O primeiro-ministro espanhol reiterou há poucos dias que a guerra iniciada com ataques dos EUA e Israel ao Irão é ilegal. E falou em "desastre absoluto" num cenário "muito pior" do que o de 2003, com o Iraque. Disse-o no Parlamento Nacional de Espanha, para explicar a posição do Governo em relação à situação no Médio Oriente. Repetiu o "não à guerra", que assumiu desde os primeiros ataques ao Irão, em 28 de março. Voltou a condenar os Estados Unidos e Israel por terem iniciado o conflito. Sánchez sublinhou que o Irão, ao contrário do Iraque, é uma "potência militar" e tem um poder económico várias vezes superior, com impacto a nível mundial, e considerou que a guerra atual é já "um desastre absoluto", por ter sido iniciada sem qualquer consulta ou aviso por parte dos EUA aos aliados, sem "amparo legal" e sem um "objetivo definido". Isto a poucos dias depois de notícias que davam conta de avanços em negociações com o regime de Teerão. Até representantes norte-americanos confirmavam que não existia uma ameaça nuclear iminente. Sánchez reiterou que Espanha não autorizou os EUA a usarem bases militares em território espanhol para qualquer operação relacionada com os ataques ao Irão, incluindo planos de voo para reabastecimento de aeronaves.
Estamos numa fase diferente da política externa e mesmo das relações entre Estados ao abrigo das Nações Unidas. Defender o Direito Internacional não chega. Isto pode parecer paradoxal, mas evocar o Direito Internacional pode não defender o Direito Internacional. O Conselho de Segurança é um embuste por causa do poder de veto do núcleo duro. Neste caso, nenhuma resolução passaria com o veto, pelo menos, da Rússia. A posição mais cautelosa dos outros líderes europeus é construtiva na medida do “bom-senso", ou da clássica expressão “realpolitik”.
Da maioria dos outros grupos deve-se salientar que quase todos querem a saída imediata da Espanha da NATO. Por outro lado veem os Estados Unidos como o grande provocador Internacional. Nenhum deles acha que a Rússia é um problema sério para a Europa e acham que a Espanha hoje não mais uma potência, digamos assim, em crescimento, mas que é uma potência média quase a chegar ao nível de uma França ou de uma Alemanha. Porque em termos económicos têm crescido bastante, para além dos quase 50 milhões da sua população.
Sánchez, que já por várias vezes perdeu e ganhou eleições, foi buscar a ala mais extrema, ou seja, aqueles partidos que estão dispostos a tudo para terem um pouco de poder. Por outro lado o PSOE tem tanto ligações com o Irão, como também tem com a Venezuela. Razão pela qual aquando da intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, Donald Trump avisou logo que politicamente não queria mais a Espanha a influenciar a política venezuelana. O que nós temos aqui é um pragmático que sabe que quer vencer as eleições de julho de 2027. Estava atrás das sondagens antes da guerra dos EUA e de Israel com o Irão. Entretanto já está à frente, embora não se saiba por quanto tempo. As questões da guerra são muito complicadas em Espanha porque criaram uma fissura muito grande. Sabendo que esses partidos são todos contra a NATO, ele faz a coisa mais óbvia que é um discurso contra Donald Trump, grande alvo a abater. Ele precisa desses partidos radicais, porque já precisou na últimas eleições.
EH Bildu inclui setores da esquerda independentista basca. Alguns críticos consideram o EH Bildu como “herdeiro político” do universo da ETA. Mas é um partido legal e institucional. participa no parlamento democrático. Não é uma aliança ideológica total, mas sim negociação política concreta. Um orçamento pode exigir concessões diferentes de uma lei laboral. Porque é que isto gera polémica? Há três razões principais: Negociar com partidos que querem independência (Catalunha, País Basco) gera tensão; Medidas como a amnistia são vistas por críticos como excessivas; EH Bildu – a ligação histórica ao ambiente político da ETA torna qualquer acordo politicamente sensível. Isso – não um “acordo formal” sobre política externa – cria pressão política interna. Forte crítica às ações militares de Israel em Gaza. Defesa de cessar-fogo. Reconhecimento do Estado palestiniano (posição política assumida). Sánchez tende a adotar: um tom mais crítico de Israel, linguagem mais diplomática sobre conflitos. Parcialmente alinhado com a esquerda que o apoia.


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