema que o cérebro humanousa para pensarmos que muito do que existe na natureza existe com algumafinalidade, com um objetivo pré-concebido. É um mecanismo inato, associado àforma como nós criamos coisas. Tudo o que nós criamos tem a sua razão de ser,tem um objetivo, uma finalidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Nascemos com umdispositivo cerebral, que predomina até aos 4 ou 5 anos de idade, que por analogianos intui a atribuir finalidade e autoria a certas entidades naturais. Estecircuito cerebral disposicional é o mesmo dispositivo que está por trás danatureza animista das culturas humanas pré-históricas, em que é atribuída intencionalidadeàs coisas inanimadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Numaterminologia um pouco pomposa, as crianças até aos 4 anos de idade são “teleologistaspromíscuos”, ao atribuírem motivo a tudo e mais alguma coisa do mundo natural.Os cientistas cognitivos chamam-lhe “teoria da mente”. É a teoria do sentido edo propósito, que implica um agente mental.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Sem uma educaçãocientífica para os fenómenos naturais a teleologia funcional promíscua continuaa fazer parte do raciocínio pela vida fora. É interessante constatar o queacontece com alguns casos de Doença de Alzheimer em pessoas que foramcientistas notáveis, que é o regresso da tendência teleofuncional. A doençacorrói os circuitos do raciocínio científico, mas deixa intactos os circuitos daintuição teleofuncional. &amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-8660685258639752394?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/8660685258639752394/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=8660685258639752394&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8660685258639752394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8660685258639752394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/12/raciocinio-teleofuncional.html' title='Raciocínio teleofuncional'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-415985226466947710</id><published>2011-12-23T14:39:00.002Z</published><updated>2011-12-23T14:49:54.895Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Histórias'/><title type='text'>Natal</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-9G1y2TUR-L8/TvSSg5wfdEI/AAAAAAAABz0/QYutB3PvAkQ/s1600/1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="262" src="http://4.bp.blogspot.com/-9G1y2TUR-L8/TvSSg5wfdEI/AAAAAAAABz0/QYutB3PvAkQ/s320/1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Amanhã e depoisde amanhã não vou estar aqui, porque vou estar de Natal. Desejo um Feliz Natala todos aqueles que costumam visitar este blogue.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É verdade, tenhoprocurado a sabedoria nas pedras, nas quais estão inscritas frases que dizemque amanhã vamos ser uma só família. Quando era mais pequeno procurava asabedoria inscrita no céu. Gostava de me ausentar de casa, sub-repticiamentedepois de jantar, para me ir deitar no estrado de madeira onde tinham matado oporco do Natal, aquele porquinho com o qual tinha brincado alguns meses antes. Depapo para o ar, olhava para cima, para o céu estrelado, à procura de respostas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de umaocasião, nas vésperas de Natal, me ter deitado no estrado de dia, a olhar parao céu muito azul, ao lado do Adão, o criado da minha avó que tratava do vivo edo porco da matança. A dada altura comecei a ver no azul do céu uma linha reta,muito branca, a ser traçada por uma mão invisível. Perguntei ao Adão o que eraaquilo. Ele riu-se e disse que era o avião que trazia o Menino Jesus de volta,cheio de presentes para outros meninos que se tinham portado bem desde o início.Ainda sinto o cheiro a queimado daquele estrado de madeira onde o Adão tinhaajudado a chamuscar a pele do porco com mechas de colmo a arder, depois de osenhor Ernesto lhe ter dado a facada certeira, e a senhora Maria ter aparado osangue para um alguidar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Anos mais tarde,por volta dos Reis, fui despedir-me do Adão que regressava ao trabalho na emigração.Mal tive tempo, porque entretanto o comboio entrou na estação. À pressa disse: BomAno… Ainda estávamos na década de 1960. Conversas acerca do Natal eramconversas de Felicidade. Agora, com esta idade, já não posso confiar na idade.Agora só nos vem à memória o que perdemos. Vivamos ou não com o dinheiro queherdámos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, sintouma impressão bastante metafísica. Ontem morreu uma pessoa que havia completadohá dias cento e três anos. A última vez que falei com ela dizia que se sentiacomo se fosse Deus. Morreu durante o sono. Deixou uma fortuna imensa, sem saberque a tinha. O Adão vive numa residencial sénior, onde é conhecido pelo&lt;i&gt; Professor. &lt;/i&gt;Não é de prever quesobreviva a mais um Inverno. Imobilizado da cinta para baixo, procura asabedoria das pedras, ou seja, a sabedoria dos mortos, até que um dia mergulheno último sono.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Eis-me agorasobre um estrado de marfim, a fazer perguntas a um Adão metido no éter, e a tentaradivinhar o obscuro destino. Imagino-me numa outra vida morto em combate, porexemplo, na Guerra do Peloponeso. Umas lembranças trazem outras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraph" style="text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 19pt;"&gt;·&lt;/span&gt;&lt;span style="font: normal normal normal 7pt/normal 'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="line-height: 19pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 19pt; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;* Imagem– Desenho a guache. 1968, 4º Ano.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="line-height: 19pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-415985226466947710?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/415985226466947710/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=415985226466947710&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/415985226466947710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/415985226466947710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/12/natal.html' title='Natal'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-9G1y2TUR-L8/TvSSg5wfdEI/AAAAAAAABz0/QYutB3PvAkQ/s72-c/1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-6533684276592453867</id><published>2011-12-22T17:20:00.001Z</published><updated>2011-12-22T17:36:42.461Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociedade'/><title type='text'>Os europeus e a sua representação do mundo</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os europeusformam uma grande comunidade histórica. Apesar de toda e qualquer comunidadeestar referenciada nos corpos dos indivíduos que a compõem, o conceito deeuropeu, como é óbvio, não passa de uma abstração.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Quando falamosde Europa falamos da Europa das comunidades e não da Europa geográfica. Falamosdos seres humanos que vivem em conjunto nesse território. No sentido histórico,a Europa está novamente em crise, como já tantas vezes esteve. Aliás, faz partedo seu código genético estar de vez em quando em crise.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que aindaassim, ou por causa, se consigam distinguir os povos pela diversidadelinguística, não se encontra, ou não se consegue definir, o típico representantedo europeu. Para alguns historiadores é confusa a designação de Ocidental, peloque desistiram de a utilizar. O seu significado tomou de tal modo tanta diversidadeconotativa que se tornou suspeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A marca europeiaestá espalhada por toda a parte, desde a dança à arquitetura. Desde oImpressionismo à Belle Époque. Da Metaxa ao Absinto. É a marca de um tipo devida, tudo menos simples, tudo menos genuína forma de vida levada pelo ritmo danatureza. E porque não doutor Fausto? Porque não ir ter com o Diabo?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 19pt;"&gt;Quando o doutorFausto viu que caminhava dia a dia em direção ao abismo do nada começou a levaruma vida de deboche, chamando a si sete súcubos infernais. No Fausto o Diabotroça do pobre Fausto:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;i&gt;Pois é meuFausto, como vês não é bom comeres cerejas com os grandes senhores e com oDiabo. Eles atiram os caroços à cara da gente. Deves estar bem longe deles paralhes entortares a pontaria. Mas a tua soberba tramou-te. Se tivesses Deusdiante dos olhos e te contentasses com a esmola que te era dada, não teriasentrado nessa dança, e não te terias posto de gatas às ordens do Diabo. Nãodevias ter acreditado nele. Quem facilmente crê, facilmente é enganado. O Diaboabriu a boca e tu entraste dentro dela. Entregaste-te a ele como seu súbdito, assinando o acordo com o teu sangue.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Naturalmente,esta história vai acabar mal. Para a geração jovem, a moda Mercozy não serve. Os jovens idealizam o seu modelo de vida em comunidade, exemplificado erealizado numa experiência. Não esteve Erasmo a abrir-lhes as portas para a cultura moderna, para agora se portarem como escravos. Longe vai o tempo em que os artistas da Renânia, paravencerem o dualismo, incorporavam entusiasticamente as cores do Orfismo deDelaunay.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 19pt;"&gt;Heinrich Heine tomou o ponto de vista da superação do dualismo para vulgarizar a história da religião e a filosofia alemã.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: 19pt;"&gt;Permitiu-se tudo o que os cristãos normalmente não permitem, que é irpara além do real. Por isso, os Faustos vão ser punidos exemplarmente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-6533684276592453867?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/6533684276592453867/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=6533684276592453867&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/6533684276592453867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/6533684276592453867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/12/os-europeus-e-sua-representacao-do.html' title='Os europeus e a sua representação do mundo'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-4564835195115467649</id><published>2011-12-19T11:42:00.000Z</published><updated>2011-12-20T13:26:16.275Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociedade'/><title type='text'>Como devemos viver</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-z6ADMZ33fVs/Tu8ixqH-f4I/AAAAAAAABzo/lchG21ca-uM/s1600/1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="223" src="http://4.bp.blogspot.com/-z6ADMZ33fVs/Tu8ixqH-f4I/AAAAAAAABzo/lchG21ca-uM/s320/1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; As emoções dosoutros são as nossas. Por isso nos comovemos com as emoções dos outros. Acomoção é emoção sem reflexão. Mas isso não significa que não haja emoçõespensantes, como por exemplo cairmos de joelhos à frente duma pintura em seusítio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Hoje háespecialistas para tudo menos para nos dizerem como devemos viver. A dimensãoda nossa ignorância acompanha a dimensão do nosso conhecimento acerca de como omundo é. Quanto mais sabemos mais nos apercebemos da dimensão da nossaignorância. Quanto mais procuramos saber mais nos apercebemos que essa procuraé interminável. Daí o sentimento de que o mundo é absurdo. E o sentimento doquão absurdo é o mundo acompanha o sentimento de que a vida não tem sentido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; O saber é sempreincompleto. É esta incompletude perpétua que nos remete para o absurdo. Por issonão há ninguém que não sofra, mais que não seja com osofrimento dos outros. Daí que o discernimento da fronteira entre o sofrer e oprazer, a ética, seja o discernimento da única fronteira merecedora de preocupação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Pelo menos naTerra, a comunidade humana é a única comunidade de seres morais. Esta ideia do “comose deve viver” só pode surgir numa única comunidade animal, a comunidadehumana, a única que considera valores morais. Mas o que acontece agora é que estacomunidade questiona se estes valores morais só se devem aplicar a si, ou devemtambém ser extensíveis a outras comunidades de animais, ou seres, não morais.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-4564835195115467649?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/4564835195115467649/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=4564835195115467649&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/4564835195115467649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/4564835195115467649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/12/como-devemos-viver.html' title='Como devemos viver'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-z6ADMZ33fVs/Tu8ixqH-f4I/AAAAAAAABzo/lchG21ca-uM/s72-c/1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-4488312866146018277</id><published>2011-12-16T09:03:00.000Z</published><updated>2011-12-16T09:05:56.017Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Um organismo</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Um organismo é um sistemaauto-organizado de informação. Cada um de nós é um organismo. O organismo éconstituído por milhares de milhões de células organizadas em centenas deespécies que constituem colónias. As colónias são os órgãos e sistemas. Cadacolónia regula-se de forma diferente, em permanente diálogo com outras colóniase com uma grande variabilidade em função de uma série de fatores internos eexternos ao organismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Em bom rigor, cada organismo auto-organiza-se sem que haja um mecanismocentralizado de comando. O que faz o organismo funcionar com sentido é a sua interaçãocom o meio externo e a homeodinamia das diversas colónias de células dentro domeio interno. Portanto, nós somos um organismo, um sistema complexo quefunciona sem ser preciso um controlador central. Não a “nossa consciência” ou o“eu”. Estes conceitos não se aplicam ao funcionamento do organismo enquantotal. Não sou “eu” que ponho a funcionar o organismo que eu sou. E não hánenhuma célula, nem nenhum órgão que mande no restante organismo. É de admitirque haja células que possam viver a vida inteira do organismo, que o acompanhamdesde a sua formação. E há células que apenas vivem algumas horas, como osgenericamente denominados glóbulos brancos. Estas, são células que não seimportam de morrer ao serviço do organismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Os órgãos têm ritmos, e as células no seu conjunto obedecem a esses ritmos, enada mais. O coração é um desses órgãos que mostra com certa facilidade o seuritmo, que é de tipo elétrico. O cérebro também, menos evidentemente, uma partepor impulsos elétricos, outra parte por impulsos químicos. Há outros sistemasque operam apenas através de sinais químicos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;A auto-organização está emtodo o lado. Nós, como qualquer outro ser vivo, somos sistemas complexosauto-organizados. Uma das características essenciais dos sistemasauto-organizados é trocarem informação a nível local, ou seja, cada célula comporta-seem função da interação que estabelece com as outras células mais próximas com asquais comunica e troca informação. E apesar de esta interação local determinaro padrão global, e o global influenciar o local, todavia, a nível local, não temsentido dizer que a célula tem consciência ou capacidade de influenciar diretamenteo organismo, quer dizer, a sociedade de células no seu conjunto. Em sistemasbiológicos esta noção torna-se ainda mais evidente, dado o limite de uma célulaadquirir e processar grandes quantidades de informação. Cada célula, comomembro de um grupo auto-organizado, obedece a regras de comportamento muitosimples baseadas na informação que direta ou indiretamente obtém das suasvizinhas mais próximas. E a partir daqui este padrão propaga-se em grandeescala por mimetismo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Entre animais, a informaçãopode circular diretamente através de&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;sinais&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, e indiretamente através de&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;sugestões&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;.A troca de informação entre indivíduos através de sinais é um processo que sedesenvolveu por seleção natural. As&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;sugestões&lt;/i&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;resultam de um aproveitamento acidental.No entanto, enquanto a transferência de informação pela via de&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;sinais&lt;/i&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;é mais robusta e eficaz, a transferênciade informação pela via de&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;sugestões&lt;/i&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;é mais ténue, uma vez que é obtida peloindivíduo do meio ambiente, de uma forma acidental e casuística. Esta forma de auto-organizaçãoé designada atualmente por&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;estigmergia.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;É um mecanismo de coordenação indiretaentre agentes ou ações.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;Estigmergia&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, é um termo que foi cunhado porPierre-Paul Grassé, um naturalista francês (1895-1985), para descrever a atividadede construção&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;recursiva&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;observada em insetos sociais. Significacolaboração através do meio físico. É o caso, por exemplo, dos trilhos deferomonas deixadas pelas formigas para organização da colónia na captação dealimentos. O vestígio deixado no ambiente derivado de uma ação estimula oudesencadeia a realização de uma próxima ação pelo mesmo agente ou aproveitadopor outro. Esta cadeia de ações tende a reforçar uma tendência que acaba porconduzir à emergência espontânea de uma atividade coerente e sistemática. Esteprocesso está na base da produção de estruturas de tal modo complexas que atéparecem “conscientes como nós”. Todavia, não há nada na manga, não há nenhumainteligência controladora por trás. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;No “consciente como nós” háuma espécie de chauvinismo no ser humano que lhe custa admitir tantainteligência em seres tão insignificantes como formigas ou abelhas. Mas averdade é que formigas, ou abelhas, conseguem fazer o que fazem, de formaextremamente bem organizada, sem necessitarem de planificação nem qualquercomando central. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;E foi copiando as abelhasque seres humanos desenvolveram algoritmos na disciplina da InteligênciaArtificial, e puseram máquinas a trabalhar como robôs. Por outro lado, oconceito geral de&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;recursividade&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, que tem a ver com processos de repetiçãoteoricamente infinitos pela aplicação da mesma regra, serve para descrever&amp;nbsp;em ciência da computação uma forma mais depurada de regras que a partirde casos simples formulam casos mais complexos.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 19.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Apesar de aauto-organização ser um modelo conceptual de compreensão, há outros processosna formação de padrões que em certas situações podem ser também muitoimportantes em alguns passos da criação do padrão emergente. É, por exemplo, oque se passa numa orquestra. Apesar de uma orquestra ter um maestro a impor oritmo, é a auto-organização que impera, em que os músicos se sincronizam pelaatenção que prestam à execução uns dos outros. A partitura que cada músico temà frente também especifica a sua ação no tempo. Um músico experiente pode irbuscar mais informação à sua própria experiência e à forma como a música está aser tocada em tempo real, podendo inclusivamente alterar um bemol ou umsustenido da partitura. E é por isso que, tal como uma pessoa, cada concerto éum acontecimento irrepetível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-4488312866146018277?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/4488312866146018277/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=4488312866146018277&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/4488312866146018277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/4488312866146018277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/12/um-organismo.html' title='Um organismo'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-6647562908304410124</id><published>2011-12-14T13:45:00.001Z</published><updated>2011-12-14T13:46:07.098Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Os cientistas moderam o pathos da verdade</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Volta a sernotícia o boson de Higgs (a partícula de Deus por ser para si). Dois cientistasvieram ao terreiro de Genebra, não para anunciar que a partícula de Deus sempreexiste, mas para termos calma. O que eles vieram dizer foi que as últimasexperiências foram espectaculares. É preciso recordar que a existência destamisteriosa partícula foi postulada na década de 1960 pelo físico Higgs. Parece quese for comprovada empiricamente a partícula de Higgs, fica explicada a razão deser da nossa existência. De uma penada fica desvendado o mistério metafísico doser e da existência. Até lá, bebamos um copo de vinho à nossa existência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Agora, fora debrincadeiras, depois de Nietzsche ter minado a vontade de saber com a suspeitade que o que havia era vontade de poder, os cientistas deixaram de se importarcom a sua condição de escravos ao serviço do poder. Os investigadorescientíficos são, para todos os efeitos, agentes secretos dos agentes do poder.É preciso ver quer os cientistas também são gente, também comem pão. E para opão nosso de cada dia é preciso trabalhar para um patrão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Uma descobertasó vale alguma coisa enquanto se mantiver secreta. Os cientistas também sãoespiões, também trabalham para os serviços secretos. Muitos deles têm para si asportas abertas das lojas da maçonaria, não precisam de as arrombar. Estapertença dá-lhes jeito precisamente para aprenderem a saber fazer crer aos seusinimigos que afinal não sabem o que era suposto saberem. Os cientistas maçons(por definição não os conhecemos) incorporam na sua consciência a obrigação deguardar segredo. O saber, para eles, é manejado como uma arma. Portanto é umacoisa ao mesmo tempo muito delicada, muito precisa e muito perigosa. Por isso temde ser uma arma secreta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-6647562908304410124?