A noção de Teoria Crítica designa uma escola de pensamento que, tendo começado a perfilar-se nos anos 20 do século XX, mais precisamente em 1923, ficou conhecida como a teoria crítica da Escola de Frankfurt, que reuniu, desde a primeira hora e em torno da revista Zeitschrift fur Sozialforschung, uma panóplia de investigadores: Weil, Grunberg, Horkheimer, Grossman, Wittfogel, Marcuse, From, Adorno e Habermas, entre outros. Os fundadores e continuadores desta escola, visando desenvolver uma teoria da sociedade numa perspectiva crítica, tiveram nas suas origens e percurso fortes influências marxistas, em particular por parte de hegeliano convertido ao marxismo: Lukács. Adorno e, em menor medida, Marcuse, tomam alguma distância crítica em relação à versão oficial do marxismo e, num contexto de crise económica e forte movimentação política, elaboram uma síntese criativa, tendo em conta as referidas tendências, sobretudo o marxismo, mas incentivando a implementação de estudos empíricos. Tecem cerradas críticas negativas à sociedade capitalista, sua racionalidade, civilização e reificação ideológica. Insurgem-se acerrimamente contra o positivismo, substituindo a objetividade do real pela consciência, a ideia de que os factos sociais falam por si, de que toda a teoria da sociedade é uma forma de ideologia.
Os Estudos Culturais são um campo de investigação de caráter interdisciplinar que explora as formas de produção ou criação de significados e de difusão dos mesmos nas sociedades atuais. Nessa perspectiva, a criação de significado e dos discursos reguladores das práticas significantes da sociedade revelam o papel apresentado pelo poder na regulação das atividades quotidianas das formações sociais. Os Estudos Culturais são um ramo das humanidades particularmente forte no mundo de fala inglesa, e se desenvolveram em particular nos EUA a partir dos anos 1960, no contexto do surgimento do pós-modernismo, multiculturalismo, feminismo na sua segunda vaga. Um dos principais contribuintes dos Estudos Culturais Ingleses foi Stuart Hall - O sociólogo de origem jamaicana diretor do Center for Contemporany Cultural Studies (CCCS), localizado na Universidade de Birmingham. Entre as principais contribuições está a Teoria da Recepção - tese que organiza a comunicação em um processo de codificação decodificação da mensagem. Nos EUA foi descrito por alguns historiadores como o maior movimento de protesto desde os anos 1960. Isso colocou temas de racismo estrutural e justiça social no centro absoluto da política e da cultura.
A maior parte dos sociólogos e historiadores culturais concorda que aquilo que hoje se chama “woke” não nasceu nas redes sociais. As raízes estão principalmente em universidades norte-americanas entre os anos 1980 e 2000, dentro de vários campos académicos. Só décadas depois essas ideias passaram para o grande público. E alguns analistas dizem que o pico “woke” foi semelhante ao auge de outros movimentos culturais históricos, como o radicalismo estudantil de 1968 e a contracultura dos anos 60/70. Grande parte das bases vem da chamada Teoria Crítica definida acima. Durante os anos 1980–2000 surgiram vários departamentos focados em identidade e desigualdade, entre os quais avultam os: Estudos de Género; Estudos pós-coloniais; Teoria crítica de raça; Teoria Queer. Uma figura central neste desenvolvimento foi Kimberlé Crenshaw, que introduziu o conceito de Interseccionalidade. A ideia principal é que as pessoas podem sofrer diferentes formas de discriminação ao mesmo tempo (raça, género, classe, etc.).
Resumo do percurso:
- 1970–1990 – bases teóricas (teoria crítica, pós-estruturalismo)
- 1980–2000 – criação de campos académicos ligados a identidade
- 2005–2015 – cultura ativista em universidades
- 2013–2019 – expansão nas redes sociais
- 2020–2021 – explosão global e institucionalização
Entre 2020 e 2021 houve uma onda de revisão histórica: remoção de estátuas de figuras coloniais
mudança de nomes de escolas e ruas e revisão de currículos escolares. Um dos casos mais famosos foi o derrube da estátua de Edward Colston em Bristol. Nos EUA também foram removidas muitas estátuas ligadas à American Civil War. Isso simbolizou o auge da ideia de reexaminar o passado através da lente da justiça social. Isso gerou o debate sobre “cancel culture”, termo popularizado após a publicação da “Harper’s Letter” em 2020 na revista Harper's Magazine.
Muitos sociólogos e cientistas políticos apontam que a geração chamada Generation Z (nascidos aproximadamente entre 1995 e 2010) teve um papel importante na expansão do discurso “woke”, especialmente entre 2015 e 2022. Isso aparece em vários estudos de opinião, comportamento online e mobilização política. A Generation Z é a primeira geração que cresceu completamente com: smartphones; redes sociais permanentes; comunicação digital constante. Plataformas como: TikTok; Twitter; Instagram. Tudo isto facilitou e favoreceu a disseminação rápida de ideias políticas, especialmente em formato curto e emocional sob os auspícios da justiça social, identidade e ativismo moral.
