A extrema-direita sueca [Democratas da Suécia], nestas eleições de setembro de 2026, não está com a mesma força que conseguiu entre 2014–2022. A disputa ficou muito equilibrada, com os Sociais-Democratas ainda como maior partido. Ainda assim, importa continuar a perguntar por que razão uma população que continua a apoiar fortemente o Estado social, começou simultaneamente a apoiar um partido nacionalista.
A Suécia não sofreu simplesmente uma “viragem à direita” económica. O fenómeno desde 2015 foi sobretudo uma viragem à direita por causa de vários fatores que embrincam uns nos outros: imigração; integração; criminalidade; segurança; identidade nacional. Isso acabou por arrastar os partidos tradicionais de centro-direita. Em parte, os próprios Sociais-Democratas – tiveram de preconizar posições mais restritivas. Há bastante evidência académica sobre isto. A mudança eleitoral foi particularmente forte entre segmentos da população sueca de origem nativa, embora não exclusivamente.
A Suécia tinha uma das políticas de asilo mais abertas da Europa. Em 2015 recebeu um número extraordinariamente elevado de requerentes de asilo se considerarmos a sua relação per capita. Inicialmente, a atitude pública sueca perante os refugiados foi relativamente favorável. Mas depois, a pressão sobre habitação, escolas, assistência social, municípios e integração começou a alterar a percepção. O dado politicamente decisivo foi o próprio governo social-democrata ter acabado por inverter no tipo de políticas no final de 2015. Teve de reconhecer que a capacidade de acolhimento tinha sido ultrapassada. Em consequência disso, meteu travões a fundo, puxou o travão de mão, e anunciou uma redução drástica da entrada de estrangeiros.
A Suécia passou a experimentar níveis muito elevados de violência armada associada a gangues, sobretudo em determinados bairros urbanos socialmente segregados. Em 2022, por exemplo, a violência com armas de fogo tinha-se tornado um dos principais temas eleitorais. Porque é que um país que tinha conseguido uma integração social extraordinariamente elevada passou a ter comunidades tão difíceis de integrar e redes criminosas tão poderosas? A resposta foi logo imediata por parte da extrema-direita: [imigração excessiva + integração insuficiente + multiculturalismo]. Ainda que isso não signifique que os imigrantes, enquanto grupo, sejam a causa da criminalidade.
A Suécia tinha construído durante décadas uma sociedade relativamente homogénea, com: elevada confiança social; forte Estado Providência; baixa criminalidade; instituições muito eficazes; elevado grau de participação cívica; uma cultura relativamente consensual. A imigração rápida alterou algumas zonas do país muito mais depressa do que a capacidade de integração. Surgiram áreas com: elevada concentração de população estrangeira; desemprego elevado; menor domínio do sueco; segregação residencial; escolas muito diferentes das escolas de outras zonas; presença de gangues; menor confiança nas instituições.
A questão deixou de ser apenas económica para passar a ser: “Que tipo de país queremos continuar a ser?” Mas mais do que isso, o que alertou o eleitorado, foi os partidos tradicionais da democracia social e liberal, não só terem feito ouvidos de mercador, como até negaram o que estava à vista de todos. Estudos sobre os eleitores confirmaram que o seu voto num partido conotado com a extrema-direita -- Democratas da Suécia -- foi a permissividade dos partidos da esquerda e centro-esquerda em políticas de imigração demasiado descontroladas [2010 - 5,7%; 2014 - 12,9%; 2018 - 17,5%; 2022 - 20,5%; 2026 - 17,5%].
Os partidos de esquerda tinham rompido com o eleitorado popular, com discurso de superioridade moral. A esquerda à medida que ampliava a sua voz nos media diminuía a sua base de apoio. Grande parte da esquerda acreditou que perdeu porque “não explicou bem”. Os media distorceram e as pessoas foram manipuladas. Ora, erro fatal: os eleitorados não se educam, representam-se. A realidade é mais crua e não se embala com fantasias, nem moralidades arrogantes. A esquerda nunca quis aceitar que a imigração, segurança e pressão sobre serviços são os temas que mais preocupam as pessoas da classe média remediada. São legítimos, não desvios reacionários. A esquerda dinamarquesa já percebeu isso.

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