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/6647562908304410124/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=6647562908304410124&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/6647562908304410124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/6647562908304410124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/12/os-cientistas-moderam-o-pathos-da.html' title='Os cientistas moderam o pathos da verdade'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-86371192554898</id><published>2011-12-13T11:01:00.001Z</published><updated>2011-12-13T11:01:58.972Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>A amoralidade da ciência empírica</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Um cientistaamoralista é aquele cientista que colabora na empresa da guerra ou de outraobscenidade humana qualquer, e ainda assim diz que os moralistas é que são oscínicos. Estes cientistas põem em dúvida essa natureza humana defendida pelosmoralistas, que consiste em ser dada a comportamentos morais sem cinismo. Bastaver as normas dos militares e os poderes do Estado que com eles se imbricam, emque os Dez Mandamentos estão constantemente a ser suspensos desde os imemoriaistempos da sua promulgação (Pedimos desculpa por esta interrupção, os DezMandamentos seguem dentro de momentos).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Desde o primeiropositivismo que se aceita o carácter amoral da ciência, ou melhor, das ciênciasempíricas modernas, conferida pela objectividade e pelo rigor metódico na suarelação com os factos. Apesar dos termos do cientismo estarem datados, e porconseguinte ultrapassados pela história, a verdade é que o cientista empírico,não o teórico (embora estas duas facetas convivam amavelmente dentro do mesmosujeito), continua alegremente indiferente à brutalidade fria, se bem quedecantada, dos seus revoltantes brinquedos. Aos olhos das pessoas que sofrem asconsequências dos seus efeitos perversos, se bem que indirectos, osempreendimentos científicos são empreendimentos lúdicos de crianças que nãosouberam fazer saudavelmente o seu luto edipiano. Freud não teria dito istomelhor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Isto alimentouuma querela que esteve muito acesa no último quartel do século XX, e que constituio cerne da tal corrente, que se começou a aflorar acima, e que tem a ver com opositivismo datado do último quartel do século XIX. Claro que este termo foisempre muito enganador, pois estava longe de representar uma mentalidadecientífica que faz tudo por ser logicamente exacta e fiel aos factos sem nenhumlaivo de especulação. Aparentemente esta polémica esteve adormecida na primeiradécada do século XXI, talvez devido ao facto de já não se praticar uma ciênciacom verdadeira convicção. Acabou por se perceber que a linguagem positivista daciência, e a sua atitude cientificamente objectiva, não chega para abarcar todaa realidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Se noscentrarmos agora apenas no vasto campo das ciências da vida, para atendermos àpolémica transcendental husserliana, verificamos que não é concebível aquelaneutralidade tão propalada pelos primeiros positivistas, e brutalmente caro aodenominado domínio das ciências humanas e sociais. Nas ciências da vida, estábom de ver, também não podia deixar de ser caro à vertente das ciênciasnaturais (denominadas).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É para a crisedas ciências europeias, com a polémica transcendental à volta da relação entreobjectivação e sujeito, que Husserl nos remete. A crença positivista é ingénua.É ingénua quando acredita, através dos meios lógicos e do rigor empírico, serpossível explorar todos os domínios das ciências da vida, continuando a investigarinsensivelmente e com toda a amoralidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-86371192554898?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/86371192554898/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=86371192554898&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/86371192554898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/86371192554898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/12/amoralidade-da-ciencia-empirica.html' title='A amoralidade da ciência empírica'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-8884822661921340430</id><published>2011-12-12T10:13:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.400Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>O ataque da ironia</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Se quisermossaber se uma teoria política, ou económica, é boa, é ridicularizá-la a fundo edepois esperar se resiste às piadas. Se resistir à zombaria, é boa. Submeter umateoria à experiência da paródia, bem como o seu autor quando é identificável, éfazer um exercício com bonecos teimosos. É fazer a prova do azul de tornesolentre pragmáticos e dramáticos. É pôr as coisas de pernas-para-o-ar e depoisvoltar a pô-las de pernas para baixo. Foi aquilo que não foi feito pelosjornalistas e pelos comentaristas com os &lt;i&gt;faitsdivers&lt;/i&gt; de José Sócrates.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Faits divers&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt; – é uma expressão de jargãojornalístico. É um conceito que designa os assuntos não categorizáveis peloseditorais jornalísticos. Oque é que ele disse, o que é que ele disse? Isso foi mostrado&lt;i&gt;ad nauseam&lt;/i&gt; através de um registo furtivode telemóvel. Que as dívidas dos Estados eram eternas. Que era uma criancice pensar-seque o que era virtuoso era ter as dívidas dos Estados a zeros. O que eravirtuoso era tê-las contidas dentro de certos limites. &lt;i&gt;What else?&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A verdade éconcreta. Se quisermos dizer a verdade temos de assumir as formas concretas. À primeiravista José Sócrates parece um pantomimeiro pragmático, não dramático. Foi paraParis estudar filosofia. Mas já estava a dar uma lição de filosofia a jovens “pré-universitários”.Quanto a isto não há nada a assinalar. Ele, com a pouca preparação filosóficaque tem, não iria naturalmente conseguir elaborar uma teoria sistémica e sistemática,uma ciência. José Sócrates diz as coisas com as pernas para cima. Depois temosque ser nós a pô-las de pernas para baixo se quisermos saber a verdade. O queele exprimiu foi a defesa da ilusão dos pragmáticos, contra a realidade dos dramáticos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O ironistapossui uma intuição, um instinto, que é à prova de bala. Está blindado contra aintromissão de qualquer teoria sistemática. Uma crítica séria é um buraconegro. Não há críticas sérias para um ironista, porque a crítica é pordefinição uma subversão e não uma construção. O que Sócrates estava a fazer àquelesjovens não era educação, mas destruição de inteligência séria. Ele estava ajogar a sua grande oportunidade de Mestre. Resultado: os seus inimigos pegaramnuma experiência pragmática e transformaram-na numa experiência dramática.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O que osguardiães da moral fizeram foi uma grande tragédia acerca do trajecto que omundo está a sofrer a caminho do ralo por culpa daquele “Senhor”. Mas a ironiaconvida-nos a ter um pouco mais de calma. O que acontecerá se deixarmos deestar ao serviço da lei e pusermos a lei ao nosso serviço? Só um homem com onome de Sócrates podia resistir acima de tudo o que vive ao serviço da lei. Sóum ironista, solidamente enraizado numa civilização, se poderia relaxar perantetodas as infâmias. Só um homem profundamente civilizado se podia distender, ao reclamar-seironista pragmatista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-8884822661921340430?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/8884822661921340430/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=8884822661921340430&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8884822661921340430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8884822661921340430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/12/o-ataque-da-ironia.html' title='O ataque da ironia'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-5106281826809980920</id><published>2011-12-09T11:53:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.246Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>A má-fé europeia</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Há quem diga quea actual crise na Europa resulta do chamado esquecimento das ideologias. Asideologias serviam de legitimação, não só para todas as resoluções, mas tambémas resoluções para matar. A ideologia conferia certezas à acção. Com oesquecimento das ideologias passou-se da certeza da presença para a dúvida e aincerteza da ausência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Aquilo a quealguns utópicos pós-modernos chamaram “Europa pós-cristã” não passou de umaparáfrase da dúvida e da incerteza. Esta Europa pós-cristã não deixa de serherdeira da má-fé transmitida durante mil e quinhentos anos por mentesestruturadas pelo cristianismo romano, que tinha como arma de combate amentira, a hipocrisia e o cinismo. Não o cinismo de Diógenes mas a suaantítese.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O clímax damá-fé aconteceu no confronto entre a Contra-Reforma e os movimentosprotestantes. Foi precisamente a má-fé no seio do catolicismo que produziu omovimento protestante, a indignação contra o cinismo papal e toda a corrupçãono seio do grande círculo da sua comandita. Ora, esse movimento teutónicocontra esse infame espectáculo ficou sempre credor de uma verdadeira desforra.A Contra-Reforma tinha sido, mais uma vez, uma manobra ardilosa do catolicismoinquisitorial, para combater os luteranos e calvinistas. Assim, jogou o jogo daética protestante do dinheiro, infiltrando os lugares chave da banca, até aífeudo exclusivo dos filhos de Israel. Passou a ser a banca daquela elite, a talmilícia eclesiástica. A ética destes, contrafacção da ética protestante do dinheiro,nunca passou de uma fachada que conserva ainda a traça jesuítica de outrora. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Ser-se católicohoje é ser-se um praticante de uma má-fé sofisticada, ou de segundo grau, cujainteligência reside na habilidade de esconder que se sabe mais do que semostra. No que toca ao mundo teutónico, é um mundo de um vitalismo cristãomuito especial, que é o vitalismo dos mortos. Este vitalismo dos mortos é muitoforte. Chegou a apaixonar a actividade cultural de muitos europeus nãoteutónicos. Vai desde a encenação de Goethe – nomeio da vida já estamoscercados pela morte –, até ao demasiadamente humano Nietzsche – no meio da mortehá em nós algo que é mais vivo do que a vida dos vivos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-5106281826809980920?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/5106281826809980920/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=5106281826809980920&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/5106281826809980920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/5106281826809980920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/12/ma-fe-europeia.html' title='A má-fé europeia'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-5932228697287220318</id><published>2011-12-08T11:50:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.287Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Medicina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>O poder clínico</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;Numa crise, numadoença do corpo/espírito, o poder de cura está na força de vontade de viver. Estaforça é tanto maior quanto mais se acredita num aliado. O médico pode fazerdiagnósticos acertados, prognósticos realistas, mas o seu papel só sobressai nodrama da cura. Este aspecto talvez possa fazer alguma luz sobre o tãopropalado, na contemporaneidade, processo de auto-cura, ou seja, poderáesclarecer-se como funciona a sugestão nas curas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;&lt;br /&gt;Fazendo umaincursão sobre os processos de cura dos antigos, dos sacerdotes/feiticeiros, oudos xamãs, verificamos que no ritual da cura mágica o xamã dá a beber uma poçãomágica ao doente e extrai-lhe do corpo qualquer coisa, geralmente um bicho (umverme), que simboliza o &lt;i&gt;mal&lt;/i&gt; quehabitava o seu corpo/espírito. Neste estádio vivencial xamânico o mundo éholista e monista, razão porque não faz sentido separar o corpo do espírito.Era no pico da crise que a extracção era efectuada. Há uma projecção para oexterior, através da encenação, do drama energético interior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;&lt;br /&gt;As sociedades doestádio mágico e xamânico eram tão mais saudáveis quanto melhor sabiam honraros seus xamãs, uma vez que o seu trabalho repousava numa aliança com astendências naturais da vida para a defesa contra o &lt;i&gt;mal&lt;/i&gt;. O &lt;i&gt;mal&lt;/i&gt;, aqui, ésubstância, tem estatuto ontológico. O xamã potencia a auto-defesa contra &lt;i&gt;o mal&lt;/i&gt;. Nesse aspecto, o xamã através doritual, através da sua arte, faz a síntese dialéctica entre a vontade de vivere a pulsão para a morte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;&lt;br /&gt;Antigamente osmédicos, ainda curandeiros, eram pagos pela comunidade para se manter saudável.Por isso, os médicos deixavam de ser remunerados quando alguém adoecia. Estaera a tradição. É curioso que um Senhor – muito conhecido dos portugueses pelossubsídios que a sua fundação tem dado à saúde, nomeadamente equipando serviçoshospitalares completos – chamado Calouste Gulbenkian, tenha mantido uma avençacom o seu médico assistente, que lhe deixava de pagar enquanto estivessedoente. O médico era remunerado para o manter saudável. Homem visionário, oSenhor Gulbenkian, sabia que os médicos modernos preferiam que os seushonorários fossem pagos em caso de doença. Da cura logo se via. Era assim umaforma de exercer chantagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;&lt;br /&gt;Quando se entrouna era da modernidade, e quando o rei adoecia, quem reinava por uns tempos erao médico, enquanto tinha poder sobre o corpo do poder, enquanto estivessedoente. Era o tempo da medicina dos Senhores, em que o estatuto do médico seelevava ao nível do poder, quando era médico de Príncipes. Quem cura poderososdetém também poder. E o poder na modernidade era a arte do domínio da técnica.Assim se passou do domínio da manipulação mágica para o domínio da máquina. Ocorpo humano passou a ser uma máquina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;&lt;br /&gt;Ora, foi assimque a dada altura as coisas ficaram de pernas para o ar, com essa espécie depacto mefistofélico. Isso estimulou os pós-modernos ocidentais a procurarmedicinas alternativas, instrumentalmente mais dotadas para a meditação e abusca da auto-cura. E onde foram buscar essas alternativas? Ao Oriente. A essacoisa a que os cientistas ocidentais apelidam arrogantemente de “resto”, quandoescrevem títulos como: “A ciência médica ocidental e as medicinas alternativasdo resto do mundo”. Não há dúvida que este resto é um grande resto, pelo menosum resto em que só a Ásia e a África valem dois terços das pessoas que habitameste planeta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-5932228697287220318?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/5932228697287220318/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=5932228697287220318&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/5932228697287220318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/5932228697287220318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/12/o-poder-clinico.html' title='O poder clínico'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-3133382364281331943</id><published>2011-12-07T16:14:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.150Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociedade'/><title type='text'>Quanta malícia</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;É preciso umacerta dose de malícia para que &lt;i&gt;se&lt;/i&gt;continue a deixar correr o lastimável estado de coisas relacionado com odinheiro de &lt;i&gt;Ninguém&lt;/i&gt;.Independentemente de se saber qual é a identidade daquele &lt;i&gt;se,&lt;/i&gt; ou se o &lt;i&gt;se&lt;/i&gt; e o &lt;i&gt;Ninguém&lt;/i&gt; têm a mesma identidade, averdade é que esta ambivalência, que está para além do bem e do mal, é a mesmaambivalência que está implícita nas tecnologias, que estão aí tanto para o bemcomo para o mal, tanto para a edificação como para a decadência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O espíritocientífico da técnica deixou para trás, definitivamente, os pântanos domoralismo e do categórico. E também deixou para trás a filosofia da cultura.Será óbvio que este espírito é dominado por forças sinistras que nos espezinham?Um poder maligno que domina o nosso mundo? Um espírito malévolo que explora aestupidez e que se dá pelo nome de capitalismo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Dentro de umcerto escrutínio fenomenológico, o médico serve-se dos seus instrumentosclínicos para se apropriar das teorias críticas e assim fazer diagnósticos dedoenças civilizacionais. O médico actual deixou de se confundir com os sacerdotes.Os padres e os médicos estão em campos opostos. Agora, na frente do moribundo omédico tem medo da morte, e por isso só pode laborar no campo da vida. Ao passoque na frente do moribundo o padre não tem medo da morte. Este é o seu campo. Éfácil de perceber. A civilização capitalista viu no corpo vivo a fonte do seuganha-pão. Portanto, quem dominar o corpo vivo é todo-poderoso. Assim, secriaram as condições para o cinismo clínico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É este o nossocaminhar patético para o absurdo. Há uma certa analogia entre a fisiologiaactivista de Berlim, capital da Teoria Crítica, que se reclama do "para além dobem e do mal", e a fisiologia do corpo vista pelos médicos. Esta fisiologiamédica provém de uma ontologia fascista. Nietzsche preconizava que se fizesse omal todo de uma vez neste mundo. Daí a fonte beligerante de Berlim, que brotaágua de todas as fenomenologias, mesmo que a fenomenologia de Hegel nada tenhaa ver com a fenomenologia de Husserl.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário dosalemães, a nossa consciência moral convocou-nos para estar-em-dívida. Dívida dequê? Creio que a resposta está na doutrina cristã do pecado original. Adia-se opagamento da dívida na esperança de quando o usurário nos bater à porta parareceber, dizermos: “amanhã”. Ora, amanhã já estaremos mortos. E como estamoscínicos de médico, é para o padre que enviamos a factura. É dessa extremazona-limite que os alemães têm medo. Então, ao seu estar-credor, só lhe restafazer toda a maldade neste mundo sobre aqueles que estão-em-dívida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-3133382364281331943?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/3133382364281331943/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=3133382364281331943&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3133382364281331943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3133382364281331943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/12/quanta-malicia.html' title='Quanta malícia'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-2542269065356170123</id><published>2011-12-06T12:58:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.131Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Histórias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>O tempo dos cínicos modernos não nos dá cavaco</title><content type='html'>&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Umcínico moderno é um desavergonhado engravatado. O cinismo moderno é um espíritodos tempos que correm, estampado nas fisionomias e impregnado nas roupas, comoa nicotina. O cínico modernaço exibe bons modos, da mesma maneira que exibeboas gravatas. Com a obsessão de salvar a face esquece-se de lavar as mãos. Porisso, ostenta boas maneiras, mas as mãos sujas. Por isso, não lhes estenda amão, nem lhes diga: “passou bem?”.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-2542269065356170123?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/2542269065356170123/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=2542269065356170123&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/2542269065356170123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/2542269065356170123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/12/o-tempo-dos-cinicos-modernos-nao-nos-da.html' title='O tempo dos cínicos modernos não nos dá cavaco'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-6481387525597135460</id><published>2011-12-06T11:13:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.316Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Histórias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Peregrinus</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; PeregrinusProteus – filósofo cínico originário da Mísia (Noroeste da actual Turquia e naaltura território pertencente ao Império Romano) faleceu em 165, em Olímpia, porimolação numa pira funerária nos Jogos Olímpicos desse ano. Quem nos dá contadeste indivíduo é Luciano de Samósata (125-181) numa sátira hostil – De MortePeregrini. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Teve de fugir dasua terra natal por suspeita de parricídio. Chegou à Palestina, onde acabou porse juntar a uma comunidade de cristãos. Foi preso, tendo sido libertado àsordens do governador da Síria. Depois voltou à sua terra para se redimir eficar bem visto, abdicando da herança em prol do povo. Os cristãos acabaram porexpulsá-lo da seita. Foi então para o Egipto onde se ligou a uma seita decínicos ascetas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No tempo do imperadorAntonino Pio andou por Roma a pregar contra a corrupção do poder instalado emRoma. Claro que foi expulso da cidade pelo Prefeito. Em Elis, na Grécia,continuou a sua pregação anti-romana. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nos Jogos Olímpicos de 153 ou 157, quandopregava para uma multidão em Olímpia, acabou por ser espancado, tendo-se salvorefugiando-se no altar de Zeus. Finalmente em Atenas arranjou algunsseguidores, a quem transmitiu a sua filosofia cínica. Um desses seguidores foiAulo Gélio. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Nos JogosOlímpicos de 161 anunciou que nos jogos seguintes, 165, se suicidaria pelofogo, o que cumpriu. Na última noite dos Jogos Olímpicos de 165, imolou-se numapira, localizada na zona leste da cidade de Olímpia. Luciano, que estava lá,testemunhou o evento. Theagenes, o seu discípulo mais dileto, proferiu o elogiofúnebre. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Claro que Luciano,com a sua característica verrumeira, disse que ele se matou para se tornar famoso.Aulo Gélio, como já vimos que era um dos seus, dá uma perspectiva diferente domestre. Era um homem digno e corajoso. Se não gostava de cometer pecados, nãoera por medo do castigo divino, mas por amor à honestidade e à justiça.Vários historiadores modernos tentaram recuperar a biografia deste homem. Mas pouco mais encontraram do que os relatos de Luciano. Outras fontes vão aparecendo, como é o caso da revolta judaica na Síria.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16pt;"&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-6481387525597135460?