A partir de 2024 já começa a ser nítida a reviravolta. Em vários países começa a surgir a juventude conservadora. As redes sociais polarizam-se ainda mais e começam a aparecer em crescendo os influenciadores anti-woke. A mesma geração que ajudou a expandir o discurso woke também está a produzir uma reação contracultural dentro da própria geração. Duas subculturas muito fortes a crescer ao mesmo tempo dentro da mesma geração. É a partir daqui que alguns analistas falam numa possível “era pós-woke”. A ideia não significa que valores progressistas desapareceram, mas que o momento de maior influência cultural e institucional desse discurso pode ter passado. Há vários sinais que levam a essa interpretação.
Nas Plataformas digitais que antes eram vistas como dominadas por certos consensos progressistas tornaram-se mais plurais ou conflituosas. Um momento simbólico foi a compra do Twitter por Elon Musk em 2022, depois renomeado X. Nos últimos anos vários líderes ou partidos que criticam explicitamente a cultura woke ganharam terreno: Giorgia Meloni em Itália; Geert Wilders nos Países Baixos; crescimento do Alternative für Deutschland na Alemanha; forte presença de Marine Le Pen em França. Esses movimentos frequentemente fazem campanha contra: as políticas identitárias; a imigração de portas escancaradas; a linguagem inclusiva institucional. Empresas que antes participavam ativamente em debates culturais começaram a agir com mais cautela. Casos como a polémica envolvendo a marca Bud Light e a influenciadora Dylan Mulvaney levaram a boicotes organizados, queda de vendas e reavaliação de estratégias de marketing. Depois disso muitas empresas passaram a evitar posicionamentos políticos explícitos.
Em suma: as sociedades digitais vivem agora numa espécie de fadiga cultural. É a fadiga social das guerras culturais constantes. Depois de anos de debates intensos sobre: identidade de género; racismo estrutural; cancelamentos e linguagem inclusiva -- muitos eleitores começaram a priorizar temas como:
economia; habitação; segurança; imigração. Isso mudou o centro do debate político.
O momento em que essas ideias passaram definitivamente do mundo académico para o centro da política e cultura foi após a morte de George Floyd em 2020. O movimento Black Lives Matter levou esse vocabulário para a política nacional, empresas, media & entretenimento. Durante algum tempo, conceitos que nasceram em universidades tornaram-se parte do discurso dominante.
Muitos sociólogos e cientistas políticos apontam que a geração chamada Generation Z (nascidos aproximadamente entre 1995 e 2010) teve um papel importante na expansão do discurso “woke”, especialmente entre 2015 e 2022. Isso aparece em vários estudos de opinião, comportamento online e mobilização política. A Generation Z é a primeira geração que cresceu completamente com: smartphones; redes sociais permanentes; comunicação digital constante. Plataformas como: TikTok; Twitter; Instagram. Tudo isto facilitou e favoreceu a disseminação rápida de ideias políticas, especialmente em formato curto e emocional sob os auspícios da justiça social, identidade e ativismo moral.
Nos EUA e em grande parte da Europa, esta geração é mais diversa racial e culturalmente do que as anteriores. Isso contribuiu para maior atenção a temas como: racismo estrutural; imigração; identidade cultural; igualdade de género. Estudos do Pew Research Center mostram que jovens da Gen Z tendem a ser mais progressistas em questões sociais do que gerações anteriores. A Gen Z cresceu durante várias crises importantes: crise financeira global de Global Financial Crisis; pandemia de COVID-19; aumento da ansiedade climática ligada ao aquecimento global e às mudanças ambientais; polarização política intensa. Muitos investigadores dizem que gerações politizam-se mais quando crescem em períodos de instabilidade.
O slogan da imagem supra, espalhado abundantemente nos departamentos universitários das humanidades, e os chamados programas DEI, começam a recuar. Durante 2020–2021 muitas instituições criaram programas DEI (Diversity, Equity, Inclusion). a partir de 2024 começaram a aparecer sinais de recuo: algumas empresas reduziram departamentos DEI; universidades enfrentaram críticas e processos legais; maior escrutínio político sobre esses programas. Em parte isso relaciona-se com decisões judiciais importantes, como a do Supreme Court of the United States que limitou políticas de ação afirmativa em universidades em 2023.
Nas Plataformas digitais que antes eram vistas como dominadas por certos consensos progressistas tornaram-se mais plurais ou conflituosas. Um momento simbólico foi a compra do Twitter por Elon Musk em 2022, depois renomeado X. Nos últimos anos vários líderes ou partidos que criticam explicitamente a cultura woke ganharam terreno: Giorgia Meloni em Itália; Geert Wilders nos Países Baixos; crescimento do Alternative für Deutschland na Alemanha; forte presença de Marine Le Pen em França. Esses movimentos frequentemente fazem campanha contra: as políticas identitárias; a imigração de portas escancaradas; a linguagem inclusiva institucional. Empresas que antes participavam ativamente em debates culturais começaram a agir com mais cautela. Casos como a polémica envolvendo a marca Bud Light e a influenciadora Dylan Mulvaney levaram a boicotes organizados, queda de vendas e reavaliação de estratégias de marketing. Depois disso muitas empresas passaram a evitar posicionamentos políticos explícitos.
Em suma: as sociedades digitais vivem agora numa espécie de fadiga cultural. É a fadiga social das guerras culturais constantes. Depois de anos de debates intensos sobre: identidade de género; racismo estrutural; cancelamentos e linguagem inclusiva -- muitos eleitores começaram a priorizar temas como:
economia; habitação; segurança; imigração. Isso mudou o centro do debate político.




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