sábado, 4 de julho de 2026

Hoje comemoram-se os 250 anos dos EUA

 



Qualquer ideologia pode funcionar como um veneno para o cérebro. E, todavia, toda a ideologia passada quisera fazer com que cada cidadão do seu país almejasse a felicidade. E que cada cidadão no futuro pudesse ter a sua modesta parte das coisas boas da vida. Ora, nos limites de cada país isso sempre se revelou impossível. Muita coisa que os povos conseguiram de bom, de importante, foram obtidas tirando-as aos outros.

Há justiça nisso? Enquanto cada povo tiver a força e o poder, sim. No que se refere à justiça, a sua instância nunca é absoluta. Cada povo define a sua verdade e a sua justiça. Porque há sempre um dia em que vem uma noite mais escura, e o poder esboroa-se. E nessa circunstância tem-se de sofrer a justiça dos outros. Por mais terrível que isso possa ser, não deixa de ser justo.

Não é de ânimo leve que um soldado, que não seja um psicopata, se possa transformar num torcionário, num homicida em massa. Como foram possíveis as execuções perpetradas no tempo do Holocausto? Porque com os atos que praticaram, muito pior do que o cheiro a sangue e a cadáver, foi o que devem ter sofrido ao ver nos olhos das vítimas aquele indizível terror, aquela dor moral de um condenado à morte por nada. condenados. Nenhum homem fuzila - uma mulher, uma criança, um velho - sem estar a ver na sua imaginação os seus entes queridos que podiam estar ali em vez deles. A sua mulher, o seu filho, ou o seu pai. O Outro existe, é um facto, não é uma opinião. Nenhuma vontade, nenhuma ideologia, pode romper esse laço que aperta toda a humanidade.

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