quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A miragem do oásis no deserto


A miragem é um problema da perceção que é comum em paisagens do deserto.

A existência de erros de perceção na forma de ilusões e alucinações é uma coisa que choca a nossa intuição da perceção. A nossa perceção ilusória de um oásis no deserto é indistinguível de uma perceção verídica. Assim, ao modelo explicativo da perceção que a coloca apenas ligada à perspetiva do sujeito que perceciona chama-se modelo fenomenológico. Segundo o qual o sujeito não tem nenhuma maneira de distinguir a ilusão do que é verdadeiro.

Assim, o fenómeno da ilusão serve para sustentar o argumento da falibilidade do conhecimento que nos é dado pelos sentidos. O nosso conhecimento através da perceção sensorial não é um conhecimento totalmente seguro. Pelo menos, é muito menos seguro do que a nossa intuição nos faz crer. Por conseguinte, às vezes, o mundo não é como o percecionamos.

Para um fenomenólogo, certas características dos objetos, por exemplo, cores, sabores, cheiros, que são designadas por propriedades secundárias, existem como tal apenas quando e enquanto são por nós percecionadas. Já as propriedades primárias, como por exemplo a existência das coisas e a sua forma, existem como tal independentemente de estarem a ser ou não percecionadas por um sujeito.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015



No Teeteto, diálogo de Platão, a dada altura Sócrates, virado para Teeteto diz: Ora bem, quando alguém possui uma crença verdadeira sobre alguma coisa sem justificação, pensa a verdade acerca disso, mas não a conhece. Pois que conhecimento poderia haver sem justificação e sem crença?

A questão de saber, o que é a verdade, ou uma lei científica, é um problema de metafísica.

Mas Richard Rorty, fez a pergunta: será a epistemologia necessária? No seu livro “Philosophy and the Mirror of Nature”, Rorty põe em causa todo o campo de ação da epistemologia. Com é que uma pessoa conhece uma coisa? E quais são as limitações do conhecimento? Mergulhar nestes aspetos fundamentais é descobrir algo sobre a mente. Devemos a noção de mente, como algo separado do corpo onde ocorrem processos de representação do mundo, a Descartes.


Na imagem – transcrição do nome de Sócrates em grego

Veja o cérebro da mosca da fruta (Drosophila melanogaster)



Os investigadores conseguem analisar a atividade de certos circuitos cerebrais desta mosca e pô-la a copular através de pequenos tiros de laser disparados diretamente nas suas cabeças. Libertam uma proteína com o calor, que por sua vez vai ativar determinados circuitos neuronais que condicionam tal comportamento.

Em relação ao que estes cientistas entendem por mente, dizem que não basta o ser vivo ter cérebro. Por exemplo, o outro animal que muito usam em laboratório – o caracol marinho – apesar de ter cérebro não lhe reconhecem o estatuto de ter mente. Mas aos insetos já reconhecem. Embora seja uma mente sem consciência. Esta, já pode ter o outro animal muito do agrado dos neurocientistas, o gato.

Agora, como é que o cérebro constrói a mente. E como é que o cérebro torna a mente consciente, é uma coisa que muita gente dava tudo para saber.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Sonhar e imaginar



“ A anestesia deixa de fazer efeito, o cirurgião ainda está a fechar, o anestesista foi tomar café, e ele: ‘ei?! O que se passa aqui?’ O cirurgião pensava que ele ainda estava inconsciente. Claro que em vez de dizer aquela frase poderia ter perguntado que horas eram, para saber se correu tudo bem.”

Muito do que se tem dito acerca da interpretação dos sonhos é mais do domínio da ficção literária, embora possa ser ficção da boa. Os sonhos são narrativas imaginárias espontâneas, muitas vezes desconexas, condicionados por estados físicos e mentais anteriores.

O sono na fase REM (Rapid Eyd Movement), que é quando se sonha, é uma espécie de homem do lixo da mente. O cérebro faz uma operação semelhante à do computador quando faz a revisão da memória. Imagens do cérebro captadas por Ressonância Magnética funcional mostram que o cérebro na fase REM está tão ativo como no estado de vigília. Os efeitos fisiológicos no cérebro e no corpo das atividades do sonho são quase idênticos aos efeitos das mesmas experiências em vigília. Todavia as imagens mentais que exibimos durante o sonho diferem ligeiramente das imagens que temos quando imaginamos coisas acordados. Acordados, há uma sobreposição das imagens mentais sobre as perceções sensoriais do mundo real, coisa que não acontece  sonhar.


Menino San



Ele acha que não foi grande coisa o que nos aconteceu, com a cultura simbólica e a divisão do trabalho, uma vez que isso mais a tecnologia moderna nos está a encaminhar para a catástrofe iminente.

Ele que fala por “cliques” consoantes, e ainda muito recentemente vivendo no estádio de caçadores-coletores, é considerado o mais antigo da África subsariana. Esta afirmação é apoiada em estudos genéticos do ADN mitocondrial datados de 2008, e em vestígios de pinturas rupestres do Paleolítico superior no sul de Angola. Corre o risco de extinção, estando o seu habitat distribuído por Angola, Namíbia e Botswana (para todos os efeitos limitados à região do Kalahari).

Ele pertence ao Povo Khoisan, de maior bondade por não ter chegado à fase de dominação, não apenas em relação a outras humanidades, mas também em relação à própria natureza.

É provável que a manipulação simbólica, como essência da cultura humana, terá tido início com a Agricultura, mais ou menos há cerca de dez mil anos. O que é irónico e paradoxal é ter sido também nessa altura que o homo sapiens se começou a afastar da natureza, ao provocar nela alterações sem precedentes.

É claro que quanto ao aparecimento da linguagem humana, isto é, o nosso sistema de fala que evoluiu depois dos tais cliques do povo Khoisan, não deve ter mais do que 35.600 anos. Neste mistério sabemos que não existe consenso. Há autores que defendem que ainda não existia antes da produção das tais pinturas paleolíticas do sul de Angola onde vive ainda o povo Khoisan, e por conseguinte também antes das gravuras e pinturas de Altamira, perto de Santander em Espanha.


© Fotografia de Paul Weinberg

sábado, 3 de janeiro de 2015

A sagacidade dos psicopatas


Nem todos os psicopatas são violentos. Kevin Dutton mostra neste livro que os psicopatas podem não ser assim tão maus. É surpreendente e até provocador ao pretender revelar algo aparentemente benéfico dentro de cada um de nós. Isto resulta da combinação dos seus conhecimentos científicos de psicólogo com entrevistas num espetro que vai desde forças especiais até prisioneiros, passando por mosteiros secretos.

Eles são implacáveis, destemidos, capazes de espetar uma faca nas costas de quem gostam, tomar difíceis sob grande pressão, ou fingir empatia pelo pobre.

Numa sessão em Cambridge, onde quase todos eram cristãos, Kevin Dutton teceu considerações acerca de um psicopata bem conhecido dos cristãos: São Paulo. E eles adoraram saber que um membro dos seus, um grande estupor, foi uma pessoa cheia de sucesso durante dois mil anos.