A noção de Teoria Crítica designa uma escola de pensamento que, tendo começado a perfilar-se nos anos 20 do século XX, mais precisamente em 1923, ficou conhecida como a teoria crítica da Escola de Frankfurt, que reuniu, desde a primeira hora e em torno da revista Zeitschrift fur Sozialforschung, uma panóplia de investigadores: Weil, Grunberg, Horkheimer, Grossman, Wittfogel, Marcuse, From, Adorno e Habermas, entre outros. Os fundadores e continuadores desta escola, visando desenvolver uma teoria da sociedade numa perspectiva crítica, tiveram nas suas origens e percurso fortes influências marxistas, em particular por parte de hegeliano convertido ao marxismo: Lukács. Adorno e, em menor medida, Marcuse, tomam alguma distância crítica em relação à versão oficial do marxismo e, num contexto de crise económica e forte movimentação política, elaboram uma síntese criativa, tendo em conta as referidas tendências, sobretudo o marxismo, mas incentivando a implementação de estudos empíricos. Tecem cerradas críticas negativas à sociedade capitalista, sua racionalidade, civilização e reificação ideológica. Insurgem-se acerrimamente contra o positivismo, substituindo a objetividade do real pela consciência, a ideia de que os factos sociais falam por si, de que toda a teoria da sociedade é uma forma de ideologia.
A maior parte dos sociólogos e historiadores culturais concorda que aquilo que hoje se chama “woke” não nasceu nas redes sociais. As raízes estão principalmente em universidades norte-americanas entre os anos 1980 e 2000, dentro de vários campos académicos. Só décadas depois essas ideias passaram para o grande público. E alguns analistas dizem que o pico “woke” foi semelhante ao auge de outros movimentos culturais históricos, como o radicalismo estudantil de 1968 e a contracultura dos anos 60/70. Grande parte das bases vem da chamada Teoria Crítica definida acima. Durante os anos 1980–2000 surgiram vários departamentos focados em identidade e desigualdade, entre os quais avultam os: Estudos de Género; Estudos pós-coloniais; Teoria crítica de raça; Teoria Queer. Uma figura central neste desenvolvimento foi Kimberlé Crenshaw, que introduziu o conceito de Interseccionalidade. A ideia principal é que as pessoas podem sofrer diferentes formas de discriminação ao mesmo tempo (raça, género, classe, etc.).
- 1970–1990 – bases teóricas (teoria crítica, pós-estruturalismo)
- 1980–2000 – criação de campos académicos ligados a identidade
- 2005–2015 – cultura ativista em universidades
- 2013–2019 – expansão nas redes sociais
- 2020–2021 – explosão global e institucionalização
Muitos sociólogos e cientistas políticos apontam que a geração chamada Generation Z (nascidos aproximadamente entre 1995 e 2010) teve um papel importante na expansão do discurso “woke”, especialmente entre 2015 e 2022. Isso aparece em vários estudos de opinião, comportamento online e mobilização política. A Generation Z é a primeira geração que cresceu completamente com: smartphones; redes sociais permanentes; comunicação digital constante. Plataformas como: TikTok; Twitter; Instagram. Tudo isto facilitou e favoreceu a disseminação rápida de ideias políticas, especialmente em formato curto e emocional sob os auspícios da justiça social, identidade e ativismo moral.
Nas Plataformas digitais que antes eram vistas como dominadas por certos consensos progressistas tornaram-se mais plurais ou conflituosas. Um momento simbólico foi a compra do Twitter por Elon Musk em 2022, depois renomeado X. Nos últimos anos vários líderes ou partidos que criticam explicitamente a cultura woke ganharam terreno: Giorgia Meloni em Itália; Geert Wilders nos Países Baixos; crescimento do Alternative für Deutschland na Alemanha; forte presença de Marine Le Pen em França. Esses movimentos frequentemente fazem campanha contra: as políticas identitárias; a imigração de portas escancaradas; a linguagem inclusiva institucional. Empresas que antes participavam ativamente em debates culturais começaram a agir com mais cautela. Casos como a polémica envolvendo a marca Bud Light e a influenciadora Dylan Mulvaney levaram a boicotes organizados, queda de vendas e reavaliação de estratégias de marketing. Depois disso muitas empresas passaram a evitar posicionamentos políticos explícitos.
Em suma: as sociedades digitais vivem agora numa espécie de fadiga cultural. É a fadiga social das guerras culturais constantes. Depois de anos de debates intensos sobre: identidade de género; racismo estrutural; cancelamentos e linguagem inclusiva -- muitos eleitores começaram a priorizar temas como:
economia; habitação; segurança; imigração. Isso mudou o centro do debate político.







