O sistema político -- conjunto completo de instituições, regras, práticas e relações -- é a forma como as instituições do poder de um país estão organizadas. Inclui não só o governo, mas também partidos, leis, eleições, tribunais, forças armadas e cidadãos. Ou seja, é o funcionamento geral da política.
O regime político é a forma como o poder é exercido dentro do sistema político. Refere-se principalmente às regras de acesso ao poder e à forma de governação. Por exemplo = o regime do sistema político de Portugal desde 25 de abril de 1974 = é uma República Democrática Semipresidencialista. O regime da Coreia do Norte = é uma autocracia hereditária; como eram na Europa medieval as monarquias. O regime da União Soviética = era uma ditadura totalitária. O Reino Unido = é uma Monarquia Parlamentar. A França, tal como os EUA = é uma República Democrática Presidencialista.
Então, num regime democrático, o poder é exercido de forma menos autoritária e mais negociada. Num dado momento de um país, com regime democrático, o poder executivo (o governo), mesmo querendo fazer reformas profundas no sistema político, poderá fracassar se não for hábil em negociar com a oposição. E a tendência pode ser para endurecer as negociações, ao ponto de se tornar menos liberal, menos democrático. Num regime democrático, o poder pode realmente ser exercido de forma mais negociada/consensual, mas menos eficaz; e pode adotar outra forma mais impositiva/centralizada. Mas o método que terá mais sucesso em fazer reformas depende de vários fatores, é mais conjuntural. Depende do tipo de reforma, do apoio político do momento, e de outras instituições e contexto social. Não existe uma resposta única, mas a Ciência Política dá alguns padrões. Por exemplo, a Hungria de Viktor Orban no poder durante 16 anos tornou-se uma Democracia iliberal.
Em democracia, reformas duradouras costumam funcionar melhor com negociação. Em sistemas democráticos, decisões impostas sem acordo tendem a gerar resistência, protestos ou reversões. Isso acontece porque a democracia se baseia em eleições, parlamento, oposição, opinião pública e tribunais. Tudo isso obriga a negociar. As "reformas" negociadas levam mais tempo a ser obtidas, mas depois são mais estáveis.
A forma mais autoritária pode ser mais rápida, mas tem mais risco de ser revertida a curto prazo. Mesmo em democracias, governos às vezes tentam governar de forma mais centralizada quando dizem que é preciso “fazer reformas urgentes”. Isso pode acontecer quando há crise económica e maioria parlamentar forte. Ou quando há pressão externa (UE, FMI, guerra). Durante a crise da dívida de 2008 na Grécia e em Portugal, muitas reformas foram feitas entre 2011 e 2015 sob tutela da "Troica" - com pouca margem de negociação. Foram rápidas, mas geraram grande contestação social.
A comparação entre o modelo da China e o da União Europeia aparece muito no debate atual, sobretudo por causa da ideia de que regimes mais autoritários conseguem decidir mais rápido, enquanto as democracias se arrastam em discussões infindáveis. Mas a resposta sobre quem terá mais sucesso no progresso depende do que entendemos por progresso num determinado horizonte temporal. A China decide mais rápido porque o sistema é centralizado e não democrático. O regime chinês é de partido único, controlado pelo Partido Comunista Chinês. Isso permite: decisões rápidas; planos de longo prazo, porque não está sujeito a eleições a cada 4 anos; é possível fazer investimentos públicos coordenados (infraestruturas, tecnologia, indústria) sem oposição institucional. Por isso a China conseguiu: crescimento económico muito rápido sob a liderança de Deng Xiaoping [1082-1987]; grandes obras públicas; avanço industrial e tecnológico.
A metáfora dos “bizantinos a discutir o sexo dos anjos” exprime o que se passou nos prolegómenos da queda de Constantinopla em 1453 às mãos dos turcos otomanos. Após conquistar a cidade, o sultão Maomé II transferiu a capital do Estado otomano de Edirne para Constantinopla. E estabeleceu a sua corte ali. Diz-se que as elites discutiam teologia enquanto o império já estava com sinais de vir a ser invadido. Hoje esta metáfora é usada para criticar quando a burocracia e a negociação é excessiva: muito debate, muita discussão estéril. E as decisões não aparecem, as propostas não se concretizam em resultados positivos. A grande dúvida neste momento do século XXI é exatamente para onde vão as democracias: se vão reabilitar-se como sociais e liberais; ou iliberais tendencialmente autocráticas. Ninguém ainda sabe qual será o resultado final.