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/6481387525597135460/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=6481387525597135460&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/6481387525597135460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/6481387525597135460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/12/peregrinus.html' title='Peregrinus'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-5639923403522076598</id><published>2011-11-30T09:57:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.260Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>É preciso uma filosofia de vida própria dos tempos de crise</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;O que nos épedido pelos sinais dos tempos que estão aí é que aceitemos a incerteza comopano de fundo do viver em tempos de crise, e modifiquemos o nosso conceito defelicidade. É preciso questionar que sentido têm expressões como esperança,optimismo, sensatez e por aí fora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;ParafraseandoWalter Benjamin, ser feliz é poder tomar consciência de si próprio sem temor. Oque paralisa a capacidade de felicidade é o temor moralista, seja ele deesquerda ou de direita. O politicamente correcto tornou-se inconveniente doponto de vista da felicidade em tempos apocalípticos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Paira no ar umaconspiração excessivamente ruidosa de pessoas carrancudas a reivindicarem o seudinheiro, numa algazarra de histeria esquizóide. É um sintoma que nos diz quetudo isto vai acabar mal. Está no ar uma atmosfera cada vez mais sufocante,propícia para todo o tipo de catástrofes. As energias vitais estão adeslocar-se para o grande anticiclone da psicose. As indescritíveis tempestadesafectivas estão a apoderar-se das massas. As massas precisam de ser iluminadas.E nada melhor do que estádios incendiados para os iluminar. E nada melhor doque os estádios que se chamam da luz. Não há razões para perplexidades, dizemos cínicos modernos: “eu avisei”. Estes momentos, momentos de &lt;i&gt;pathos&lt;/i&gt;, de pressentimento vital, sãoinconfundíveis. As catástrofes iminentes atraem a juventude.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-5639923403522076598?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/5639923403522076598/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=5639923403522076598&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/5639923403522076598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/5639923403522076598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/e-preciso-uma-filosofia-de-vida-propria.html' title='É preciso uma filosofia de vida própria dos tempos de crise'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-4158386458572090885</id><published>2011-11-29T10:22:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.198Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Medicina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Progeria ou envelhecimento precoce</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-FWUE-8ppLJ4/TtSydiwHFeI/AAAAAAAABzI/mdqroXyM3tE/s1600/progeria.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-FWUE-8ppLJ4/TtSydiwHFeI/AAAAAAAABzI/mdqroXyM3tE/s320/progeria.jpg" width="259" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: 18.0pt; margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 4.8pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Aprogeria é uma doença rara, embora não deva ser encarada como as outrasdoenças. É um erro genético esporádico. Não há mais de cem casos descritos em todo omundo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt; O Síndrome de Hutchinson-Gilford, é a descrição clássica, causado por umamutação que ocorre durante as fases iniciais do desenvolvimentoembrionário.&amp;nbsp;Não é uma doença hereditária, uma vez que os progéricos não têmfilhos. Raramente vivem tempo suficiente para ter as próprias crianças.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O gene mutante –o gene LMNA –, dá-se no cromossoma 1. Este gene é responsável pela produção deduas proteínas: lamina A e lamina B. São proteínas que regulam a estrutura do núcleoda célula. Na progeria é a proteína lamina A que está afectada. Não está claro como asmutações do gene desta proteína nuclear provocam os efeitos observados na progeria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Quando umacriança portadora das anomalias progéricas nasce, pode não se notar logo. Ossinais de progeria começam a notar-se perto do primeiro ano de idade. Acabeça, desproporcional em relação à face, é de pele fina, com a vascularização à vista, e praticamente não tem cabelo. A pele clara, vai-se enrugando muito precocemente. O corpo é pequeno e frágil. Ao contrário de outras doençasde envelhecimento acelerado – Síndrome de Werner; Síndrome de Cockayne;Xeroderma pigmetoso – não há defeito na reparação do ADN. É frequente chamar-sea estas outras doenças – progerias segmentares. O teste genético para a mutaçãodo gene LMNA é o mais indicado para confirmar o diagnóstico de progeria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Como não há curapara a progeria, mesmo com tratamentos preventivos das doenças cardiovasculares, utilizando estatinas e aspirina em baixas doses, poucas pessoas comprogeria excedem os 13 anos de idade. A solução será a terapia genética. Será,não se sabe quando.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-4158386458572090885?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/4158386458572090885/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=4158386458572090885&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/4158386458572090885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/4158386458572090885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/progeria-ou-envelhecimento-precoce.html' title='Progeria ou envelhecimento precoce'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-FWUE-8ppLJ4/TtSydiwHFeI/AAAAAAAABzI/mdqroXyM3tE/s72-c/progeria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-7683985002516099048</id><published>2011-11-28T14:33:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.367Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociedade'/><title type='text'>Puta que os pariu!</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; line-height: 24px;"&gt;“Puta que ospariu!” Foi a última resposta de Luiz Pacheco na entrevista que deu à revistaLer, em 1995, e que serve de título à sua biografia que saiu agora em Novembrode 2011, e já nas livrarias. Hoje, mais do que nunca, se torna actualDiógenes de Sínope (Sínope, 404 ou 412 a.C. – Corinto, 323 a.C.) e Luiz Pacheco(Lisboa, 1925 – Montijo, 2008). "Puta que os pariu!" é um trabalho de João Pedro George (sociólogoda Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, cujatese de doutoramento, defendida em 2011, esteve na base desta edição), e aTinta da China é a editora. Na contracapa lê-se:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;i&gt;Luiz Pacheco eracapaz de loucuras mais desapiedadas, mas também de actos de grande generosidade.Pessoa cheia de contrastes e incoerências, tinha uma enorme facilidade pararelacionar-se com os outros e, depois, para cortar relações. Impulsivo einconstante, aparecia e desaparecia de repente. Capaz de prescindir de tudo ede começar do zero, durante anos viveu em pensões manhosas, de onde muitasvezes era expulso por falta de pagamento. Era um especialista em dívidas e emnão as pagar. Conheceu a miséria, o vício e a degradação. Gostava de estarperto dos marginais e das ovelhas ranhosas, porque com aqueles que não têm nadaa perder conhecem-se melhor os labirintos da alma humana. Capaz de aparecer nuno meio do Montijo ou de pijama no Largo do Carmo, no dia 25 de Abril, em tornode Luiz Pacheco criou-se uma lenda, histórias e boatos que circulavam e quequase nunca se incomodou em desmentir, porque, como alguém disse, essa é amelhor forma de chegar a génio.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Diógenes deSínope é o kínico insolente dos argumentos nus do corpo baixo. Masturba-se com as prostitutas na Ágora, e outras indecências, e todavia, Alexandre quis conhecê-lo. Depois de lhe apresentaremAlexandre, o Grande, ele diz-lhe para se afastar porquelhe está a tapar o seu Sol. Platão reconhece que, quanto à astúcia dialéctica do corpo, Diógenes supera Sócrates. Quando se pretendepassar tudo a palavras, ou ao&amp;nbsp;&lt;i&gt;a priori,&lt;/i&gt; não se é capaz decompreender a existencialidade do corpo. Platão não tem palavras para o diálogofeito de carne e osso de Diógenes. Diógenes é um kínico (cão) e faz questão de morrer como um animal, porque na morte todos somos iguais aosrestantes animais. Apesar de todas as grosserias, Platão respeita-o como sage.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;“Puta que os pariu!” é o que os actuais indignados, não indigentes, dizem nas praças. É arejeição da injustiça social e das mãos sujas dos cristãos hipócritas. Apenas falta aquela gargalhada monumental para diluir a esquizofrenia indigente eobscena dos animais dos mercados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-7683985002516099048?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/7683985002516099048/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=7683985002516099048&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7683985002516099048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7683985002516099048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/puta-que-os-pariu.html' title='Puta que os pariu!'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-3102527607852967736</id><published>2011-11-25T11:08:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.147Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Etica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Aspectos éticos da terminação da vida</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Se a medicinatem sido bem sucedida em mitigar o sofrimento provocado pelas doenças queconstam da sua lista de doenças, a verdade é que um tipo de sofrimento que cadavez mais é invocado em países onde a terminação da vida é objecto de permissãopor moldura legislativa – sofrimento existencial – não consta da lista dasdoenças médicas. E como tal, uma vez que os médicos só podem ajudar as pessoasque estejam a sofrer de doenças que conhecem, pouco têm a fazer perante umapessoa que lhes peça ajuda por estarem em sofrimento existencial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre oprolongamento da vida constitui um benefício para aquele que o recebe. Se amedicina justificar um acto num doente com doença terminal, ou um não acto,pelo efeito pretendido ser o maior bem para o paciente e não a morte, e se esseacto tiver como efeito colateral a aceleração do fim da vida, não deve serrotulado como eutanásia, na medida em que é entendido que a causa da morte é adoença de base.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Etimologicamentea palavra “eutanásia” deriva do grego, significando uma morte doce e fácil, umaboa morte ou uma morte boa. O contrário disso é “distanásia”, que significa umamorte dolorosa ou agonia lenta. Então é plausível admitir que para se ter umamorte doce não basta apenas a abstenção de tratamento e o deixar morrer em paz.Por isso, a designação que ainda se vê escrita em muitos artigos sobre oassunto – eutanásia passiva – parece pouco adequada ao significado original dapalavra eutanásia. Partir-se-ia do princípio que atitude médica, positiva ounegativa no sentido de acção, que não proporcione uma morte boa, defrauda osentido da eutanásia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Se uma pessoa éportadora de uma doença que a matará a curto prazo, é só uma questão de dias ede sofrimento, então a terminação da vida activa e voluntária através de ajuda,para mitigar sofrimento, é eutanásia. A causa da morte não é a ajuda. A causajá existe na doença. É apenas uma questão de tempo e de sofrimento. O que sefaz com a eutanásia, para além da pretensa morte boa, é abreviar o tempo ediminuir o sofrimento. Sempre por livre vontade do próprio. Sempre a pedido. Sese for activo de mais, pode-se correr o risco de em vez de eutanásia sepraticar homicídio. Se se deixar a natureza falar mais alto, corre-se o risco,não de se ser um criminoso, mas de se ser um cínico. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Do ponto devista ético, há quem defenda que a intenção é o factor moralmente maisrelevante. Mas há pessoas, que se diz serem complicadas, que encontram seistipos de eutanásia: activas e passivas; e dentro destas: voluntária, nãovoluntária e involuntária. Os três graus de voluntarismo na eutanásia têm a vercom o alegado desejo do próprio. Voluntária – quando a pedido expresso dopróprio; não voluntária – quando se desliga a máquina num estado de comairreversível, não morte cerebral, mesmo sem se saber qual seria o seu desejo;involuntária – quando é desligada a máquina por acto de misericórdia, apesar deser contrária ao que se sabia ser o desejo do próprio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Os actos médicossegundo a &lt;i&gt;leges artis&lt;/i&gt; normalmente nãoestão sujeitos a disputas morais. As questões éticas da eutanásia devem serdiscutidas sem que ainda exista alguma dúvida acerca do carácter da eutanásiaem si mesma poder ser eticamente reprovável. O que se pode disputar perantecasos concretos de eutanásia é o seu aproveitamento para justificar outro tipode intenções, estas sim, moralmente reprováveis. Ou seja, não valem embustes deeutanásia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Apesar de haveralgumas diferenças entre a eutanásia e o suicídio medicamente assistido, umavez que neste, ao contrário da eutanásia, não dispensa que o último acto tenhade ser praticado pelo próprio (a administração do produto), alguns eticistasdefendem que, do ponto de vista do juízo ético estrito, vão dar ao mesmo.Inclusive, há eticistas que consideram que um doente que queira prolongar avida a qualquer custo e lhe seja negado tratamento por já não valer a pena,trata-se de eutanásia. Só que chamam a este tipo de eutanásia – eutanásiapassiva. Assim, para estes eticistas, desligar o ventilador a um doente doscuidados intensivos antes de ele morrer, independentemente de se saber qualseria a vontade do próprio, é praticar eutanásia. Só que lhe chamam eutanásiapassiva involuntária. Por aqui se vê quão complexa se pode tornar a discussãoacerca destes assuntos. Em minha opinião, pelo menos se a pessoa tiverexplicitado o seu desejo de não querer ser mantida viva artificialmente, omédico que desliga o ventilador não violou o direito á vida do paciente. E nãopraticou eutanásia. O modo intencional como a terminação da vida acontece é quelhe confere o significado ético. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-3102527607852967736?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/3102527607852967736/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=3102527607852967736&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3102527607852967736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3102527607852967736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/aspectos-eticos-da-terminacao-da-vida.html' title='Aspectos éticos da terminação da vida'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-476726700736408556</id><published>2011-11-24T08:05:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.227Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Etica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Deveres negativos e deveres positivos</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;É um errocolocar sob o mesmo grau de força deveres positivos e deveres negativos. Umdever negativo é um dever de não causar dano, como por exemplo, o dever deacatar o 6º Mandamento do Decálogo: não deves matar. Portanto, eu estarei safodesde que não mate ninguém, mesmo que não faça nada para evitar a morte dealguém. Mas aquele que defende que vai na mesma para o inferno se, por exemplo,não se deitar ao rio para salvar um afogado, está a colocar no mesmo nível odever positivo, fazer alguma coisa para evitar a morte de outra pessoa, dodever negativo de não matar. O dever positivo diz: devessalvar vidas. O dever de não deixar morrer é um dever positivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Imaginem agoraum exercício de ética. Um cirurgião de transplantes tem cinco pessoas paratransplantar. Duas precisam de um rim; uma do coração; outra do fígado; e aindaoutra de córnea. Como este transplantador é um positivista do dever, fica numestado lastimável enquanto não conseguir evitar o maior número de mortes. Mas eis que lhe surge uma ideia brilhante. E se um deles morresse?Ainda assim podia salvar a vida a quatro pessoas. O mundo ficava a ganhar quatro pessoas contra a perda de apenas uma. Assim, quando apessoa que precisava de transplante de córnea tropeçou ao lado dotransplantador, este não a segurou e deixou-a cair pelas escadas. Entrou em morte cerebral devido a um hematoma. O transplantador ficou todocontente porque podia tirar-lhe os órgãos e assim salvar a vida a quatropessoas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Isto faz-melembrar o dilema do motorista do autocarro, que é usado em filosofia paraexemplificar o princípio do duplo efeito. O autocarro ficou sem travões. E paranão atropelar quatro pessoas na passadeira, guinou para o passeio onde apenasestava uma pessoa. Desta opção do motorista resultou a morte de uma pessoa contra a vida de quatro. Assim, o motorista preferiu matar aquela pessoa que ia tranquilamente no passeio para salvar quatro que iam tranquilamente a conversar na passadeira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-476726700736408556?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/476726700736408556/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=476726700736408556&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/476726700736408556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/476726700736408556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/deveres-negativos-e-deveres-positivos.html' title='Deveres negativos e deveres positivos'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-6039947115948811335</id><published>2011-11-23T09:39:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.299Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>A Europa cansada de viver</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Muitos europeusestão a sofrer sem estarem verdadeiramente doentes no sentido tradicional dotermo. Estão é cansados de viver. Isto deve-se em parte à sua longevidade. Aidade avançada traz mais problemas do que vantagens. Nunca ninguém tinhapensado nos inconvenientes que a idade avançada iria trazer, não só aospróprios como aos outros. Se o longevo mantiver a lucidez, é a si próprio queprovoca o sofrimento. Mas se perder a lucidez, como por exemplo na doença deAlzheimer, o sofrimento é para os outros, sobretudo para aqueles que lhe sãomais queridos. O próprio sofre com a solidão e com o declínio que o fazdepender dos outros. Assim, tornou-se insuportável o prolongamento da vida paraalém do que seria razoável. A humilhação e a perda da dignidade está a levareuropeus a atirarem-se voluntariamente do precipício.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-6039947115948811335?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/6039947115948811335/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=6039947115948811335&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/6039947115948811335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/6039947115948811335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/europa-cansada-de-viver.html' title='A Europa cansada de viver'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-1697054831981126831</id><published>2011-11-23T09:27:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.092Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Medicina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Terminação da vida</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Note bem, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O conceito determinação da vida engloba o conceito de morte assistida. Podem existir trêsmodalidades de morte assistida: eutanásia; suicídio assistido; suicídiomedicamente assistido. Se na eutanásia tanto pode participar um médico, comonão, no suicídio assistido, por definição, não há participação do médico. Daí anecessidade de especificar a modalidade de suicídio medicamente assistido.Qualquer destas modalidades implica o próprio. Portanto, a eutanásia é um actoque resulta de um pedido voluntário, mas em que o próprio eutanasiado nada maisfaz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Se um médicoadministrar, ou mandar administrar, medicação com a intenção explícita deantecipar a morte de um paciente sem ser a seu pedido explícito, este médiconão praticou eutanásia mas sim homicídio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Repare que no casodo suicídio medicamente assistido, é a própria pessoa que se suicida atravésdos seus próprios actos. É aa auto-administração de uma medicação letal queapenas lhe é fornecida pelo médico, implicando apenas a mera presença deste nomomento do acto, que normalmente consiste na ingestão voluntária da medicaçãoletal. O acto final é sempre um acto do próprio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-1697054831981126831?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/1697054831981126831/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=1697054831981126831&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/1697054831981126831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/1697054831981126831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/terminacao-da-vida.html' title='Terminação da vida'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-8956804675485485860</id><published>2011-11-20T10:23:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.404Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Inteligência ou Sabedoria</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Os sinais dostempos avaliados pelos alertas da ONU acerca da ação humana sobre o aquecimentoglobal, e todas as consequências daí advenientes, apontam para o paradoxo dainteligência humana, na forma de ciência e técnica, no que respeita à gestãodos recursos da Natureza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Se entendermosas imagens que temos do mundo como programações cerebrais formatadas na formade consciência interativa – o que é uma hipótese e não uma certeza – então oconhecimento é um processo histórico de inteligência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A progressão dainteligência científica e racional fez-se acompanhar de uma vaga irracional dovale tudo. É a dupla condição da inteligência que opõe: irracionalidade àracionalidade; sabedoria intuitiva e sentimental à erudição intelectualizada. Asabedoria, entendida no sentido tradicional, ou dos antigos, não depende denenhum grau de domínio técnico exercido sobre a natureza com a finalidade de avergar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A ciência e atécnica nunca tiveram a sageza suficiente para lidar com as questões da vida eda morte, do amor e do ódio, do egoísmo e do altruísmo, da solidariedade e dacobiça. A inteligência intelectualista dos vintes, começa por ser arrogante eacaba na esquizofrenia. O conflito epistemológico vira-se para dentro e fraturaa consciência. O conflito da existência quebrada em contradições e paradoxos dálugar a todos os cinismos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A fissura geradano Si pela arrogância da ciência e pela ingenuidade da ideologia acabainexoravelmente na esquizofrenia. Deixa de se saber onde começa o Mundo e acabao Eu. Este tipo de clivagem epistemológica originária da ingenuidade e dopreconceito redunda em tragédia. O progresso tecnológico não tem nada a ver comsageza. Sage é &lt;span class="doltraduztrad"&gt;&lt;span style="color: #3d4349;"&gt;aquele quealia a virtude à sabedoria&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="dolacepssubacep"&gt;&lt;span style="color: #3d4349;"&gt;;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="color: #3d4349;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="doltraduztrad"&gt;&lt;span style="color: #3d4349;"&gt;aquele cujos juízos e cujo comportamento são inspirados egovernados pela retidão de espírito, pelo bom senso&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="dolacepssubacep"&gt;&lt;span style="color: #3d4349;"&gt;;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="color: #3d4349;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="doltraduztrad"&gt;&lt;span style="color: #3d4349;"&gt;aquele que só estima osverdadeiros bens e, por isso, vive sem as ambições, sem as inquietações e asdeceções da delusão que perturba a existência.