A menos que Pequim esteja disposta a reduzir as suas ambições. Ou Washington aceite tornar-se o número dois no Pacífico. Um conflito comercial, um ataque cibernético ou um acidente no mar podem em breve transformar-se num novo conflito mundial. A razão é a Armadilha de Tucídides, um padrão mortal de stress estrutural que ocorre quando um poder em ascensão desafia um governante. Este fenómeno é tão antigo quanto a própria história. Sobre a Guerra do Peloponeso, que devastou a Grécia antiga, o historiador Tucídides explicou: "Foi a ascensão de Atenas e o medo que isso instilou em Esparta que tornou a guerra inevitável". Nos últimos 500 anos, essas condições ocorreram 16 vezes e houve guerra em doze desses casos. Hoje, uma China imparável que se aproxima de uma América imóvel, parece anunciar o décimo sétimo caso.
Esta tese já Graham Allison havia postulado em “Destined for War”. É a melhor lente para entender as relações EUA-China no século XXI. Através de estranhos paralelos históricos e cenários de guerra, bem perto podemos estar de um cenário impensável. No entanto a guerra não é inevitável, Allison também revela como potências conflituosas mantiveram a paz no passado. Há passos dolorosos que os Estados Unidos e a China devem dar para evitar o desastre hoje. A “Armadilha de Tucídides” – inspirada na obra de Tucídides “A Guerra do Peloponeso” – é uma teoria das relações internacionais que descreve o risco de guerra quando uma potência emergente ameaça substituir uma potência dominante.
Tucídides escreveu, em essência: “Foi a ascensão de Atenas e o medo que isso provocou em Esparta que tornou a guerra inevitável.” A ideia central é esta: uma potência em ascensão (Atenas no século V a.C.) começa a desafiar a potência estabelecida (Esparta). E o medo, desconfiança e rivalidade entre ambas aumentam o risco de conflito, mesmo que nenhuma queira guerra inicialmente.
A China é hoje uma potência ascendente. E os Estados Unidos, potência dominante, dá sinais de já ter entrado no início da curva descendente quanto às disputas comerciais e à corrida tecnológica. E em relação ao poderio militar está ainda longe, mas vai-se aproximando dos Estados Unidos, sobretudo nos mares Indo-Pacífico e nos portos estratégicos da competição geopolítica.
Embora a frase original soe determinista, muitos estudiosos criticam o conceito por simplificar demais a história. Há casos em que transições de poder ocorreram sem guerra significativa, como a passagem de liderança global do Reino Unido para os Estados Unidos no século XX. Por isso, hoje a “armadilha de Tucídides” é mais vista como um alerta sobre dinâmicas perigosas entre grandes potências, e não uma lei inevitável da história.


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