Jovens que se identificam no Tik Tok com animais estão a recorrer a clínicas veterinárias. A Ordem dos Médicos Veterinários em Portugal já definiu orientações para lidar com estes casos. A Ordem dos Médicos Veterinários refere que, perante estes casos, os profissionais devem manter uma postura respeitosa e informativa, esclarecendo os limites legais da medicina veterinária e encaminhando a pessoa a um médico apropriado. Em Portugal, chegou a ser marcado um evento em Vila Real, em fevereiro transato, no qual vários destes jovens se deveriam encontrar para conviver. No entanto, face às críticas, o evento acabou por não se realizar. Especialistas em saúde mental e em comportamento social têm acompanhado de perto o crescimento deste fenómeno, que é sobretudo popular entre adolescentes e jovens adultos.
Pessoas que se identificam com animais cresce a cada dia que passa. Os “therians” voltaram a ser o centro das atenções, depois de a CNN Portugal ter noticiado que alguns jovens, no estrangeiro, procuram ser atendidos por clínicas veterinárias. Em Portugal ainda não há registo.Os “therians” ganharam popularidade no TikTok. Nos vídeos, as pessoas aparecem a usar máscaras e adereços imitando o comportamento animal -- cães, gatos, raposas, ursos, entre outros.
Pessoas que se identificam com animais cresce a cada dia que passa. Os “therians” voltaram a ser o centro das atenções, depois de a CNN Portugal ter noticiado que alguns jovens, no estrangeiro, procuram ser atendidos por clínicas veterinárias. Em Portugal ainda não há registo.Os “therians” ganharam popularidade no TikTok. Nos vídeos, as pessoas aparecem a usar máscaras e adereços imitando o comportamento animal -- cães, gatos, raposas, ursos, entre outros.
O termo “therians” deriva de outro termo = teriantropia -- que era usado para denotar uma divindade ou criatura combinando a forma ou atributos de um humano com os de um animal. Não é um termo academicamente consistente, pois a sua descrição pode abranger contextos de antropomorfismo, imagens de divindades animais, personificações ritualísticas, identificação totémica do tempo do caçador-coletor. Mas é também como conceito da sobrenatural transmutação de humanos em animais, de que a licantropia é exemplo. Licantropia clínica é uma rara síndrome psiquiátrica na qual a pessoa afetada sofre a ilusão de se poder transformar, ou de facto ter-se transformado, em um animal. A palavra é derivada da condição mitológica da licantropia, uma aflição sobrenatural na qual as pessoas se transformam fisicamente em lobisomens. A palavra zoantropia é algumas vezes usada para a ilusão de que uma pessoa se transformou em um animal qualquer, e não especificamente em um lobo.
E aqui está mais uma disforia, neste caso “disforia de espécie”. O mundo ocidental assistiu, na segunda metade do século passado, a uma difícil consciencialização da revolução das comunidades LGBT. Assim pudessem viver a sua vida livremente, sem perseguições e sem limitações. Mas foi a denominada “disforia” – conceito da psicologia e psiquiatria que começou com a disforia de género, ou seja, pessoa que não se identificava com o sexo atribuído à nascença pelo aspeto fenotípico do corpo. E assim se chegou agora ao desafio apresentado pela comunidade transgénero e transsexual.
Ao fim de milhares de anos, sociólogos, psicólogos e psiquiatras, militantes da revolução da Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, também intitulados como neomarxistas, inventaram uma realidade paralela acolitada pela terceira vaga de feminismo e os académicos americanos da teoria de género. Um homem que seja submetido a intervenções, que o façam assemelhar a uma mulher, nunca será uma mulher e deve ser considerado, como os alemães já reconhecem, no terceiro sexo. O mais recente e amplo estudo sobre este universo vem pôr em crise as “certezas” e mostrar os efeitos do uso indiscriminado da intervenção médica. Realizado entre 1996 e 2019, abrangeu um grupo de 16 mil jovens e nestes 2.083 casos de disforia de género. Estes receberam apoio psiquiátrico antes e depois dos tratamentos, mas a incidência desse apoio psiquiátrico não se reduz nem estabiliza com os procedimentos de “transformação”, antes se amplia em 61,7% dos casos.
Pode concluir-se que, na maior parte dos adolescentes sujeitos ao estudo, a disforia de género pode ser secundária relativamente a outros problemas de saúde mental. O que pode estar em causa, mais do que a disforia como centro da “experiência”, serão outras realidades como influência familiar, depressão, traumas, espetro autista ou outras dificuldades de desenvolvimento.


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