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;span class="doltraduztrad"&gt;&lt;span style="color: #3d4349;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-8956804675485485860?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/8956804675485485860/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=8956804675485485860&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8956804675485485860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8956804675485485860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/inteligencia-ou-sabedoria.html' title='Inteligência ou Sabedoria'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-9187841328923428053</id><published>2011-11-18T11:17:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.419Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Medicina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Os princípios de defesa intransigente da vida</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;No Preâmbulo aoCódigo Deontológico da Ordem dos Médicos, última revisão publicada em Diário daRepública de Janeiro de 2009, diz-se: &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;queno que concerne aos princípios da defesa intransigente da vida: que devem serabordados à luz da reflexão ética e científica, atento o facto incontornável denão haver uma posição unânime sobre o momento do início da vida. Assume assim,nesta matéria, uma importância particular a reflexão ética do médico à luz dassuas convicções, dos conhecimentos mais atuais, e dos valores em presença.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Em caso deincapacidade do doente dar o consentimento ao médico da sua proposta para otratar, presumindo ser a forma mais conveniente para o seu interesse, o médicopode recorrer aos familiares, ou representantes legais, para o ajudarem a atuarconforme poderia ser a decisão do doente caso ele estivesse em condições depoder exercer a sua vontade. Em todo o caso, deve-se salientar que, para alémdo interesse do doente, deve-se atender também à sua filosofia de vida comosentido. Um dos sentidos que muitas pessoas imprimem à sua vida é nãoconstituírem um fator de sofrimento para os seus familiares no fim da sua vida,ou um fardo para a sociedade. Um dos exemplos que aflige muita gente é a muitodivulgada nos últimos tempos: doença de Alzheimer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;leges artis&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; médica atual já preconizaparcimónia no uso de meios desproporcionados e extraordinários de manutenção devida. Muito menos contra a vontade do doente. Não fazem parte desses meiosextraordinários a hidratação e alimentação, bem como pequenos débitos deoxigénio suplementar. Em caso de o doente não o aceitar, o médico poderecusar-se continuar a tratar o doente, claro está, fora de contextos deurgência ou situações de exceção. O médico tem o direito de recusar a práticade ato da sua profissão quando tal prática entra em conflito com a suaconsciência, ofendendo os seus princípios éticos, morais, religiosos, filosóficosou humanitários. A esta recusa chama-se exercício de objeção de consciência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O médico deve,no entanto, fazer um esforço para atender ao consentimento do doente, ou seusrepresentantes legais, quando for o caso, sem que se gerem conflitos com o panode fundo cultural do doente. E nas situações de urgência, ou de dúvida, deveser colocado sempre em primeiro lugar aquilo que se designa por consentimentoimplícito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Um médico deveprocurar prever o perfil do doente quanto à sua reação em relação á verdade. Assim,deve ter algum cuidado aquando da informação do diagnóstico e prognóstico. Odoente tem tanto o direito de saber como de não saber. Deve ser tido em contanão só o estado emocional do doente num dado momento, como o seu substratocultural. Ainda assim, o doente tem sempre direito a uma palavra o mais próximopossível dos dados probabilísticos, de modo a poder ter uma visão clara da suasituação clínica e assim poder ser o mais livre possível nas suas opções deescolha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-9187841328923428053?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/9187841328923428053/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=9187841328923428053&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/9187841328923428053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/9187841328923428053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/os-principios-de-defesa-intransigente.html' title='Os princípios de defesa intransigente da vida'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-9089590668591504795</id><published>2011-11-18T11:15:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.416Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>A violência dos gângsteres</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;A violência queos “mercados” estão a exercer sobre a Europa, num disfarce de touro que a tentaraptar para aa ilha de Creta, é uma violência de cínicos contra cínicos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É evidente queexistem vários tipos de violência. O aparente poder que a atual crise financeirapretende dar a entender, conferida aos mercados, está de facto a arruinar aseconomias do velho Ocidente. Isto prenuncia algo que poderá ser verdadeiramenterevolucionário para o atual sistema capitalista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É preciso nãoconfundir violência com poder. Se de facto os “mercados” têm poder para interferirnas relações sociais, agindo de uma forma conectada e persuasiva, por outrolado o seu carácter violento e imoral não lhe pode permitir um poder muito maisduradouro. Os cidadãos do mundo, em grande escala, não permitem que a vontadedos “mercados” se mantenha no comando por muito mais tempo. Ela não se podeimpor através da violência. A violência é sinal de fraqueza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;As pessoas estãoa acordar do seu torpor cínico. E quando acordarem completamente, asconsequências serão de dimensões imprevisíveis. Mas a maioria das pessoas, atítulo individual, são suficientemente sensatas para tomar as decisões maisacertadas. O cinismo a que as pessoas têm estado votadas, não lhes tem permitidover quão corruptas são as elites que têm estado sentadas nos palanques dopoder.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-9089590668591504795?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/9089590668591504795/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=9089590668591504795&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/9089590668591504795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/9089590668591504795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/violencia-dos-gangsteres.html' title='A violência dos gângsteres'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-7534053818576284627</id><published>2011-11-17T09:31:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.358Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Medicina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Aceitar o direito de as pessoas doentes recusarem tratamento</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Aceitar odireito de as pessoas doentes recusarem uma determinada intervenção ao níveldos cuidados de saúde não é Eutanásia. É mostrar um grande respeito pelaautonomia pessoal, pela liberdade de quem assuma de uma forma lúcida edeterminada gerir o seu próprio destino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; É Eutanásia a atuaçãode um médico que provoca a morte de uma forma direta e intencional do doente aseu pedido. Pressupõe que o conhece bem e mantém com ele uma relação clínica significativa.E parte-se do princípio que o pedido feito de uma forma expressa e reiterada, seinsere numa situação em que o doente alega ser para si inaceitável o estado desofrimento em que se encontra. Subentende-se que se trata de uma doençaincurável e impossível de mitigar, depois de terem sido esgotados todos osmeios, inclusive os cuidados paliativos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-7534053818576284627?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/7534053818576284627/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=7534053818576284627&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7534053818576284627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7534053818576284627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/aceitar-o-direito-de-as-pessoas-doentes.html' title='Aceitar o direito de as pessoas doentes recusarem tratamento'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-7668411795377595235</id><published>2011-11-16T10:26:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.361Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Medicina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Não ao paternalismo médico. Sim à literacia dos cidadãos em saúde</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Uma coisa é apromoção, por parte dos médicos, da literacia dos cidadãos em saúde emcampanhas de ação cívica ou no estrito ato profissional dando suficienteinformação aos doentes e respetivas famílias. Outra coisa é os médicosarvorarem-se em paizinhos dos doentes, ou muito pior, em polícias cívicos oulegisladores dos bons costumes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É verdade que emPortugal ainda há uma inteligência muito débil para a literacia em saúde. “Inteligência”,é tida aqui no mesmo sentido da espionagem política. É a dotação dasferramentas adequadas da inteligência dos sinais. Quando se quer saber a verdade,a verdade é boa se a bota bate com a perdigota. Quem quiser saber se umaverdade subjetiva, isto é, puramente humana, é boa, deve começar-se por fazer apergunta certa. E a pergunta certa é aquela cuja resposta já conhecemos. Assim,se queremos saber se uma verdade que nos está a ser dada é boa, o critério étestá-la com uma verdade que já se conhece. Se no teste, a bota não bater com aperdigota, ou seja, a verdade que nos querem impingir não passar no teste da verdadeque já conhecemos, até prova em contrário, essa verdade não é boa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal,muitos cidadãos ainda estão muito dependentes de um paizinho em assuntos de decisãoque deviam ser da sua inteira responsabilidade. Ainda delegam muitas decisõesnos médicos. Por exemplo, desculpam-se junto dos seus amigos, dizendo que omédico os proibiu de beber vinho, ou de comer sardinhas. Quando o que devia serera assumido por si próprio de livre vontade e com conhecimento de causa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Claro que paraque os cidadãos que, digamos, ainda se encontram num estado de anomia e acrasianão se eximam às suas responsabilidades, é preciso que estejam dotados da tal “inteligência”.Por isso, tem-se de começar por algum lado. Nesse sentido, os médicos fazem bemem praticar uma medicina compreensiva e oportunista. “Oportunista” no bomsentido, que significa que o médico deve aproveitar o contacto que tem com aspessoas enquanto doentes para os sensibilizar, por exemplo, do malefício dos cigarros,se é fumador, do álcool, se é alcoólico, ou do “fast food”, se só come “fastfood”, independentemente de ser obeso, diabético ou hipercolesterolémico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Mas não se deveser oportunista ao ponto de se imiscuir na escolha da marca dos medicamentos quandonão tem provas científicas, para avaliar a idiossincrasia da relaçãodoente/substância, o tão propalado efeito placebo. O médico deve aproveitar aoportunidade do ato médico para ser educativo e informar a pessoa que está àsua frente de que há estilos de vida melhores e mais saudáveis. É nisto quereside o significado da palavra “oportunista”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Quanto aosmedicamentos, e não quisermos ser anedoticamente mesquinhos, mais importante doque a marca é a falta de disciplina (acrasia, anomia) na toma dos medicamentos.A adesão do doente à terapêutica (compliance na literatura anglo-saxónica)ainda deixa muito a desejar na nossa cultura. Há aquelas pessoas, hoje em diavão diminuindo) que violam a prescrição médica para seguirem a opinião davizinha. É frequente as pessoas deixarem precocemente o tratamento, quer quandonão melhoram logo, quer quando melhoram depressa de mais. Por isso éfundamental o empenho dos médicos na pedagogia da adesão terapêutica. O médicodeve aproveitar todas as oportunidades para explicar os procedimentos, causas efeitos, e assim contribuir para a literacia em saúde por parte dos cidadãos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A maior partedas pessoas são sensatas, até têm a tal “inteligência” para saberem o quequerem. O problema é que não conseguem, ou deixar de fumar, ou deixar de beber,ou emagrecer, ou deixar a toxicodependência, e por aí adiante. As medidas punitivasalém de serem descabidas, são totalmente ineficazes. A longa experiência docombate ao narcotráfico, ou o exemplo histórico da lei seca nos Estados Unidos,demostram que a proibição além de ser um fiasco ainda traz mais por acréscimo ofomento do crime organizado e a ampliação da corrupção nas forças responsáveispela aplicação da lei. Como todos os vícios se adquirem em idades muito jovens,vale a pena apostar na ação pedagógica ao nível das camadas juvenis da populaçãoenquanto frequentadora das escolas de ensino oficial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-7668411795377595235?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/7668411795377595235/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=7668411795377595235&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7668411795377595235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7668411795377595235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/nao-ao-paternalismo-medico-sim.html' title='Não ao paternalismo médico. Sim à literacia dos cidadãos em saúde'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-8827379024873815444</id><published>2011-11-15T10:29:00.001Z</published><updated>2011-11-15T10:30:51.683Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Para uma compreensão da experiência de quase-morte</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;A casuística derelatos da denominada experiência de quase-morte tem aumentado exponencialmentenos últimos anos em revistas científicas, sobretudo mais na área da psicologiado que da psiquiatria ou medicina. Sendo verdade que a maior parte dos médicosainda se sente muito desconfortável com este fenómeno psíquico, por outro ladomuitos psiquiatras demarcam-se do estudo destes casos alegando que apsiquiatria se dedica aos casos da patologia psíquica e que as pessoas querelatam estes episódios não reúnem os critérios estabelecidos na ciência médicade doença. Mas no fundo, sentem-se tão desconfortáveis como os médicos emgeral.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Começam agora aaparecer estudos médicos mais detalhados sobre este assunto, e tentativasmédicas para compreender e explicar não só estes fenómenos como outros queapresentam um carácter muito semelhante. E, de facto, é já tempo de termos umaexplicação biológica para as experiências de quase-morte, e não ficarmosreduzidos às explicações que abundam na literatura não-médica, que sãoexplicações, digamos para simplificar, de tipo místico e parapsicológico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Quem são essaspessoas, e o que relatam? Geralmente são pessoas que depois de terem tido umaparagem cardio-respiratória por um período curto de tempo, em vários contextosclínicos, contam mais tarde que entraram numa espécie de túnel e foram atraídospor uma luz branca intensa, sentindo-se fora do corpo, não raro sendo visto decima a ser tratado pelos médicos. A maior parte dessas pessoas refere que nãotiveram medo, pelo contrário, a experiência foi muito agradável, e que a partirdaí deixaram de ter medo da morte e passaram a encarar a vida de outra maneira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Tem havidovárias abordagens e várias explicações científicas para estes fenómenos. Umacoisa é a narrativa em si, que obedece ao contexto cultural da pessoa, uma vezque para contar o que se passou tem de se apoiar numa narrativa. E a narrativautiliza o substrato simbólico que cada pessoa possui uma vez que nos fenómenospsíquicos na primeira pessoa há lacunas que têm de ser preenchidas pelonarrador enquanto intérprete dos sus próprios fenómenos psíquicos. Outra coisa sãoas alterações objetivas dos cérebros destas pessoas interpretadas na terceirapessoa, geralmente por neurofisiologistas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Dos váriosestudos neurofisiológicos efetuados, reporto-me ao estudo que foi efetuado emdoentes terminais em momentos antes de falecerem em Unidades de Cuidados Paliativosna Holanda. Monitorizados por eletroencefalografia, os sus cérebros sofriam umaexplosão de atividade num período compreendido entre 30 segundos a 3 minutos apósa paragem cardio-respiratória. Quando foram comparados estes traçados comoutros realizados em místicos, que apesar de estarem conscientes relatavamfenómenos semelhantes aos que são relatados pelos sobreviventes, ouressuscitados, de paragens cardio-respiratórias. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;As alteraçõesmais significativas passam-se ao nível dos lobos temporais e áreas mais profundasligadas à memória, e nestes sendo mais intenso no lado direito. Já há muito quese sabe que os processos alucinatórios, os processos oníricos, nomeadamente os sonhoslúcidos, flaches de memórias regressivas, a sensação de separação do corpo,experiências mediúnicas e coisas semelhantes, têm a ver com uma atividadeneurofisiológica fora dos padrões mais habituais dos lobos temporais. Adisrupção que depois se generaliza ao resto do cérebro, nomeadamente às áreasda memória, provoca uma fragmentação que desestrutura as imagens visuaisuniformes, as quais são responsáveis pelos fenómenos de perceção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A regiãotemporoparietal do cérebro é a área por onde passa a manutenção darepresentação do esquema corporal. Quando se estimula esta área, emlaboratórios de neurofisiologia, através de correntes elétricas apropriadas, aspessoas relatam sensações do tipo flutuação do corpo. Para além destassensações são relatadas por vezes sensações mais estranhas referidas comoperturbações dissociativas. As células cerebrais carentes em oxigénio disparamimpulsos elétricos que se espalham para outras áreas do cérebro em cascata e emrajada. Uma das consequências é a redução do fluxo sanguíneo nas áreas visuaise nas áreas mais profundas dos lobos temporais relacionadas com a memória. Ora,estas são as áreas envolvidas nos sonhos. E, quer nos sonhos, quer nosepisódios relacionados com paragens cardíacas até dez minutos, as imagens e asmemórias são lacunares, isto é, são fragmentos não encadeados, com muitaslacunas. E o que faz o narrador é preencher as lacunas com o arcaboiço culturalque possui, para dar sentido à sua narrativa. O narrador compõe a narrativa comos únicos fragmentos que possui, sejam fragmentos de imagem, sejam fragmentosde memória.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-8827379024873815444?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/8827379024873815444/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=8827379024873815444&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8827379024873815444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8827379024873815444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/para-uma-compreensao-da-experiencia-de.html' title='Para uma compreensão da experiência de quase-morte'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-4677748654096556109</id><published>2011-11-15T09:06:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.220Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Histórias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>O Mito de Er</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Platão eraexímio a contar coisas que outros lhe haviam contado e supostamente observado.Então, a dada altura da República, Platão conta o Mito de Er, que só começarama recolher os cadáveres dez dias depois da batalha em que Er, o Arménio, Panfíliode nascimento, havia participado e morrido. Todos os cadáveres já estavam emadiantado estado de putrefação, exceto o de Er, que se encontrava ainda emmuito bom estado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Quando, dois dias depois, Er jazia na pira queo ia consumir, eis que se dá um golpe de teatro dos deuses: Er abre os olhos,vê o seu corpo na pira funerária, e antes que seja tarde, levanta-se edirige-se aos presentes contando o que tinha visto no Além.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Então o que Erpresenciou. Para abreviar, viu-se primeiro a sair do seu próprio corpo. E viuas outras almas, depois de uma longa viagem, serem submetidas a um rigorosojulgamento. Quando chegou a sua vez, os deuses em vez de iniciarem a fazer-lheas perguntas sacramentais, ordenaram-lhe uma missão. Voltava para trás e eraincumbido de ser o mensageiro, junto dos humanos, das verdades do Além.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Do muito que viue contou ainda chegou até nós a história de Orfeu, cuja alma Er viu escolheruma vida de cisne para fugir às mulheres. Viu outro escolher a vida derouxinol. E viu também um cisne escolher uma vida humana. E depois viu todas asalmas juntas a dirigirem-se para a planura do Letes, onde foram forçados abeber uma certa porção de água do rio Ameles. À medida que bebiam esqueciamtudo. Depois disso partiam em direção às estrelas ao som de trovões e tremoresde terra. Como está bom de ver, Er foi impedido de beber.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Platão, tendoconsciência plena da dificuldade que o discurso racional tem em explicar ascoisas da cosmologia e da escatologia, não se importa de recorrer à narrativamítica. O que importa a Platão não é ficar embaraçado a contar mitos. O queimporta é a moral da história, é as pessoas acreditarem na justiça do Além, querecompensa os justos e castiga os prevaricadores. O que importa não é afutilidade ilusória da vida corpórea, em que toda a realidade sensível é puraaparência, mas o Bem que resulta da reta conduta. É no Bem praticado pela suapassagem pela terra que o homem se cumpre, ou seja, realiza o seu sentido navida, após o qual seguirá para o Além onde terá de prestar contas. Assim, Platãoprojeta o ser humano no Além, e do Além projeta a luz que deve iluminar a nossaconduta a fim de alcançar a salvação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-4677748654096556109?