segunda-feira, 24 de agosto de 2026

O Acordo de Meca



É a expressão de uma transformação mais profunda da distribuição do poder regional no Médio Oriente. O Acordo de Meca insere-se num processo de diversificação e de procura de autonomia estratégica que os Estados do Golfo iniciaram há bastante tempo.

O Acordo de Defesa Conjunta de Meca, também conhecido como Acordo de Meca, é um pacto trilateral de defesa mútua assinado em 7 de agosto de 2026 em Meca: Arábia Saudita; Paquistão; Turquia. Assinado pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, pelo presidente turco Recep Tayyip Erdoğan e pelo primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif. O acordo estabelece um mecanismo de defesa coletiva segundo o qual um ataque armado contra qualquer um dos três países será considerado um ataque contra todos os três. O acordo baseia-se no Acordo Estratégico de Defesa Mútua bilateral concluído entre a Arábia Saudita & Paquistão em setembro de 2025, estendendo um compromisso de defesa mútua comparável para incluir a Turquia. Foi assinado no contexto da Guerra do Irão, iniciada em fevereiro de 2026, bem como dos combates renovados entre a Arábia Saudita e as forças Houthis no vizinho Iémen.

Quando a Síria ruiu, o Irão limitou-se a ocupar o espaço vazio que as intervenções ocidentais tão diligentemente lhe haviam deixado. A Arábia Saudita está no centro desta transição, materializando a ambição declarada pelo príncipe Mohammed bin Salman. Riade combina recursos financeiros, investimento internacional e acesso político a Washington, Pequim, capitais europeias e asiáticas. A participação turca introduz, por sua vez, uma questão mais incómoda. Ancara já pertence à NATO, mas esta pertença não é suficiente para suprir a necessidade de alternativas. A seletividade de Washington, as dificuldades europeias em capacidades críticas e a experiência da guerra na Ucrânia devolveram atualidade a uma pergunta que durante décadas foi evitada: o que resta da capacidade militar da NATO se retirarmos os Estados Unidos da equação?

A Arábia Saudita opera sistemas americanos, enquanto a Turquia combina o ecossistema NATO com sistemas próprios. O Paquistão conserva F-16 e incorpora equipamento chinês. Meca reúne, assim, ecossistemas americanos, turcos/NATO e chineses. A autonomia dos três não exige uma separação dos Estados Unidos e o acordo terá contado com o seu aval, até para não depender exclusivamente deles. Este objetivo coincide com a estratégia americana orientada para o Indo-Pacífico, onde a militarização de vários aliados está a ocorrer com veemência.

Há ainda um ator que foi referido por não ter assinado em Meca: o Egito. Apesar de não estar presente, o Cairo tem sido um aliado muito importante para a região e a sua adesão permanece em aberto. Se ocorrer, acrescentará ao eixo o Mediterrâneo Oriental, Suez e o Mar Vermelho, para além do peso militar. O fim da ordem estabelecida em Ialta, cujo processo de desagregação foi acelerado pelo conflito na Ucrânia e pelo progressivo afastamento dos restantes países pós-soviéticos da esfera de influência russa. Já a guerra no Irão acelerou a desconstrução dos acordos de Sykes-Picot, acompanhada por uma transformação deliberada da arquitetura de segurança americana na região. 
A Conferência de Ialta, também chamada de Conferência da Crimeia, foi um conjunto de reuniões ocorridas entre 4 e 11 de fevereiro de 1945 no Palácio de Livadia, na estação balneária de Ialta, nas margens do Mar Negro, na Crimeia. Foi a segunda das três conferências em tempo de guerra entre os líderes das principais nações aliadas. A anterior havia ocorrido em Teerã, e a posterior em Potsdam. As potências Aliadas Ocidentais punham fim à Segunda Guerra Mundial com o selo da vitória.


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