domingo, 29 de março de 2026

A posição de Pedro Sánchez em relação à Guerra no Irão


O primeiro-ministro espanhol reiterou há poucos dias que a guerra iniciada com ataques dos EUA e Israel ao Irão é ilegal. E falou em "desastre absoluto" num cenário "muito pior" do que o de 2003, com o Iraque. Disse-o no Parlamento Nacional de Espanha, para explicar a posição do Governo em relação à situação no Médio Oriente. Repetiu o "não à guerra", que assumiu desde os primeiros ataques ao Irão, em 28 de março. Voltou a condenar os Estados Unidos e Israel por terem iniciado o conflito. Sánchez sublinhou que o Irão, ao contrário do Iraque, é uma "potência militar" e tem um poder económico várias vezes superior, com impacto a nível mundial, e considerou que a guerra atual é já "um desastre absoluto", por ter sido iniciada sem qualquer consulta ou aviso por parte dos EUA aos aliados, sem "amparo legal" e sem um "objetivo definido". Isto a poucos dias depois de notícias que davam conta de avanços em negociações com o regime de Teerão. Até representantes norte-americanos confirmavam que não existia uma ameaça nuclear iminente. Sánchez reiterou que Espanha não autorizou os EUA a usarem bases militares em território espanhol para qualquer operação relacionada com os ataques ao Irão, incluindo planos de voo para reabastecimento de aeronaves.


Estamos numa fase diferente da política externa e mesmo das relações entre Estados ao abrigo das Nações Unidas. Defender o Direito Internacional não chega. Isto pode parecer paradoxal, mas evocar o Direito Internacional pode não defender o Direito Internacional. O Conselho de Segurança é um embuste por causa do poder de veto do núcleo duro. Neste caso, nenhuma resolução passaria com o veto, pelo menos, da Rússia. A posição mais cautelosa dos outros líderes europeus é construtiva na medida do “bom-senso", ou da clássica expressão “realpolitik”.

Nós temos aqui um homem que sempre fez pela vida. E sempre fez pela vida tentando as melhores opções. Pedro Sánchez lidera efetivamente um governo de coligação de esquerda: Em 2020, governou com o Unidas Podemos (primeiro governo de coligação da democracia espanhola). Desde 2023, governa com a plataforma Sumar (que sucedeu ao Unidas Podemos como parceiro principal). Como nenhum destes governos teve maioria absoluta, Sánchez precisou de apoios parlamentares adicionais para ser investido e governar. Entre esses partidos estão: ERC (independentistas catalães); Junts per Catalunya; EH Bildu; PNV; BNG; Coalición Canaria. Esses apoios foram decisivos na investidura e na aprovação de leis. Mas o núcleo duro é constituído com Yolanda Díaz Pérez, a líder da plataforma Sumar.


Da maioria dos outros grupos deve-se salientar que quase todos querem a saída imediata da Espanha da NATO. Por outro lado veem os Estados Unidos como o grande provocador Internacional. Nenhum deles acha que a Rússia é um problema sério para a Europa e acham que a Espanha hoje não mais uma potência, digamos assim, em crescimento, mas que é uma potência média quase a chegar ao nível de uma França ou de uma Alemanha. Porque em termos económicos têm crescido bastante, para além dos quase 50 milhões da sua população.

Sánchez, que já por várias vezes perdeu e ganhou eleições, foi buscar a ala mais extrema, ou seja, aqueles partidos que estão dispostos a tudo para terem um pouco de poder. Por outro lado o PSOE tem tanto ligações com o Irão, como também tem com a Venezuela. Razão pela qual aquando da intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, Donald Trump avisou logo que politicamente não queria mais a Espanha a influenciar a política venezuelana. O que nós temos aqui é um pragmático que sabe que quer vencer as eleições de julho de 2027. Estava atrás das sondagens antes da guerra dos EUA e de Israel com o Irão. Entretanto já está à frente, embora não se saiba por quanto tempo. As questões da guerra são muito complicadas em Espanha porque criaram uma fissura muito grande. Sabendo que esses partidos são todos contra a NATO, ele faz a coisa mais óbvia que é um discurso contra Donald Trump, grande alvo a abater. Ele precisa desses partidos radicais, porque já precisou na últimas eleições.

Uma das coisas que mais unia toda esta dinâmica política era a questão da NATO da participação da Espanha em conflitos internacionais. E assim se procura equilibrar neste jogo de cintura com a política central Europeia, o eixo Paris = Berlim. Mais, Sánchez quer que este eixo seja Madrid = Paris = Berlim. Ou seja, a Espanha que se considera então uma potência já não pequena mas uma potência média a chegar quase uma potência que tem capacidade de dizer não aos Estados Unidos. Já o disse quando foi a questão do orçamento da NATO. E diz agora, porque Sanches acredita no pluralismo democrático. Acredita que de alguma forma os Estados Unidos, ou então o Presidente dos Estados Unidos, estão ligados a movimentos de extrema-direita. Algo pragmático quando se apercebeu que ao ter este tipo de capacidade política, e ao fazer este discurso, pode ser a corrente dentro da Europa que lidera uma certa esquerda. Faz ver que é o último dos socialistas que ainda está no poder, numa Europa que está a virar muito à direita, mais radical.

EH Bildu inclui setores da esquerda independentista basca. Alguns críticos consideram o EH Bildu como “herdeiro político” do universo da ETA. Mas é um partido legal e institucional. participa no parlamento democrático. Não é uma aliança ideológica total, mas sim negociação política concreta. Um orçamento pode exigir concessões diferentes de uma lei laboral. Porque é que isto gera polémica? Há três razões principais: Negociar com partidos que querem independência (Catalunha, País Basco) gera tensão; Medidas como a amnistia são vistas por críticos como excessivas; EH Bildu – a ligação histórica ao ambiente político da ETA torna qualquer acordo politicamente sensível. Isso – não um “acordo formal” sobre política externa – cria pressão política interna. Forte crítica às ações militares de Israel em Gaza. Defesa de cessar-fogo. Reconhecimento do Estado palestiniano (posição política assumida). Sánchez tende a adotar: um tom mais crítico de Israel, linguagem mais diplomática sobre conflitos. Parcialmente alinhado com a esquerda que o apoia.

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