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/4677748654096556109/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=4677748654096556109&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/4677748654096556109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/4677748654096556109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/o-mito-de-er.html' title='O Mito de Er'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-3890620390645840625</id><published>2011-11-12T12:04:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.187Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociedade'/><title type='text'>Migrações e transumâncias</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Continuando aanalisar os movimentos dos animais, neste caso de pessoas humanas, nasmigrações de pessoas de uns países para outros a maior parte não tem umcarácter unidirecional definitivo. Não tendo um carácter tão periódico como oque se verifica nas aves, a verdade é que ultimamente as migrações humanas têmuma feição mais parecida com a transumância nuns casos e com a migração dasaves noutros. Convém não confundir migrações com as expensões demográficas dopassado, com ou sem carácter de colonização.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: #3d4349; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;No sentido mais tradicional, transumância é a deslocaçãoperiódica de gado ovino, acompanhado pelos pastores, no verão, dos vales eplanícies (onde os pastos desapareceram) para as altas pastagens das montanhas(transumância ascendente), e, no começo do inverno, destas para as zonas baixas(transumância descendente), onde os pastos reapareceram&lt;/span&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: #3d4349; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Migrações e transumâncias têm sido um fenómeno universal clássiconos cientistas em todos os tempos e lugares. Mas a crise económica em cursoestá a fazer deslocar com maior intensidade uma certa camada da populaçãoportuguesa mais jovem que se alarga muito para fora dos limites da populaçãocientífica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: #3d4349; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Isto tem preocupado certas pessoas por causa da chamada fuga decérebros, sobretudo os melhores cérebros, dado serem estes mais propensos paraa mobilidade. Seja como for, há uma grande heterogeneidade de cérebrosenvolvidos nos atuais movimentos migratórios. Os neurocientistas começam agoraa interessarem-se também por estes aspetos, para além do que já sabiam acercados mecanismos bioquímicos relacionados com os neurotransmissores envolvidos nomovimento, como era o caso da dopamina. Já há muito que se sabe que aquilo que fazcom que umas pessoas sejam mais voluntariosas para se movimentarem, e outraspara se sedentarizarem, tem a ver com níveis de dopamina que operam noscircuitos córtico-estriados do cérebro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: #3d4349; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É claro que o estímulo é desencadeado pelas condições do meio. Masdepois, conforme as características genéticas, há uns mais propensos do queoutros para migrar. Os estudos revelam que aqueles que regressam, são movidosmais por razões de ordem afetiva ou sentimental, do que razões de ordem objetivaligada à atividade em si. E o que move a saída de cientistas para o estrangeironão é o dinheiro mas aspetos específicos ligados ao êxito da investigação. Osjovens não têm horror ao vazio mas à mediocridade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: #3d4349; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que possa parecer, os países só ganham com amigração de cérebros, desde que haja uma certa percentagem de regressos. Oregresso é o maior recurso que as instituições científicas podem capitalizar. Oque é importante é que o país desenhe as melhores condições para acolher oscientistas no regresso. O que acontece com muitos é voltarem a fugir. Mas nosúltimos anos Portugal tem recebido um grande incremento na massa crítica decientistas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: #3d4349; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Um inquérito realizado em 2008, revelou que metade doscientistas interrogados a trabalhar no estrangeiro manifestaram vontade deregressar ao país de origem. Em 2006, havia 3200 cientistas portugueses que haviamestado no estrangeiro. E dos cientistas que continuam a trabalhar lá fora, amaioria tem ligações com o sistema científico do país, o que tem ajudado ainternacionalizar a ciência que se faz em Portugal. São bons exemplos oInstituto Gulbenkian de Ciência e o mais recente Instituto da recém-criadaFundação Champalimaud. O regresso ao país de origem é cada vez menos o fim dahistória. Num processo de globalização muito acelerado, o movimento tem cadavez mais o aspeto da transumância.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: #3d4349; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-3890620390645840625?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/3890620390645840625/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=3890620390645840625&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3890620390645840625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3890620390645840625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/migracoes-e-transumancias.html' title='Migrações e transumâncias'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-2030197344410222935</id><published>2011-11-11T14:47:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.102Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>Perspetivas vitais – Salus vitæ</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Se há assunto parao qual as pessoas têm perspetivas muito diversificadas, o da morte é um deles.Meu pai morreu de cancro pulmonar mas nunca se mostrou aberto a querer saber seera um cancro. Nem nunca falou da sua morte. Para ele, estes assuntos, eramtabu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Tenciono, logo queseja possível em Portugal, fazer o que hoje soi chamar-se &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;Testamento Vital.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; Tenhomanifestado interesse em falar da minha morte, apesar de boa parte das pessoasdo meu núcleo familiar também não gostarem de falar sobre o assunto. Naverdade, o tema da morte é um assunto incómodo para muitas pessoas. Devemos porisso ter algum cuidado para não atormentarmos as pessoas que não estão preparadas(ainda?) para falar de assuntos relacionados coma morte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;As pessoas emgeral têm conceções variadas acerca do que significa viver em estadovegetativo. Consequentemente, têm perspetivas diferentes em face do estado decoma prolongado, que é geralmente quando se aplica a designação de estado vegetativo.Para algumas pessoas viver em estado vegetativo é, como o próprio nome indica,viver como um vegetal. E viver como um vegetal é quando essas pessoas não seconseguem cuidar a si próprias: alimentar, fazer as necessidades, lavar… osimples virar na cama. Para outras, viver como um vegetal, é apenas quando oestado da pessoa entra nos critérios de morte cerebral e o resto do corpomantém-se vivo através das máquinas. Embora não diga para já o meu critério de “estadovegetativo”, acho que ambos os lados adotam critérios extremos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;As pessoashumanas morrem das mais diversas maneiras. Desde aquela maneira que a maiorparte das pessoas diz que gostava de ter uma morte assim: “de manhã quandoacordar estar morta” – morrer a dormir sem dar por nada. Até à maneira do maiorsofrimento (à imaginação de cada um). Reconheçamos que, apesar dos sinais dostempos, a situação de alguém se defrontar com a situação de ligar ou desligaras máquinas das pessoas, não é a mais trivial. No entanto, apesar de ser assim,afigura-se vantajoso, nos tempos que correm, as pessoas fazerem um TestamentoVital. Para isso, as pessoas têm de falar acerca da morte com mais à vontade,com mais frontalidade. É condição sem a qual não se vê como é que as pessoaspossam fazer testamentos vitais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Claro que, comotem de se começar por algum lado, e antes que possa dizer: “Venha lá esseformulário que eu estou interessado em assinar”, os deputados portugueses aindatêm de fazer a lei. Oxalá façam uma boa lei. Sem lei, depois de ser ligado àmáquina, mais ninguém teria aa coragem de ma desligar. A não ser que voltasse apoder respirar autonomamente.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-2030197344410222935?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/2030197344410222935/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=2030197344410222935&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/2030197344410222935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/2030197344410222935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/perspetivas-vitais-salus-vit.html' title='Perspetivas vitais – Salus vitæ'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-484024982458696201</id><published>2011-11-10T16:47:00.000Z</published><updated>2011-11-10T16:48:22.283Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Metástases e comportamento migratório das células</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Quando ascélulas tumorais se disseminam pela corrente sanguínea e formam colónias emoutros locais distantes do tumor primitivo, as colónias são chamadasmetástases.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O comportamentomigratório, seja de células, seja de aves, é ditado por fatores genéticos e condicionadopor fatores ambientais. Estes, podem alterar substancialmente os comportamentosem poucas gerações por seleção natural. Também há células migratórias normais. Nosorganismos multicelulares, para além das células residentes dos tecidos eórgãos, há também populações migradoras obrigatórias e facultativas. Asfacultativas exibem o seu comportamento migratório em função de condiçõesambientais num dado momento. É interessante verificar que este padrão comportamentaltambém se observa nas aves.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes, aresposta migratória inicia-se como uma resposta facultativa a modificações ambientais,e só depois fica inscrita nos genes. Para que isto aconteça, a seleção natural,é necessário algum tempo de ação contínua e prolongada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;As célulasmetastáticas são células malignas que conseguem ter acesso à circulação edepois conseguem acantonar-se noutros tecidos distantes, nos quais induzem aformação de novos vasos sanguíneos. Apesar dos progressos médicos no tratamentodo cancro, ainda hoje é muito difícil inibir a migração das células tumoraisdesde o início, quando elas entram para dentro dos vasos sanguíneos elinfáticos. É praticamente ao hospedeiro que ainda cabe a tarefa principal deconter as metástases quando um tumor se forma particularmente em certos tecidosmais do que noutros. É ao organismo que cabe a tarefa de alterar omicroambiente no foco metastático. O desfecho final é determinado por quemganha a guerra depois de várias batalhas entre hospedeiro e tumor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;As variantesfenotípicas com potencial metastático têm origem em eventos genéticos e epigenéticosque determinam a história evolutiva de cada tipo tumoral. Há genes que sãopotencialmente supressores de metástases. A perda da função destes genesfacilita as metástases. Embora ainda se desconheça muita coisa que se passa nosmecanismos moleculares das metástases, um aspeto comum é haver nas células tumoraisa capacidade ampliada de se mascararem de células mortas, o que engana ascélulas do hospedeiro quanto à emissão de sinais que levam precisamente à mortedessas células.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Agora reparem oque se passa com aves migratórias. Atualmente os cientistas que estudam asmigrações das aves colocam rádio-localizadores no corpo das aves que transmitematravés de satélites a sua posição, permitindo assim revelar as suas movimentaçõesem tempo real e tipificar o seu padrão comportamental. Depois de fazeremcruzamentos de populações com diferentes padrões de migração demonstraram quetodos os principais aspetos do comportamento migratório são controladosgeneticamente, mas passíveis de alteração pela seleção natural. Havia aves que adotavamcomportamentos facultativos intermédios em relação aos dos seus progenitores. Equando selecionados indivíduos com uma maior atividade migratória, erapossível, após algumas gerações, obter aves com estes comportamentos muito maisexacerbados. E quando eram selecionados indivíduos com menor atividademigratória, estes exibiam progressivamente menor tendência migratória.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-484024982458696201?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/484024982458696201/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=484024982458696201&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/484024982458696201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/484024982458696201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/metastases-e-comportamento-migratorio.html' title='Metástases e comportamento migratório das células'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-6260574369606269928</id><published>2011-11-09T17:22:00.003Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.309Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Etica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Universalidade da ética e dos direitos da pessoa humana</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; line-height: 24px;"&gt;Terá sido umerro acreditar no relativismo cultural, na abertura às singularidades do Outro?Actualmente, está mais em voga falar em ética e não em moralidade, pelo menosdesde Hegel, onde é estabelecida a diferença entre ética e moralidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Desde a minhaexperiência com as comissões de ética em medicina que fiquei a saber que não havialeis éticas universais, apesar de muitos dos membros das comissões de ética dizeremque sim, bem como o texto dos Direitos Humanos da Declaração Universal dosDireitos Humanos da Organização das Nações Unidas: “todos os seres humanoscrescem livres e iguais em dignidade e em direitos”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A ética de um bioeticista é umaética das verdades do meio, entre o ser-para-a-morte e a dignidade do ser. É um exercício de funâmbulo. Uma vez reúne-se para se pronunciar a favor de dar mais longevidade. Outra vez reúne-se para se pronunciar acerca das nefastas consequências da longevidade de mortos-vivos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Os filósofosmulticulturalistas questionam os direitos naturais baseados em Kant, porquereceiam que os direitos universais matem sem dignidade a pessoa humanasingular. Os Direitos Humanos Universais baseados em conceitos éticos abstratos,abstratamente aplicados à pessoa humana concreta, são construções humanas datadashistoricamente. Não há qualquer prova ética que permita uma verdade absoluta, e que permita a exigência do imperativo categórico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Tem sentidofalar em verdades, não na verdade. O multiculturalismo aceita verdades, não averdade. Aceita as verdades científicas (no plural). A condição ética da verdadeda subjetividade pessoal só faz sentido quando se dá na abertura ao Outro. Aética contemporânea foi infetada pelo turismo democrático, a partir do qual foram respeitadas asdiferenças da cultura do Outro, com toda a sua multiplicidade de hábitos etradições.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O conceito depessoa única e universal é um mau conceito. Não existe a pessoa humana uniformizadanum molde. Também não existe uma ética ligada a uma verdade. Existe uma éticaligada à verdade das pessoas. Os filósofos novos disseram que existem tantas verdades quanto as pessoas.Numa perspetiva hegeliana, uma pessoa não é uma substância corpórea. Mas tambémnão é uma substância pensante. Uma pessoa é um processo com princípio, meio efim. Não é um vazio, ou um nada. Não é apenas o intervalo entre o começo e o término.É algo consistente numa experiência, numa verdade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-6260574369606269928?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/6260574369606269928/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=6260574369606269928&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/6260574369606269928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/6260574369606269928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/universalidade-da-etica-e-dos-direitos.html' title='Universalidade da ética e dos direitos da pessoa humana'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-7727148854693262375</id><published>2011-11-08T14:48:00.002Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.370Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Etica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>O que é uma pessoa?</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; line-height: 24px;"&gt;Os cidadãos doEstado do Mississippi vão a referendo para responder à pergunta se o conceitode “pessoa” deve ser alargado ao embrião desde a fecundação. Se o feto forconsiderado uma pessoa a partir do momento da fecundação, então os direitos do embrião serãoequivalentes aos da mulher. Mas caso seja aprovado, um tribunal federal aindapode bloqueá-lo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; line-height: 24px;"&gt;O referendo foiproposto pelos conservadores do Mississippi, tendo sido recolhidas mais de cem milassinaturas. Uma sondagem mostra que as opiniões estão praticamente empatadas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Recorda-se que ser humano e pessoa nãoé a mesma coisa. O feto da espécie &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;Homo sapiens&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; é um ser humano, mas já édiscutível que seja uma pessoa. À pessoa, são mais apropriados os predicados desenciência e autoconsciência, capacidade de sentido do eu e sofrimento, capacidadede relacionamento com os outros seres humanos, e outros predicados. Os embriõeshumanos na sua fase inicial não satisfazem os requisitos para serem consideradoscomo pessoas.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt; Uma pessoa, sendo capaz de se conceber a si própria como um sujeito deexperiência, pode ter uma noção da sua própria existência como única eduradoura no tempo e ter crenças e desejos acerca da continuação da suaexistência. Isto quer dizer que, em relação às obrigações morais diretas quetemos para com as pessoas, há mais coisas além de nos abstermos de lhesprovocar dor ou outras experiências desagradáveis ou angustiantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A definição de pessoa é controversa atécerto ponto, mas há um grande consenso de que para ser pessoa é preciso pensamento racional&amp;nbsp;e&amp;nbsp;autoconsciência. Além disso, umindivíduo talvez seja visto como racional se for capaz de pensar bem, isto é,se o raciocínio em que se envolve não viola qualquer princípio fundamental dalógica. Quando falamos de autoconsciência, trata-se da capacidade de terexperiências conscientes e reagir adequadamente aos estímulos externos, ecapacidade de ter um sentido do eu, isto é, uma consciência da própriaexistência no passado, no presente e no futuro, e da própria qualidade de serúnico. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A capacidade chamada senciência é algo que nós, como seres humanos normais, partilhamos commuitos animais não humanos. Não existe consenso sobre a resposta à questão: “quandocomeça a senciência?” A altura em que os embriões talvezestejam aptos a percecionar sensações de dor é por volta da oitavasemana de gestação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Tipicamente, as pessoas, enquanto seresracionais e autoconscientes, têm crenças, desejos e preferências e sãoautónomas, isto é, podem agir de acordo com as suas próprias decisões. É porisso que as pessoas são definidas muitas vezes em termos da sua capacidade dedecidir o que farão nas circunstâncias em que têm uma opção e são capazes deagir como agentes morais. Será justificado conferir o mesmo estatuto moral aosembriões na sua fase inicial? Emboranão exista um teste definitivo para as capacidades envolvidas naautoconsciência, há estudos empíricos que excluem os embriões e os fetoshumanos do estatuto de pessoas. Embriões humanos na sua fase inicial,aproximadamente até aos 14 dias, ainda não têm a potencialidade pessoal, visto que se podem formar gémeos e os embriões podem dar origem nãoa uma mas a duas ou mais pessoas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o princípio da dignidadehumana, numa formulação que se pode encontrar em Kant, a vida humana nunca deveser pensada apenas como um meio, mas sim como um fim. Inspirados pelaformulação de Kant, há quem defenda que os embriões humanos devem ser tratados comopessoas. Note-se que há o pressuposto de a dignidade ser um atributo davida&amp;nbsp;&lt;i&gt;humana&lt;/i&gt;&amp;nbsp;enquanto tal. Mas nada há de intrinsecamente valiosoem pertencer à espécie&amp;nbsp;&lt;i&gt;Homo sapiens&lt;/i&gt;. Outorgar direitos e interessesunicamente com base na qualidade de membro da espécie parece ser totalmentearbitrário e é comparável, como prática, a conferir direitos e interesses combase na raça e no sexo. Equivale a uma forma de preconceito com base no qual sepode exercer discriminação. A razão pela qual julgamos a vida humana valiosa equeremos protegê-la é que o ser humano típico tem as capacidades que têm sidodescritas como moralmente relevantes e que são requisitos para a senciência e apessoa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O princípio da dignidade ilude a questãode qual é o alcance do princípio. Como o princípio é expresso como um princípioda dignidade&amp;nbsp;humana, podia trabalhar-se sob a hipótese de que é ahumanidade que determina se alguma coisa ou alguém tem certos direitos einteresses. Mas a humanidade é valiosa somente até ao ponto em que defende ascapacidades que são plausivelmente valiosas. Quando se trata do valor da vidaou da dignidade da vida devemos assegurar-nos de que&amp;nbsp;nenhuma pessoa&amp;nbsp;éusada apenas como um meio ou de que todas as pessoas&amp;nbsp;contam comoiguais no que respeita aos seus direitos e interesses.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-7727148854693262375?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/7727148854693262375/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=7727148854693262375&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7727148854693262375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7727148854693262375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/o-que-e-uma-pessoa.html' title='O que é uma pessoa?'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-2212586707978153126</id><published>2011-11-07T11:39:00.002Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.117Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>As pessoas que rezam têm a vida mais amena?