A final do 70.º Festival Eurovisão da Canção foi disputada ontem em Viena com a participação de 26 países. E ficou marcada pelo boicote de outros cinco países – Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia – devido aos ataques militares de Israel no território palestiniano da Faixa de Gaza. Em Espanha, cerca de um milhar de pessoas manifestou-se ontem em Barcelona, exigindo um embargo de armas efetivo contra Israel e o fim das relações diplomáticas, económicas e militares com o país. Durante a transmissão, ontem, a televisão pública de Espanha RTVE emitiu uma mensagem na qual se lia que "O Festival da Eurovisão é um concurso, mas os direitos humanos não. Não há lugar à indiferença. Paz e justiça para a Palestina".
A Bulgária, foi o país vencedor da Eurovisão 2026, com a canção intitulada "Bangaranga", interpretada por Dara. Recebeu 516 pontos. Mas Israel ficou em segundo lugar, tendo arrecadado 343 pontos.
A Eurovisão tornou-se “camp” porque é um formato televisivo muito competitivo, mas com uma estética exageradamente performativa e teatral. Ao longo dos anos, criaram-se tendências regionais bastante reconhecíveis, embora com muitas exceções. O evento é, no fundo, um concurso musical pop com audiência muito ampla. O festival sempre valorizou espetáculo, exagero visual, figurinos marcantes, drama emocional e atuações excêntricas. Este tipo de estética, não deve ser por acaso, cuja designação é “camp”, tem longa associação cultural com públicos LGBT desde o século XX. Este Festival da Canção tem uma ligação histórica muito forte com partes da comunidade LGBT, especialmente a comunidade gay masculina.
Muitos fãs veem a Eurovisão como um espaço relativamente seguro e internacional, onde diferenças culturais e identidades são celebradas em vez de reprimidas. Isso tornou o evento especialmente popular entre pessoas LGBT em países mais conservadores. A mulher trans tornou-se símbolo importantes de visibilidade LGBT. A Eurovisão funciona muito como "fandom pop" = semelhante ao que acontece com divas pop, musicais ou drag culture. E esses espaços tendem historicamente a ter forte presença LGBT. Em suma, a organização do festival passou nas últimas décadas a comunicar explicitamente valores de diversidade e inclusão, o que reforçou ainda mais essa associação pública. Em todo o caso, isso não retira um certo exagero na forma como quem caricatura isto.
Portanto, não havendo “fumo” sem fogo, existe uma ligação cultural genuína e visível entre a Eurovisão e partes da comunidade LGBT. O “incêndio”, exagerado no comentário da "má língua", seria concluir que o Festival da Canção pertence exclusivamente a essa comunidade, ou que foi criado para esse fim. A associação cresceu organicamente ao longo de décadas por afinidade estética, social e simbólica. O que se pode dizer, de forma mais rigorosa e menos caricatural, é a comunidade LGBT é visivelmente mais representada aqui do que na população em geral. Na prática, é um evento "mainstream" europeu com uma subcultura de fãs muito diversa, onde a presença LGBT marca pontos. E isso acabou por se tornar parte da sua identidade mediática.

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