A Geração Z - nascidos [1990 // 2010] sucede à Geração Y [1980 // 1990] e precede a Geração Alfa [2010 // 2020]. A maioria dos integrantes da Geração Z são filhos da Geração X, e espera-se que muitos sejam os pais da futura Geração Beta. A Geração Z foi a primeira geração social a crescer com a Web 2.0 e a tecnologia digital como algo consolidado. Desde jovens, eles assistiram a vídeos e séries online (muitas vezes pelo YouTube), e jogaram jogos online como Club Penguin e Minecraft. Como adolescentes e jovens adultos são apelidados de "nativos digitais", mesmo que não tenham sido necessariamente alfabetizados digitalmente.
A Geração Z é descrita como "mais bem-comportada e menos hedonista" do que as gerações anteriores. Menos gravidezes na adolescência, consomem menos álcool (mas não necessariamente outras drogas psicoativas). Mais focados nos estudos e nas perspectivas de emprego. Também são melhores em adiar a gratificação do que as anteriores. O "sexting" tornou-se popular durante a adolescência da Geração Z, embora os efeitos psicológicos a longo prazo ainda não sejam totalmente compreendidos. Sexting (contração de sex e texting) = é um anglicismo que se refere à divulgação de conteúdos eróticos e sensuais, inicialmente através das mensagens SMS de textos sexualmente sugestivos e conteúdo sexual explícito, e com o avanço tecnológico das redes sociais passou ao envio de fotografias e vídeos de nus em posições sensuais (nude selfie = selfie de nudez).
É uma geração que por outro lado aumentou o interesse pela Religião. Em contraciclo com os pais e avós é um fenómeno ainda carente de melhor interpretação. Não é um “retorno simples à fé”, mas um sintoma profundo de mudança de ciclo cultural. A Geração Z é simultaneamente a menos catequizada da história ocidental. Do que se trata é de procura de sentido de vida, muito ligado ao sentimento identitário. Isto tem gerado um paradoxo fértil: rejeitam a religião católica tal como está institucionalizada. Mas, em contrapartida, mostram curiosidade pelo cristianismo das origens e o seu embrulho em misticismo. Também têm em boa conta o islamismo das origens que é conotado com as formas exigentes de espiritualidade. Não procuram “valores simpáticos”, procuram estruturas que aguentem o peso da existência.
Porquê este contraciclo geracional? Provavelmente é porque a liberdade sem transcendência provoca ansiedade crónica. E, consequentemente, a fragilidade identitária leva à incapacidade de lidar com a dor, o fracasso, e, por conseguinte, a morte. Assim, a religião reaparece não como consolo, mas como disciplina de sentido. As promessas progressistas levaram ao colapso. Portanto, o interesse religioso da Geração Z não nasceu dos usos e costumes. Não veio pela frequência na missa da Igreja da paróquia local. Tornou-se fundamentalista e seletiva, com conversões adultas à revelia, que da Igreja, quer do patriarcado ateísta e secularista. Isto explica por que alguns aderiram à causa jihadista islamita e se voluntariaram aos grupos do Estado Islâmico do Iraque e do Levante. É uma religião usada como âncora psicológica, não como caminho de verdade, com conversões como reação identitária agressiva. Uma fusão entre fé e guerra cultural online.
O que isto revela sobre o Ocidente? Que o projeto secular não eliminou a necessidade religiosa. Apenas adiou o encontro com o vazio. As gerações que cresceram nesse vazio estão agora a procurar estruturas mais antigas. O ser humano continua a ser trágico, finito e mortal. Em suma: o interesse religioso da Geração Z não é um regresso ao passado, nem uma vitória ideológica da Nova Direita. É um pedido silencioso por sentido, limite e transcendência, feito por uma geração que já não acredita que o progresso vá resolver a condição humana.
Porquê este contraciclo geracional? Provavelmente é porque a liberdade sem transcendência provoca ansiedade crónica. E, consequentemente, a fragilidade identitária leva à incapacidade de lidar com a dor, o fracasso, e, por conseguinte, a morte. Assim, a religião reaparece não como consolo, mas como disciplina de sentido. As promessas progressistas levaram ao colapso. Portanto, o interesse religioso da Geração Z não nasceu dos usos e costumes. Não veio pela frequência na missa da Igreja da paróquia local. Tornou-se fundamentalista e seletiva, com conversões adultas à revelia, que da Igreja, quer do patriarcado ateísta e secularista. Isto explica por que alguns aderiram à causa jihadista islamita e se voluntariaram aos grupos do Estado Islâmico do Iraque e do Levante. É uma religião usada como âncora psicológica, não como caminho de verdade, com conversões como reação identitária agressiva. Uma fusão entre fé e guerra cultural online.
O que isto revela sobre o Ocidente? Que o projeto secular não eliminou a necessidade religiosa. Apenas adiou o encontro com o vazio. As gerações que cresceram nesse vazio estão agora a procurar estruturas mais antigas. O ser humano continua a ser trágico, finito e mortal. Em suma: o interesse religioso da Geração Z não é um regresso ao passado, nem uma vitória ideológica da Nova Direita. É um pedido silencioso por sentido, limite e transcendência, feito por uma geração que já não acredita que o progresso vá resolver a condição humana.
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