</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; line-height: 25px;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Não conheçonenhuma teoria que seja perfeita a explicar a razão das religiões. Há muitasteorias, algumas delas com “histórias assim”. “Histórias assim”, é uma expressãoque os cientistas da biologia evolutiva arranjaram para classificar aquelas narrativasque explicam às crianças e aos adultos ingénuos muitos aspetos darealidade. Um exemplo caricato de uma “história assim” é dizer que os narizes existempara que possamos usar óculos, ou que as nuvens existem para que possa chover.É possível que os cientistas tenham importado este termo do livro de RudyardKipling – &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;Just So Stories, 1902&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; – em que o autor recorre a histórias engraçadaspara explicar de forma divertida factos do mundo natural às crianças, sem qualquerfundamento científico.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Há teorias queexplicam a religião baseada no conhecimento do funcionamento da mente humana. Assim,as rezas seriam um paliativo para a ansiedade em relação ao desconhecido e àinsegurança em relação ao presente e ao futuro. O sofrimento da vida seriacompensado por uma vida melhor por vir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Sendo a religiãoum produto da mente humana, tal como a arte e a ciência, não admira que crençase práticas religiosas existam em todo o mundo. Há, ao mesmo tempo, traços que sãocomuns a todas as religiões do mundo, que poderão ser imputados à genética, ediferenças que são imputadas à cultura. Todo o ser humano, em geral, sonha etem medo da morte. E todo o sonho é suscetível de interpretação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Rezar, éintuitivo, é um ato que resulta de processos percetivos e inferenciais espontâneas inconscientes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; As ladainhas, orações, são facilmente transmissíveis. Espalham-seda mesma maneira que se espalham as infeções víricas. Tal como a transmissão dasdoenças infeciosas, que se passa às escondidas da perceção humana na vidaquotidiana, assim também se transmitem as crenças religiosas na sociedade. Há uma invisibilidade do “espírito”, semelhante à invisibilidadedos agentes infeciosos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Assim, a ideiade&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt; espírito&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; que é intuitiva na sua imaterialidade, e quiçá inconsciente, foiforjada na experiência ao longo da evolução humana. É a ideia de agência (deprocesso, diriam os funcionalistas) que confere substância à imaterialidade do&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;espírito&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. A ideia de agência incorpórea está ligada à imaterialidade do “eu”, àsubjetividade do “sujeito”. &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;Espírito&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; é experiência, ou relação. A “relação emsi” é uma espécie de movimento, cuja natureza é incorpórea. Há agentescorpóreos e agências incorpóreas. É na agência que está o mistério do &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;espírito&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Jean-FrançoisLyotard, autor pertencente ao famigerado “pós-modernismo”, é conhecido peladescrença nas grandes narrativas tradicionais, tanto religiosas como seculares.O pós-moderno deixou de acreditar em rezas. Deixou de acreditar no poder deconsolo da fé num Deus providencial, omnipotente, omnisciente e omnipresente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-2212586707978153126?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/2212586707978153126/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=2212586707978153126&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/2212586707978153126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/2212586707978153126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/as-pessoas-que-rezam-tem-vida-mais.html' title='As pessoas que rezam têm a vida mais amena?'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-2380342676052095404</id><published>2011-11-04T15:43:00.002Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.120Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>Religião e imoralidade</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Não há teoriaexplicativa do fenómeno religioso que não tenha como ponto de partida a culturahumana fora de qualquer influência ou manifestação de algo sobrenatural.Antropólogos e não só, atribuem uma grande importância ao papel da religiãocomo fator de coesão social. Numa perspetiva intercultural, ou ciênciacomparada, há nas religiões características análogas às das línguas faladas. Talcomo a linguagem é uma constante em todo o tempo e lugar, um universal quecaracteriza a espécie humana, assim se passa com a religião, universal e aomesmo tempo com uma grande diversidade em todo o lado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Imoral, nosentido de má conduta, é tudo aquilo que se faz ao contrário das regras dasociedade, independentemente de serem regras religiosas ou não. Por acaso, ou se calhar nem tanto por acaso, as autoridades religiosas tiveram durante muito tempo o monopólio e a exclusividade da moral. Nestecaso, era considerado imoral tudo aquilo que infringisse as regras ditadas pela religião. Portanto,imoralidade religiosa aplica-se aos pensamentos e atos contrários à moralapregoada por uma dada religião. Uma pessoa imoral era uma pessoa cuja condutaafrontava a moral vigente num dado tempo de uma cultura fundamentada na religião.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O que espanta – nãoé o facto de indivíduos, tidos aos olhos da sociedade como muito virtuosos,tocadores de órgão de igreja e tudo, praticarem os crimes mais hediondos que sepossa imaginar – é as pessoas espantarem-se e ficarem chocadas. Desde que háestudos no campo da criminologia, sabe-se que é na religiosidade que seescondem os maiores monstros humanos. Mesmo os religiosos mais fervorosos nãoestão protegidos pela religião para que estejam inibidos de praticar crimes. Oque espanta é o facto de se verificar, nos estudos que correlacionam o tipo decrimes com a filiação ou afiliação religiosa, que é nos irreligiosos, ou nos quenão professam qualquer religião, que o índice de criminosos, quandocomparados com os outros, é mais baixo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A ideia popularou de senso comum, que os ateus ou agnósticos são de algum modo mais propensospara a imoralidade, devassidão e criminalidade não colhe nos dados dos estudossistemáticos que têm sido efetuados em vários países. Pelo contrário, osestudos mostram que a criminalidade mais hedionda atinge com força os que seconsideram religiosos. Vale a pena clarificar aqui o que significa religioso:praticante leigo de uma religião.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Num inquérito efetuadoa 517 membros das áreas das ciências físicas e biológicas da Academia Nacionaldas Ciências, em 1998 nos Estados Unidos, 7% eram crentes num Deus pessoal, e7,9% acreditavam na imortalidade pessoal. Isto contrasta significativamente com apopulação norte-americana em geral, que atinge os 90% em relação às duas perguntas.Note-se que é um dado conhecido, o facto de a percentagem de ateus e agnósticos noscientistas da área das humanidades ser superior à dos cientistas das ciências naturais.A começar pelas disciplinas que estudam o fenómeno religioso, que são praticamentequase todos ateus ou agnósticos. São precisamente estes que admitem que oscientistas da Natureza, ao questionarem apenas esta, deixam de fora a crítica àcultura e à tradição, com a consequente distanciação do problema.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Apesar de amaioria dos cientistas de nacionalidade portuguesa atualmente ativos emPortugal terem tido na sua maioria uma educação católica romana, e teremfrequentado a catequese, só uma minoria é frequentadora da igreja comsinceridade. Quer isto dizer que se excluem, quando identificados, aqueles casosque se encaixam na pura hipocrisia, com motivações interesseiras. A maiorparte dos cientistas vivem afastados da religião, e a igreja não desempenhanenhum papel nas suas vidas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É claro que emPortugal não são visíveis publicamente ateus militantes, podem-se contar pelosdedos, do género dos ateus militantes que se vê no Reino Unido, como porexemplo Richard Dawkins. Parece ser genuína a resposta que a maior parte dá: “purae simplesmente não me interesso minimamente por assuntos de religião”. São umaespécie de apóstatas tácitos, na medida em que só uma escassa minoria herdoudos seus pais o seu agnosticismo. Na medicina, os psiquiatras são de longe osmenos religiosos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-2380342676052095404?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/2380342676052095404/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=2380342676052095404&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/2380342676052095404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/2380342676052095404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/religiao-e-imoralidade.html' title='Religião e imoralidade'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-7272245776178018461</id><published>2011-11-03T14:22:00.000Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.349Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Etica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>É preferível ser modesto e evitar o sofrimento</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Em alguns paísesda Europa é legal o &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;suicídio assistido&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. É importante a distinção entre&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;eutanásia&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;suicídio assistido&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;suicídio medicamente assistido&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, como mais àfrente se verá. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Na Holanda, a&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;eutanásia&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; e o &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;suicídio medicamente assistido&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; estão descriminalizados. Nestepaís, uma pessoa que esteja a sofrer de forma insuportável por uma doençaterminal para a qual a medicina não lhe dá nenhuma perspetiva de melhoras, podepedir ajuda para &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;suicídio medicamente assistido&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. Os médicos, que aceitaremprestar ajuda a doentes terminais que queiram morrer medicamente assistidos,não são acusados por nenhum crime, nem infringem qualquer norma do código de éticamédica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Na Suíça, emZurique, existe uma clinica – &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;Dignitas&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; – que pratica legalmente o &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;suicídioassistido&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. Não a &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;eutanásia &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;nem o &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;suicídio medicamente assistido&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; como naHolanda. Esta clínica, desde a sua fundação em 1998, já ajudou a morrer mais demil pessoas. Tem cerca de seis mil associados espalhados por todoo mundo. Uma pessoa que seja associada tem a vida facilitada caso se venha a confrontar com a vontade de morrer prescindindo da obstinação terapêutica voluntariamente, é recebida nessa clínica. Vontade de querer decidir a sua morte em caso de doençaterminal.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A despenalizaçãodo &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;suicídio medicamente assistido &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;legitima a conduta dos médicos. Os médicos, seguindo o&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;princípio de necessidade&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, ponderam conflitos de deveres, sem que tenham de invocar a Lei da Autonomia do Paciente. No equilíbrio dos valores, os médicostêm de pesar nos dois pratos da balança, num lado o princípio que consagra avida como valor máximo em todas as circunstâncias, norma ética do códigodeontológico dos médicos, e no outro a autonomia do doente terminal emsofrimento que deseja ser ajudado para pôr termo ao seu sofrimento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É neste pontoque entra a importância do Testamento Vital, que está em vias de ser instituído no arsenal legislativo português. No momento decisivo a pessoa podejá não estar em condições de exibir a sua vontade lúcida. Mas, a existir umavontade expressa, e renovada, espero que a decisão do &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;suicídio medicamente assistido&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; possa ser exercido sem problemas em Portugal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O Código Penal Português pune qualquer tipo de&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;eutanásia&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, embora com graus de pena diferentes. No que concerne à &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;eutanásiaativa&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, quem matar outra pessoa, mesmo por compaixão, desespero, ou motivo derelevante valor social ou moral, é punido com pena de prisão de um a cincoanos. Mas se for a pedido da vítima é punido com pena de prisão até três anos.Até a tentativa não consumada é punível. No que concerne à &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;eutanásia passiva&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;,como colocar a pessoa em posição de não poder defender-se, ou abandoná-la a si própria sem capacidade de se cuidar, é punível com pena de prisãode uma cinco anos. Se do facto resultar ofensa à integridade física grave, oagente é punido com pena de prisão de dois a oito anos. E se resultar a morte,o agente é punido com pena de prisão de três a dez anos. Ainda há a &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;eutanásiaeugénica&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, a qual não vamos considerar agora.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estado norte-americano do Oregon, em1994, aprovou a &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;Lei da Morte Digna&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, na qual é legislado o &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;suicídiomedicamente assistido&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. Esta lei estabelece todos os critérios mínimos a serematingidos para que uma pessoa possa ter acesso a prescrição de medicamentos ede informações que lhe possibilitarão morrer. O médico assistente deverá chamarum colega em consultoria para confirmação do diagnóstico. Também poderá serfeita uma avaliação da capacidade da pessoa que está solicitando oprocedimento, por um profissional habilitado. Os prazos mínimospara reflexão foram estabelecidos, assim como os instrumentos necessários paraa documentação adequada de todos os critérios, prazos e manifestação devontade. A lei afirma que &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;suicídio medicamente assistido&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; não é &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;suicídio&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, nem&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;suicídio assistido&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, nem &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;eutanásia&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal, aindanão há uma lei regulamentadora destes assuntos. Não chega estar plasmado na Constituiçãoda República Portuguesa o direito à integridade pessoal (artigo 25º),incluindo a integridade física e a integridade moral, bem como o direito aodesenvolvimento da personalidade (artigo 26º), no qual se inclui o direito àautodeterminação dos cuidados de saúde. O Conselho Nacional de Ética para asCiências da Vida, no Parecer 59/CNECV/2010, Parecer sobre os Projetos de LeiRelativos às Declarações Antecipadas de Vontade, recomenda: "... que,atendendo a que uma declaração antecipada de vontade pode conter disposições derecusa e disposições onde se fazer pedidos concretos, a legislação encare, deforma explícita e distinta, essas variantes declarativas, nomeadamente quanto àrespetiva força vinculativa, uma vez que, considerando o princípio da autonomiae outros fatores igualmente relevantes do ponto de vista ético: 7.1 – No casode recusas de intervenções ou terapêuticas, estas recusas terão caráctervinculativo desde que observados os requisitos de garantia da genuinidade dadeclaração; 7.2 – No caso de pedidos de intervenções ou terapêuticas, o seurespeito deverá ser ponderado com a necessidade de observância e respeito dasleis em vigor, das boas práticas clínicas e da independência técnica dosprofissionais envolvidos, assim como com a própria exequibilidade do pedido".&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CNECV recomenda que a legislação seja clara no que se refere aos requisitosformais que possam dar eficácia às disposições de recusa. Deste modo, aformalização por escrito da declaração antecipada de vontade perante notário ouautoridade equivalente deverá ser factor de garantia de validade do documento,desde logo pela atestação da capacidade e da liberdade do declarante e pela respectivadatação efectiva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Há uma grandediferença entre os países de cultura anglo-saxónica e protestantes, e os paísescatólicos. Nestes, a Igreja Católica ainda detém um grande poder nestasmatérias. Em Espanha, onde existe uma Lei da Autonomia do Paciente, desde 2002,tem sido autorizado em certos casos bem fundamentados que se desligue oventilador sem que tal signifique eutanásia. Pelo contrário, o que a ventilaçãomecânica constitui em pacientes terminais é uma obstinação terapêutica. Assim,os médicos que desligam as máquinas não são punidos, pese embora os protestosda hierarquia católica. Esta lei encontra-se legitimada pelo Código de Ética e Deontologia da Ordem dos Médicos de Espanha.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-7272245776178018461?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/7272245776178018461/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=7272245776178018461&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7272245776178018461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7272245776178018461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/e-preferivel-ser-modesto-e-evitar-o.html' title='É preferível ser modesto e evitar o sofrimento'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-8716618653852499530</id><published>2011-11-02T16:08:00.001Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.384Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>A incógnita</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-MUdkKIPAb08/TrFqeM5ZEiI/AAAAAAAAByw/a3bERwN7kdQ/s1600/1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="225" src="http://2.bp.blogspot.com/-MUdkKIPAb08/TrFqeM5ZEiI/AAAAAAAAByw/a3bERwN7kdQ/s320/1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Para resolver osproblemas económicos há especialistas. A ferramenta destes especialistas são asequações. Nas equações há relações e há uma coisa a que os “economistas” chamamincógnita. Portanto, ninguém conhece, por definição, a incógnita.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Mas a incógnitaque mais incomoda os “europeus” são os “chineses”. A incógnita é portanto umainfâmia, uma corrupção moral, um sintoma da globalização pós-moderna. Onde foipossível experimentar o marxismo não-puro, o caminho para uma incógnita ideal oculta,o que se viu foi o totalitarismo em todo o seu esplendor, a Lei a engendrar oTodo e o seu oposto. A Lei da liberdade, igualdade e fraternidade a engendrar acorrupção. É aqui que reside o paradoxo. A Lei não tem força suficiente paragarantir os seus valores. Por analogia, a Democracia, ao desenvolver-se, tambémse mina a si própria. É essa a fatalidade da Democracia, tornar-se o coveirodos seus próprios valores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Na altura em queo Ocidente deu a guinada maoista ao seu comunismo, digamos, no Maio de 68, aChina de Mao Zedong mal se dava conta da sua guinada para o capitalismo poroutros meios. Em bom rigor, na altura em que se deu em Paris o Maio de 68,ainda havia na Europa uns escassos países pouco recomendáveis do ponto de vistademocrático, países que fazem hoje parte da tal incógnita. Por exemplo, haviaem Portugal uma ditadura capitalista com aspetos que, de certo modo, se podemcolocar numa relação paradoxal de simetria com o capitalismo que vigora hoje naChina. É o capitalismo de um falso estado de direito que legaliza aexpropriação do trabalho através de uma certa disciplina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Os “chineses”dizem: “no turbilhão da globalização as passagens rápidas da ditadura para umaimitação de democracia, em países subdesenvolvidos (seja da União Soviéticaestalinista para a Rússia putinista, seja do império salazarista para ademocracia socratista), merecem a crítica do império do meio”. A democracia nãopode ser bem-sucedida sem a passagem por um estado de necessidade doloroso. O factode se terem poupado a esse incómodo, e ter-se ocultado a realidade, terem-seadiado as transformações, ficaram a descoberto as fragilidades que se estão arevelar agora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-TpPMwsmBmac/TrFq0nnE0VI/AAAAAAAABy4/V-HTpJKL1nU/s1600/2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-TpPMwsmBmac/TrFq0nnE0VI/AAAAAAAABy4/V-HTpJKL1nU/s320/2.jpg" width="190" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Os “chineses”são muito críticos à evolução da Rússia depois dos gloriosos dias de 1989. Bemcomo são críticos em relação aos anos da pós-ditadura salazarista, uma vez queas democracias só podem “pegar” se os países forem economicamentedesenvolvidos. A democratização feita à pressa em estados de indigência,segundo os “chineses”, resultam inevitavelmente na plutocracia. É claro que asplutocracias só sabem fazer uma coisa: arrastar os países para a catástrofe. Éeste o raciocínio e o argumento dos “chineses”, para explicarem as virtudes doseu sistema capitalista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; A China usou opoder de Estado autoritário para controlar os custos da transição do comunismopara o capitalismo sem democracia. Ao evitar a democracia, evitaram o caoseconómico, dizem os “chineses”. O Estado chinês, ao controlar e regular o seusistema capitalista com mão de ferro, garantindo ao seu povo um mínimo de “EstadoSocial”, tem evitado resvalar para aquilo que se denomina por capitalismo selvagemà ocidental. Mas a verdade, nos países onde têm penetrado, sobretudo em África,replicando no exterior os sus métodos internos, estão a provocar uma granderejeição. &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Não só desprezam os direitos dos trabalhadores, como introduzem práticas desleais e uma cultura de vale-tudo, até mesmo deviolência física, nas relações de trabalho. As queixas são generalizadas: destroemparques e florestas na busca de recursos minerais e agrícolas, e rotineiramentedesrespeitam regras rudimentares de segurança no trabalho. Estradas e hospitaisconstruídos pelos chineses são mal acabados, e as companhias construtorassubornam funcionários públicos locais e inspetores de obras.A&amp;nbsp;China passou a ser vistacomo um predador exaurindo os recursos minerais africanos. Adquirem apropriedade de recursos naturais que deviam ser controlados pelos países paraseu próprio consumo, como no caso do petróleo.Longas jornadas de trabalho,horas extraordinárias não pagas frequentes, teleconferências de madrugada,vigilância constante dos chefes, metas de produção irrealistas e inegociáveissão algumas das características da gestão empresarial chinesa. Embora reflitamhábitos e práticas existentes na China, o choque cultural tem-se traduzido naredução do tempo de permanência dos trabalhadores nas suas empresas. Os “chineses”não abrem mão de algumas de suas características culturais, entre elas, aadministração extremamente centralizada, jornadas longas de trabalho e a faltade confiança. A chamada dupla estrutura de cargos também incomoda os executivosdos países onde eles operam. E podíamos continuar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Assim, ainsólita combinação de comunismo e capitalismo na China, o seu sucessoeconómico longe de ser um anacronismo, revelou-se uma bênção para os “chineses”,não obstante a sua execrabilidade. O que preocupa os “europeus”, segundo anarrativa dos “chineses”, não é a falta de democracia na China, mas a suaperceção paranoica egocêntrica de se sentirem ameaçados por uma superpotênciaglobal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-8716618653852499530?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/8716618653852499530/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=8716618653852499530&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8716618653852499530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/8716618653852499530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/incognita.html' title='A incógnita'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-MUdkKIPAb08/TrFqeM5ZEiI/AAAAAAAAByw/a3bERwN7kdQ/s72-c/1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-3535546965916243979</id><published>2011-11-01T11:02:00.002Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.168Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociedade'/><title type='text'>Encarar a morte com serenidade nesta época pós-religiosa</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Espinosa e DavidHume são dois casos muito falados nos círculos filosóficos como exemplos depessoas que morreram de forma serena sem a presença do divino. Embora sejadiscutível o que significa a palavra “ateu”, e duvidosa a legitimidade quetemos para dizer que ambos eram ateus, a verdade é que morrer de forma serenanão tem nada a ver com o facto de se ser teísta ou ateísta. Como os “crentes”têm estado em maioria desde tempos imemoriais, embora, no que diz respeito àEuropa, tenham diminuído drasticamente nos últimos cinquenta anos, é fácildizer que a prática de uma religião não tem servido para diminuir o temor damorte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; O declínio depráticas religiosas na Europa, nos últimos cinquenta anos, e até a apostasia emlato sensu, é um fenómeno do cristianismo europeu, mas mais flagrante nassociedades católicas. Esta descontinuidade de identidade tem a ver com arevolução nos costumes, nomeadamente com a emancipação ou maior independênciada mulher em relação ao homem. O deslaçamento familiar, com a menor presença damãe junto dos filhos, delegou no adolescente uma maior auto-atribuição da orientaçãointelectual. Isto provocou um grande impacto na fé religiosa, levando àrejeição da tradição católica, numa espécie de apostasia informal. Oafastamento da Igreja por parte dos adolescentes apresenta nos estudosrealizados uma estreita correlação com a qualidade do relacionamento dos adolescentes,não só com o núcleo íntimo familiar, mas também com as outras figuras tidascomo de autoridade.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-3535546965916243979?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/3535546965916243979/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=3535546965916243979&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3535546965916243979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/3535546965916243979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/11/encarar-morte-com-serenidade-nesta.html' title='Encarar a morte com serenidade nesta época pós-religiosa'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-6312798879795533312</id><published>2011-10-31T14:57:00.002Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.313Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociedade'/><title type='text'>Medo de morrer e medo da morte</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Diferentesformas de medo determinam diversas reações do corpo. O sujeito pode ter maiorou menor consciência do seu próprio medo, mas o objeto do medo não necessita deser identificado. Podemos ter medo de objetos incertos e indeterminados. O objetodo medo pode ser totalmente imaginário ou fictício. Mas para quem o sente écomo se fosse um objeto real, porque as pessoas acreditam naquilo que sentem, eque assim é.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; O medo da morteé diferente do medo de morrer. Assim, mesmo que a morte de cada um seja umevento real, embora diferido no tempo, a forma como as pessoas reagem à morte émuito influenciada pela cultura. A avaliação da sua racionalidade ounão-racionalidade é afetada por representações e crenças que cada indivíduo adquiriupara dar sentido e significado à vida e ao que virá depois dela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Morrer é umprocesso que envolve a perda progressiva de funções físicas e de capacidades efunções intelectuais. O desânimo instala-se quando o sofrimento se prolonga pormuito tempo. A invalidez e a humilhação são outras tantas formas de sofrimento.Já levo 28 anos de perda lenta e progressiva de funções físicas. Até agora tenhoconseguido em grande parte aguentar sem grande sofrimento. Só não sei porquanto tempo mais. Não nos devemos deixar impressionar com o carácter de incurabilidadede algumas doenças, mesmo que elas nos tenham projetado irreversivelmente parauma cadeira de rodas. Ouvimos muitas vezes pessoas desabafar, no auge dedesgraças materiais que sofreram, dizendo que preferiam ter sido remetidas parauma cadeira de rodas, dada a conotação que têm desta situação na sua escala devalores. Ou então, dariam um tiro nos cornos se viessem a ter uma doença incurável,como se uma doença incurável fosse o pior dos mundos possível. Mas não é. Tudoisto é muito relativo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; O ser relativonão retira que a invalidez é não só penosa de viver como fere o sentido dedignidade. É não só a indignidade na via pública, como em privado, quando jánão se consegue levantar e sentar numa cadeira, ou sentar na sanita, ou tomarum duche sozinho, ou lavar os dentes. Por conseguinte, a dignidade é ferida quandosentimos que cheiramos mal. Portanto, quando sabemos com antecedência o que nosvai acontecer, é bom desde logo cortar cerce o modo de vida que se teveanteriormente, e não adiar para amanhã o que se pode fazer hoje, porque depoisjá pode ser tarde de mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Morrer é fazeruma viagem sem regresso por um mundo desconhecido. Daí todo o florescimento defantasias e escatologias que dão sustentação a ideologias. A ideologia éimportante por si só, seja qual for o valor da perspetiva que veicula. O que sevaloriza é a existência de uma ideologia quando equacionamos a inevitabilidadeda morte. O medo da morte pode ser suavizado por rituais e crenças. A crença deque a seguir à morte se seguirá a felicidade na companhia de Deus e dos entesque já tinham partido antes, isso funciona como um lenitivo do sofrimento porantecipação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; O medo de morrernão está apenas ligado à nossa própria morte, mas também à morte daqueles quenos são mais queridos. A perda da sua companhia é insuportável. Por isso nãoadmira que o recurso a rituais ligados à morte seja uma prática quase universalna esfera do humano. É preciso espantar o medo e dar sentido ouinteligibilidade à morte. Os ritos e as crenças que suavizam o medo da morte,ou permitem às pessoas explicá-lo, depende do funcionamento de determinadosmecanismos sociais e psicológicos que servem para salvar, servem para compensaro medo da perda, que no limita é a nossa perdição, ou seja, perdermo-nos a nóspróprios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-6312798879795533312?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/6312798879795533312/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=6312798879795533312&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/6312798879795533312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/6312798879795533312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/10/medo-de-morrer-e-medo-da-morte.html' title='Medo de morrer e medo da morte'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-5929022588971517668</id><published>2011-10-31T10:16:00.004Z</published><updated>2011-12-15T12:53:10.283Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociedade'/><title type='text'>Memento mori</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-pM5XgSAREsU/Tq51RMyS7ZI/AAAAAAAAByo/nMqb01VIMB0/s1600/01.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="315" src="http://1.bp.blogspot.com/-pM5XgSAREsU/Tq51RMyS7ZI/AAAAAAAAByo/nMqb01VIMB0/s320/01.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; A memória dosmortos reúne as pessoas para que num gesto simbólico seja contida a ameaçacolocada à sociedade pelos membros que já partiram. A teoria dos dois corpos – corposocial e corpo biológico – é uma teoria que sublinha práticas que permitem aocorpo social separar-se do corpo físico, de modo que a memória do indivíduo quemorreu possa recordar os aspetos que mais interessam, por razões de ordem social.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; As memórias dosmortos, na esfera social e não psicológica, ligam-se a objetos e lugares. Éesta ligação que transcendentaliza, ou imortaliza, a memória dos mortos. Umavez feita a separação entre parte social e parte física, a parte socialtorna-se intemporal. É o tempo social que influencia o modo como os mortos sãorecordados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Assim, esteprocesso, que nas sociedades ocidentais contemporâneas é mais de índolecultural do que psicológica, não evita que, psicologicamente, as pessoas queperderam um ente querido se possam sentir socialmente isoladas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Nas sociedadesocidentais contemporâneas, há circunstâncias que podem levar à morte social antesda biológica. Isto acontece, por exemplo, quando uma pessoa sofre de uma doençaprolongada e inexoravelmente mortal. Um indivíduo pode ser considerado mortopela sociedade, independentemente do seu estado vital. A definição de mortesocial transcende o âmbito meramente técnico. Hoje em dia há muitas pessoas que– apesar de tecnicamente se encontrarem vivas, em estado de coma ou vegetativo, seja em casa ou em unidades de cuidadosintensivos, mas não terem qualquer hipótese de recuperação – são consideradas socialmente mortas. Pelo menos, é assim que muitas pessoas, parentes e amigosdestes indivíduos, dão o seu testemunho nas poucas investigações que têm sidofeitas a propósito da questão da diferenciação entre as variantes subtis de eutanásiae as variantes subtis de suicídio assistido. Estes indivíduos são olhados, pelamaioria dos entrevistados, como se já estivessem mortos. A morte social éirreversível a partir do momento em que a sociedade, deixou de tratar essesindivíduos como pessoas. É curioso que nos antípodas das sociedades ocidentais,por exemplo no Japão, há uma distinção muito clara entre morte social e mortebiológica, ocorrendo a primeira algum tempo depois da outra. A forma como oscorpos dos mortos são tratados no Japão, constitui um dos obstáculos à doaçãode órgãos para transplante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 20.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Imagem: HansHolbein (1497-1543). Os Embaixadores. National Gallery, Londres.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-5929022588971517668?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/5929022588971517668/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=5929022588971517668&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/5929022588971517668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/5929022588971517668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/10/memento-mori.html' title='Memento mori'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-pM5XgSAREsU/Tq51RMyS7ZI/AAAAAAAAByo/nMqb01VIMB0/s72-c/01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-1023922280510100809</id><published>2011-10-28T11:43:00.001+01:00</published><updated>2011-12-15T12:53:10.080Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>Nações e outras abstrações</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Quando tenteidesenhar a minha árvore genealógica pelo nome das pessoas, não consegui umaretrospetiva além de 1850. Nesta data consegui identificar o nome de 8 pessoasdo sexo masculino, antepassados que eram meus trisavôs. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Se tentassefazer as contas, por exemplo até 1475, seria tentado a dizer que nessa dataencontraria 262.144 pessoas do sexo masculino, meus antepassados. No entanto,creio na prática não seria bem assim. É pouco provável que na vida real ascontas fossem essas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Se fizesse agora,a um londrino, ou australiano, ou novaiorquino, aquela pergunta retórica, “onde estava o seu avô&lt;sup&gt;18 &lt;/sup&gt;no dia 28 de Outubro de 1475?”, nenhum sezangaria comigo se eu me antecipasse e lhes dissesse que tinha havido um avôcomum que nesse dia tinha passado o dia na Abadia de Westminster numacelebração. Mas se fizesse a mesma pergunta a um lisboeta e a um luandino, “ondeestava o seu avô no dia 8 de Julho de 1497?”, e me antecipasse dizendo quenesse dia tinha estado em Belém, Lixboa, a ver partir a expedição de Vasco da Gamaà Índia, provavelmente ambos achariam que eu estava anacrónico. Não seriaimprovável que os genes dos primeiros andassem por Londres naquela época. Jáseria menos provável que os genes de um lisboeta e de um luandino estivessemjuntos em Lixboa em 1497.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Se um fulanoqualquer numa rua de Lisboa vier ter comigo e pronunciar “mïsnika”, e meperguntar o que isso significa, eu direi que não sei, mas mandá-lo-ia consultarum dicionário, não um dicionário de língua portuguesa, mas provavelmente umdicionário de língua eslovena. Era possível que encontrasse algo parecido lá.Mas se esse fulano me devolvesse a resposta com a pergunta: “ onde fica a Eslovénia”,eu não o remeteria para um dicionário mas para um atlas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Até que pontosomos dominados por abstrações? Uma população é um conjunto vivo de pessoas,mas dinheiro vivo é também um valor económico. Mal certas categorias como,trabalho, necessidade, dinheiro, valor de troca, mercados mundiais, e assim pordiante, começam a fazer trabalhar as nossas cabeças, elas transformam-se emabstrações puras que manietam as populações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Fala-se emsistema capitalista para referir um conjunto de coisas complexas integradas numtodo/unitário. Capitalismo é a designação que se dá a um tipo de organizaçãoeconómica a funcionar em círculos viciosos, movido pelo comportamento depessoas que constituem a população. Indivíduos coletivamente comprometidos diretae indiretamente através da sua atividade concreta. O capitalismo é umarealidade que diz respeito ao homem e suas atividades, em relação às quais oUniverso se limita a ser um espectador inocente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O que é então o “mundoreal”? É aqui que entra Hegel e Marx com as suas dialéticas. A dialéticaimplica um Universo em permanente transformação. É um movimento de conjunto, oarrastamento de uma totalidade. A visão marxista da realidade resulta, emúltima análise, da disfunção característica do pensamento metafísico vinculadoà linguagem. O que interessa são as relações e não as coisas. Se nos fixarmosde mais nas coisas nunca vemos as relações. O conhecimento da realidade domundo é elaborado por processos no cérebro. Estes processos são relações e nãorepresentações de coisas. O mundo concreto é o resultado da integração dasrelações do cérebro feito homem encarnado no mundo.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-1023922280510100809?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/1023922280510100809/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=1023922280510100809&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/1023922280510100809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/1023922280510100809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/10/nacoes-e-outras-abstracoes.html' title='Nações e outras abstrações'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-4597778635792669045</id><published>2011-10-27T10:17:00.003+01:00</published><updated>2011-12-15T12:53:10.216Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>Metaensaio – o que nada se sabe sobre o que é suposto nada se saber</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Os positivistaslógicos riam-se dos pseudoproblemas do género daqueles que foram abordados noensaio anterior. Riam-se das pseudo-visões metafísicas, auto-ilusões doconhecimento, enredadas na aparência. Para eles, tratava-se de jogos ociosos epretensiosos que saiam das suas próprias fronteiras. Mas eram esforços baldados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Desmascaremosentão também os esforços baldados de querer dizer por outras palavras que seique nada sei. Esse saber mais não é do que o saber do limite do saber. Aespeculação metafísica desmascara-se como violadora de limites.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A críticapositivista era uma extensão da crítica kantiana, dependente da estreiteza doseu conceito de experiência orientado para a física. O conceito de experiênciade pensamento, roubado a Merleau-Ponty, é mais rico do que isso, dando à razão apenaso lugar que merece. A razão é incapaz de desfazer os nós cegos dados pelametafísica. A razão dos positivistas lógicos, e dos neopositivistas, tal comoRichard Dawkins, em que os memes, tal como os genes, são uma espécie deparasitas que ocupam corpos humanos para satisfazer os seus própriosinteresses. Isto não faz qualquer sentido. Qualquer ideia constitui apenas umapossibilidade entre muitas outras, cuja concretização depende e é aproveitadapelo indivíduo, seja para o bem ou para o mal. É o indivíduo que quer e queescolhe as ideias e não as ideias que escolhem o indivíduo. Isso só funcionacom segurança nas condições do conhecimento empírico. Tudo o que o ultrapassaexcede as suas capacidades. Querer é mais do que poder. Eu posso dizer: “possomas não quero”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Não há qualqueresperança de algum dia a razão acertar contas com temas metafísicos tal como:alma, espírito, universo, existência e por aí adiante. Pode entrar, mas depoisnunca mais de lá sai. A vida vivenciada, na medida em que é vivida, jamaispoderá ser objeto de um saber. Ela escapa a qualquer teoria do conhecimento. Éesta interioridade metafísica, que se esquiva a toda a ciência e à teia dalinguagem, que acabou por ser, em dado momento, capturada por aquilo a que sechamou “existencialismo”.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-4597778635792669045?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/4597778635792669045/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=4597778635792669045&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/4597778635792669045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/4597778635792669045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/10/metaensaio-o-que-nada-se-sabe-sobre-o.html' title='Metaensaio – o que nada se sabe sobre o que é suposto nada se saber'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-5515771951862420098</id><published>2011-10-26T08:56:00.003+01:00</published><updated>2011-12-15T12:53:10.257Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>O ensaio como experiência de pensamento</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Isto é umensaio. Isto é uma experiência de pensamento. A palavra ensaio anda muitasvezes ligada ao conceito de experiência,&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt; lato sensu&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, em diversas actividadeshumanas. Experiência no sentido de tentativa, pôr à prova. Nós dizemos a um amigo que nos vem mostrar a sua nova bicicleta: “deixa-me experimentar”; ou quando nos vem falar de uma nova receita culinária: “vou experimentar e depoisdigo-te se gostei”. Montaigne também dizia que fazia tentativas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O ensaio vaialém dos limites impostos pelo rigor da ciência, ou do paradigma, como hoje se gosta dizer. Não segue asregras de uma teoria organizada, seja de estilo ou de conteúdo, mas aproxima-se da teoria crítica. É mais juízocrítico do que teoria. Seguindo estes pressupostos, a atitude no ensaio é mais da ordem reflexiva e menos da ordem formal, podendo acolher o paradoxo sem cair em contradição. Dispensa atensão histórica entre ciência e filosofia. Podendo ser sintomático, todavia, raramente segue a norma e o estilo. &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;Experiências de pensamento&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; não são necessariamenteopiniões simples.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O acolhimento doparadoxo sem contradições é o não seguimento de modelos de pensamentodescarnado, o pensamento filosófico/científico de realidades dicotómicas. Acorporalidade da experiência consciente é ir para fora da carne cá dentro,simultaneamente saída de si e entrada em si. A consciência está originalmenteencarnada no mundo. Sair de si é entrar no mundo. Entrar no mundo é entrar emsi.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Fragmentar o objecto no maior número possível de partes para reduzir complexidade e facilitar compreensões, não faz parte do ensaio. É uma unidade corporal, construída a partir de si mesmo, numa identidade entre pensamento e coisa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Portanto,&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;experiência de pensamento&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; não tem nada a ver com a experiência dos empiristas,mas também não tem nada a ver com o intelectualismo descarnado. A &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;experiênciade pensamento&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; é acção enquanto se pensa, agência do querer e poder do pensante. Não é uma pura operação descarnada. É coexistência de pensante e pensado, num movimento incessante de dimensões diferenciadas simultâneas.Não há paragens mas passagens. Não há permanências mas impermanências. Opensador não pode parar de pensar, nem parar para pensar. O pensamento é umacadeia interminável de pensamentos que engendram outros pensamentos. É ummovimento incessante e in-quieto, mergulhado no mistério do tempo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Agora a sério, meu amigo, aqui está uma experiência de pensamento vertida em texto etransformada em “máquina infernal de significações”. Como dizia Lobo Antunes, aqui está um tapete mágico tecido do avesso, feito por trás. Preguiçosamente começa-secomo quem não quer a coisa e, de repente, são as palavras que tomam conta, passando a ser elas atrabalhar por si. Passam a ser elas o pensamento dentro do pensamento, ummeta-texto portanto. O amigo é que vai puxar pela ponta do fio que segura asesferas aparentemente desconexas, e tecer as ligações necessárias agosto, em forma e conteúdo, fazer a própria cama em que se vai deitar, ou seja, a suaprópria experiência de pensamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;E pronto. Parasituar o assunto já chega. Para resolver o problema (qual problema?) é insuperável a subjectivação irrevogável do amigo, e a objectivação do mundo real.O problema continua a incomodar o amigo na sua vivacidade. Este incómodo é uma aporia, uma aporia socrática. Precisamos de uma válvula de escape datensão vital entre pensadores e não-pensadores, entre “isto” e a realidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-5515771951862420098?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/5515771951862420098/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=5515771951862420098&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/5515771951862420098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/5515771951862420098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/10/o-ensaio-como-experiencia-de-pensamento.html' title='O ensaio como experiência de pensamento'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-7512523712594369910</id><published>2011-10-24T14:11:00.002+01:00</published><updated>2011-12-15T12:53:10.355Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linguagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Referência deítica em genética</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Repare-se o queacontece quando usamos ferramentas da gramática linguística para explicar comofunciona a transmissão de informação dos genes para as formas vivas. Antes defalar de genes vamos primeiro entrar na gramática.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Em gramáticalinguística, certos elementos linguísticos não têm significado por si só, mas têma propriedade de &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;referência deítica&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. A este fenómeno de referenciação quepermite estabelecer a relação formal de enunciação de uma mensagem – sujeito,tempo, espaço – chama-se &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;deixis&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. Assim, &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;deixis&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; (do grego &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;deixis&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, acção de mostrar ouapontar), é a propriedade de referência de certos elementos linguísticos – &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;deíticos&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;(do grego &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;deiktikós&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;, que mostra ou demonstra) – que por si só não têm significado.Está associado ao gesto de apontar. &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;Isto, isso, aquilo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;… são exemplos deelementos &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;deíticos espaciais&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;Aqui &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;– é o lugar onde o “eu” se encontra. &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;Isto &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;– éo objecto que se encontra perto do “eu”. A utilização de signos que remetempara um sentido, que, portanto, indicam qualquer coisa, ou que apontam, é umfenómeno de &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;referência deítica&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O que a genéticatem a ver com isto é o seu carácter informacional. Uma cadeia de ácidosnucleicos, o ADN, veicula os&amp;nbsp;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;genes,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; da mesma maneira que os veículos linguísticostransportam informação cultural, as&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt; ideias&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. Portanto, fazemos aqui uma analogiaentre&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt; genes e ideias&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;De que é feitauma&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt; ideia&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;? É feita de informação, que pode ser suportada por mais do que umtipo de meio físico. Um &lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444;"&gt;gene&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; é também informação suportada pelo meio físicoque é o ADN. As ideias podem ser conservadas, transmitidas e copiadas pordiversos meios físicos na forma de palavras faladas, escritas, imagens fixas oufilmadas, e por aí fora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O que fazem osgenes é apontar um caminho. Por assim dizer as receitas genéticas são receitasdeíticas. O gene refere em linguagem “assim”: "faz qualquer coisa que seja comoisto". Uma vez compreendido este princípio, podemos vê-lo a operar por toda aparte, em especial nos processos de desenvolvimento multiforme que dependem dememória celular. Um óvulo e um espermatozóide não contêm apenas genes, mas todauma maquinaria de leitura e matérias-primas iniciais para seguir as receitasdos genes. Para a construção fenotípica é também necessária informação extrapara além da informação genética. Os genes apontam para os ingredientes e dizemà maquinaria: “usa isto e aquilo para fazer e dobrar a próxima proteína”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Se foremalterados os elementos do ambiente, mesmo sem mutação genética, pode-se produziruma alteração fenotípica. A receita genética para a construção fenotípica éessencial, mas ao contrário da informação não genética, não é impulsionada porrazões mas por acasos felizes. A transmissão de informação não genética é umaaquisição evolutiva mais recente. É uma inovação dos organismos multicelularesequipados com sistemas perceptivos. &amp;nbsp;Éclaro que esta inovação é muito mais interessante em nós do que em qualqueroutra espécie. Mas não somos os únicos a usufruir dos seus benefícios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É certo que foia língua que abriu caminho à transmissão cultural, mas há quem defenda que acultura pode existir sem a língua, ou melhor, terá existido mesmo antes daemergência da língua. Supõe-se que a língua surgiu a dada altura por mutaçãogenética num indivíduo de um dado grupo de hominídeos. Depois essa aquisiçãogenética foi transmitida aos descendentes como traço dominante. Depois aslínguas foram evoluindo à medida que os grupos sociais de hominídeos se foramramificando sem mais nenhuma evolução genética nos genes da linguagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;É muito poucoprovável que as diferenças entre o português e o finlandês, ou entre estas línguase o chinês, tenham alguma coisa a ver com diferenças genéticas. Qualquercriança humana é capaz de aprender com igual facilidade qualquer língua humanaa que esteja exposta. A evolução das línguas está ligada à evolução dasculturas. Culturas no sentido de hábitos e costumes transmitidos de geração emgeração sempre com alguma inovação e desenvolvimento sem nada ter a ver com osgenes. É claro que deve haver razões para as inovações nas línguas e em todasas práticas humanas que constituem aquilo que designamos por cultura. Aslínguas não se podiam ter desenvolvido sem o florescimento de comunidades, comnormas, tradições, reconhecimento de pessoas, e por aí fora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-7512523712594369910?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/7512523712594369910/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=7512523712594369910&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7512523712594369910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/7512523712594369910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/10/referencia-deitica-em-genetica.html' title='Referência deítica em genética'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-273334381184591613</id><published>2011-10-22T12:10:00.007+01:00</published><updated>2011-12-15T12:53:10.135Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Metafísica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Que é isto?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-fjbVVVp6qE8/TqKkUds65JI/AAAAAAAAByU/q2PMbZjZvCU/s1600/Imagem2.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/-fjbVVVp6qE8/TqKkUds65JI/AAAAAAAAByU/q2PMbZjZvCU/s320/Imagem2.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Qualquer debateintelectual é importante e merece a nossa melhor atenção. “Isto” pode ser: uma coisalá fora; um pensamento ou definição; ou uma essência.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;Muitoscientistas acham que “isto” é uma espécie de pré-história das ideias. Mas aideia de que existem ideias é já uma discussão. Por exemplo, é discutível aideia de um primeiro homem antes de todos os outros. E é discutível porque,hoje em dia, quando um político começa a falar para o povo ele dirige-se assim:cidadãos e cidadãs blá blá.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se, defacto, traçar uma linha na história e dizer que foi a partir de um determinadoser vivo, e apenas um, que passou a haver homens? Homens no sentido de animais,bichos, tanto do sexo masculino como do sexo feminino. Dispensamo-nos de falarem bichas. Bichos, e pronto. É isto que, hoje em dia, leva a discussões azedas,com acusações de desonestidade intelectual de parte a parte.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;Os cientistas sãofascinados por tracinhos, por fronteiras que delimitem o “isto”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como oprimeiro homem a ter existido, já foi há muito tempo, o tempo foi aquele ácidodiluidor ou corrosivo das fronteiras. O que interessa é isto aqui e agora.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;Mesmo que nuncase possa saber cientificamente se existiu um homem primordial, temos todas asrazões para acreditar que assim foi, uma vez que existem homens, e houve umtempo em que não existiam homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta: "que é isto?", uma pergunta científica, é muitas vezes substituída por outra pergunta: "que é nada?", uma pergunta metafísica. A elas é impossível dar qualquer resposta. No que respeita ao nada, tanto a pergunta como qualquer resposta, seriam igualmente contraditórias. A ciência deu um chuto na metafísica e abandonou o nada numa aparente sobriedade. A obscuridade da metafísica é penosa para o espírito científico, que se sente estéril ao perder tempo em domínios completamente acessíveis ao entendimento humano, para o qual tem de haver verdades e falsidades.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-273334381184591613?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/273334381184591613/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=273334381184591613&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/273334381184591613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/273334381184591613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/10/que-e-isto.html' title='Que é isto?'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-fjbVVVp6qE8/TqKkUds65JI/AAAAAAAAByU/q2PMbZjZvCU/s72-c/Imagem2.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-4542793526981055641</id><published>2011-10-20T13:34:00.000+01:00</published><updated>2011-12-15T12:53:10.208Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fenomenologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Ausência de fundações estáveis</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;De certo modo aoscilação que vimos no artigo anterior entre subjectivismo e objectivismodecorre de uma certa concepção de representação. Com o exemplo das cores fomoslevados a considerar a ausência de fundações estáveis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Tínhamos vistoque as cores “lá fora” não existem tal qual as vemos, independentes doobservador e das suas capacidades perceptivas e cognitivas. Por isso, oobjectivismo, em relação a certas propriedades do mundo, de que as cores sãoexemplo paradigmático, é falso. Mas o subjectivismo também é falso, na medidaem que as cores não são subjectivas, no sentido de serem apenas representaçõesinternas, e por conseguinte apenas acessíveis a um sujeito. Mas o facto de oobjectivismo e o subjectivismo estarem errados, não quer dizer que se esgotaramas possibilidades conceptuais, e daí concluir que as cores não existem. Estaprecipitada conclusão, de ausência de cores, é também falsa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Uma das falhasda conclusão de ausência de cores está no facto de partir do próprioobjectivismo. A não existência das cores “lá fora no mundo”, tal como as vemos;e a não existência de representações objectivas no cérebro de cores tal como asvemos, não podem ser confundidas com a inexistência das cores tal como asvemos. A raiz desta confusão mergulha na nossa tendência natural parareificarmos tudo, ou seja, para nos apegarmos a regularidades estáveis. Assim,confrontados com a descoberta de ausência de fundações estáveis continuamos, apesarde tudo, a sofrer por uma fundação objectiva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Assim, aausência de fundamento é transformada em fundamento da ausência. É este o erroda ciência cognitiva, uma forma subtil de perseverança no objectivismo e numaconcepção errada da percepção. O erro reside no facto de se pensar que existeum mundo preestabelecido, com o qual seres também preestabelecidos eindependentes entram em contacto na percepção das coisas. É esta falha que nosimpede de fazer a ligação entre coisas e consciência, dado que desde logo àpartida as premissas estão mal colocadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Não funciona bema ideia de os objectos reais serem transformados naquilo que é representadocomo tal pelo sujeito. Nem faz sentido o sujeito ser reificado como objecto. Mesmo que digam que é um objecto diferente, ainda assim o sujeito torna-se objecto pelavia da representação. O problema relacionado com a concepção errada dasrepresentações, é o sujeito representar-se a si próprio, tornando-se tanto umsujeito objectivado como um objecto subjectivado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;As cores, talcomo as vemos, nem permanecem estáveis nos objectos, nem permanecem estáveisdentro do cérebro. É esta impermanência, extensível a muitas outras coisassemelhantes, que aflige as pessoas. Daí a sua necessidade de buscar umderradeiro ponto de referência, uma resposta definitiva a tantos porquês,transformando a ausência de fundamento num fundamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O apego a umfundamento é tão forte, e está tão profundamente enraizado, que se torna numaforma de sofrimento. Se aceitamos com ingenuidade a ausência de fundaçõessólidas, é ingenuamente que caímos na fundação de uma ausência sólida defundações, para continuarmos a ter um ponto de referência fixo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A ausência defundações estáveis é o próprio estado de experiência relativa de uma mentedescentralizada e desinteressada, corporalizada com o mundo fenomenal de umaforma espontânea, sem obediência a uma mente apegada a um qualquer sofrimento. Aausência de fundamento transforma-se numa entrega, a qual não representa perda,mas também não representa aquisição. Não há desespero, mas também não háentusiasmo. Ausência de fundações não significa ausência de sentido na vida.Significa gratidão. Ficamos gratos com a ausência de fundamentos fixos, namedida em que isso resulta num sentimento incondicionado de bondade espontânea.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-4542793526981055641?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/4542793526981055641/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=4542793526981055641&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/4542793526981055641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/4542793526981055641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/10/ausencia-de-fundacoes-estaveis.html' title='Ausência de fundações estáveis'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-1892215697467681215</id><published>2011-10-19T15:57:00.000+01:00</published><updated>2011-12-15T12:53:10.099Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência cognitiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>O sujeito e o objecto da acção corporalizada em torno da natureza da cor</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;De novo ascores. O debate filosófico em torno da natureza da cor estrutura-se usualmentecomo um debate entre subjectivistas e objectivistas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto os objectivistastêm tendência a vincularem-se à posição redutora da ciência física, queconsidera que as cores não são mais do que comprimentos de onda de luz queafectam os observadores aquando da observação dos objectos, os subjectivistastentam apresentar alternativas a este reducionismo fisicalista, como propriedadesdefiníveis em termos de estados neuronais de observadores. Portanto, ambos oslados acabam por cair num certo tipo de absolutismo fundacional.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;As cores sãoqualidades fenomenais, propriedades intrínsecas de experiências conscientes. São propriedades secundárias ou de segundo nível. Apesar de a ciência física mostrar que as cores não estão “lá fora no mundo",não faz sentido dizer que estão “cá dentro na cabeça”, mas também não fazsentido dizer que não existem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;As cores sãopropriedades de segundo nível, que resultam da síntese entre dois tipos depropriedades de primeiro nível: os comprimentos de onda de luz absorvida ereflectida pela superfície dos objectos; e a configuração neuronal dosobservadores. O segundo nível é o nível do mundo fenomenal tal como aparece. Oprimeiro nível é o nível cru, despido das cores do mundo fenomenal. Embora sepossa demonstrar cientificamente que a experiência da cor não tem qualquerfundamento absoluto, quer no mundo físico “lá fora”, quer no observador “cádentro”, a cor é no entanto um designável perfeitamente comensurável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Em ciência, háfalta de uma base metodológica que evite o absolutismo da subjectividade ou daobjectividade. A falta de um caminho intermédio em ciência cognitiva, ou emneurociência, é provavelmente a razão por que o &lt;i&gt;self &lt;/i&gt;é tomado como um objecto, agora fragmentado. De um ponto devista biológico o que se verifica são diferentes sistemas de visão de cor que evoluíramde forma independente, dando lugar a diferentes espaços de cor em diferentes criaturas.O aparecimento dos objectos coloridos aos observadores resulta de uma relaçãosistemática entre as propriedades primárias dos objectos e a experiência primáriados observadores. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 19.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Como as cores são propriedades experienciais, a nossa intuição é levada a pensar que ascores são propriedades subjectivas do mundo. Mas esta noção de subjectividade é enganadora e não é pacífica entre filósofos. Se a intuição subjectivista fosse verdadeira,as cores deviam depender de experiências estáveis. Mas uma tal estabilidade naexperiência da cor não existe.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1840154856782996713-1892215697467681215?l=ferndias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferndias.blogspot.com/feeds/1892215697467681215/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1840154856782996713&amp;postID=1892215697467681215&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/1892215697467681215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1840154856782996713/posts/default/1892215697467681215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferndias.blogspot.com/2011/10/o-sujeito-e-o-objecto-da-accao.html' title='O sujeito e o objecto da acção corporalizada em torno da natureza da cor'/><author><name>F. Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16265518232607474515</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/--jXoBl65xAA/TlihkyAE8VI/AAAAAAAABuI/rUoztZ8JmYs/s220/2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1840154856782996713.post-5924421500713267486</id><published>2011-10-18T14:07:00.001+01:00</published><updated>2011-12-15T12:53:10.279Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Metafísica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Razões para o bem</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Houve um tempona Terra em que não havia razões para nada. Apenas havia relações de causa eefeito. As razões surgiram a partir do momento em que surgiram os interesses. Osinteresses apareceram só depois de ter surgido uma espécie de proto-ADN, aquiloa que biólogos darwinistas deram o nome de interesse de replicadores naauto-replicação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A partir domomento em que começaram a existir replicadores interessados em seauto-replicar passou a existir aquilo a que podemos chamar “razões para o bem”.Nem tudo na Terra é bom para o interesse do replicador.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Como o interessena auto-preservação as fronteiras tornam-se importantes e passam a existirprocessos que têm como função perseverar nos interesses. E é assim que passa ahaver razões para algo. Distinguir na Terra aquilo que é bom daquilo que maupara a auto-preservação é a razão de ser das razões para o bem. É esta razãoque determina o sentido na vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; mso-line-height-rule: exactly;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A dada altura, aNatureza, segundo a mesma lógica, desenha organismos com consciência de si.Estes organismos tornam-se, por assim dizer, máquinas pensantes. Mas, emprimeiro lugar, máquinas pensantes, como nós, criaturas biológicas, sãomáquinas pensantes a partir de dentro e secundariamente máquinas pensantes apartir de fora. A subjectividade precede a objectividade. A máquina epistémica quenós somos a partir de fora (classificadores de categorias) é, usando a metáforade Stephen Jay Gould, uma exaptaçã
