Por outro lado, dormir mal afeta diretamente a consolidação da memória, capacidade de foco e clareza mental. Mesmo pequenas dívidas de sono, acumuladas ao longo de um certo período de tempo, podem dar aquela sensação de “mente bloqueada”. E é neste quadro que a ansiedade, ou o stress crónico, se vai instalando sub-repticiamente. A ansiedade “ocupa” o cérebro. Quando estamos em estado de alerta constante o cérebro prioriza sobrevivência (preocupações, pensamentos repetitivos) desativando funções como a memória e a concentração. É muito típico ouvir: “Antes conseguia ler horas, agora não consigo 5 minutos”. O uso excessivo de tecnologia leva a consumo rápido de informação (scroll, vídeos curtos, multitarefa). Estímulos rápidos com baixa tolerância ao esforço cognitivo, leva depois a que tarefas mais exigentes como estudar, concentrar, se tornem mais difíceis. É o que hoje se verifica nas pessoas entre os 30 e 50 anos muito viciadas nas redes sociais, com fadiga cognitiva típica do síndrome de Burnout.
Nos últimos anos, houve um aumento enorme de pessoas adultas a questionarem se serão “neurodivergentes”. De acordo com esta perspectiva que busca equilibrar o discurso devolvendo certos aspectos à esfera social, os indivíduos neurodivergentes são aqueles cujo desenvolvimento neurológico difere do que, tipicamente, se considera médio, das pessoas definidas como “neurotípicas”. Isso cruza-se diretamente com queixas de atenção e memória. Mas é importante separar o que é tendência, o que é rótulo, e o que é condição clínica real. “Neurodivergente” não é um diagnóstico médico. É um termo amplo que inclui diferenças no funcionamento do cérebro, como Perturbação de Déficit de Atenção e Hiperatividade; Perturbação do Espectro Autista; dislexia, entre outros. Hoje, muitas pessoas adultas identificam-se com descrições destes perfis, especialmente online.
A realidade é um dos pontos centrais da tensão entre a tradição fenomenológica e o realismo científico moderno. Existe um problema conceptual profundo, talvez até um problema de linguagem filosófica antes de ser um problema empírico. A divergência pode ser resumida assim: para muitos físicos e naturalistas, “real” é aquilo que pode ser descrito independentemente da experiência subjetiva; para a fenomenologia, aquilo que aparece na experiência é precisamente o ponto de partida da realidade, não uma ilusão secundária. Quando um físico diz que “os objetos não têm cor”, normalmente quer dizer que no mundo físico descrito pela física não existem propriedades chamadas “vermelho”, “azul”, “amarelo”, enquanto qualidades intrínsecas. Existem: comprimentos de onda; frequências eletromagnéticas; interações entre luz e retina; processamento neuronal.
Considero aqui por "realidade" a natureza das coisas que é creditada e reservada à observação humana. E também considero a realidade direta e indireta que faz parte do domínio científico. Ora, adoto o conceito de realismo científico que corresponde à mesma conceção que Galileu e John Locke produziram. Contudo, para sermos mais precisos, o realismo científico trata hoje de dois tipos de realidade: a realidade externa; e a realidade interna. A realidade interna diz respeito a algumas das propriedades que um objecto possui quando percepcionado por um sujeito perceptual: o cheiro; o paladar; as cores; os sons; e as propriedades afetas ao tato. O que é fixo na realidade das coisas, é a sua realidade externa que é independente de estar a ser sentida ou observada por um sujeito: a forma; o tamanho; o número; o movimento; a massa, o peso ou a solidez. Neste sentido, os objetos têm uma existência real, fora da nossa cabeça; e outra existência real dentro da nossa cabeça.
O cérebro gera a sua própria realidade antes ainda de receber as informações provenientes dos sentidos. É conhecido como o modelo interno do cérebro, cuja base pode ser observada na anatomia que vai do tálamo até ao córtex. A informação sensorial passa por aí a caminho da região adequada do córtex. Por exemplo, a informação visual vai para o córtex visual, pelo que existe uma enorme quantidade de ligações que vão do tálamo para o córtex visual. Primeiro, o que o cérebro supõe que vai estar lá fora é transmitido pelo córtex visual ao tálamo. Aqui o cenário é comparado, e depois vai ser ajustado pelos movimentos do corpo. O tálamo limita-se a comunicar as diferenças entre o que os olhos estão a registar e o modelo interno do cérebro.
Todas as noites, depois de adormecermos, temos experiências visuais plenas e ricas a sonhar. Temos os olhos fechados, mas desfrutamos um mundo exuberante e colorido. E acreditamos piamente nesse realismo. Todas as nossas experiências anteriores contribuem para o modelo interno do nosso cérebro. E em vez de usarmos os nossos sentidos para reconstruirmos constantemente a nossa realidade a partir do zero, usamos primeiro, a cada momento, o nosso modelo interno no cérebro. Comparamos a informação sensorial com o modelo que o nosso cérebro já construiu. O cérebro limita-se apenas a atualizá-lo, aperfeiçoá-lo e corrigi-lo. O cérebro é tão especializado nessa tarefa que normalmente nem temos consciência disso.
É também o modelo interno do cérebro que permite manter a estabilidade do mundo exterior mesmo quando nos movimentamos. Por exemplo, peguemos no telemóvel para filmar uma dada paisagem. Mas em vez de fazer uma panorâmica suave do cenário, movemos a câmara exatamente da mesma maneira que os olhos se movem. Os nossos olhos deslocam-se com movimentos bruscos conhecidos como sacadas quatro vezes por segundo. Se tentássemos filmar assim, não tardaríamos a descobrir que não é maneira de fazer um vídeo. Ao reproduzi-lo iríamos ficar enjoados só de olhar para aqueles movimentos rápidos e abruptos. Então como é que o mundo nos parece estável quando olhamos para ele, na medida em que os olhos veem em supetões muito rápidos? Não vemos o mundo a abanar tanto como no filme. E não ficamos enjoados como a ver o filme. É que o nosso modelo interno do cérebro funciona a partir do pressuposto de que o mundo exterior é estável. Os nossos olhos dançam como quando fazemos isso com as câmaras de vídeo. Simplesmente, o que o cérebro faz é apenas recolher os detalhes que se vão juntar ao modelo interno. O que o cérebro faz é juntar pedaços de informação de todos os sentidos e movimentos do corpo, e não experiência apenas a informação visual que entra apenas pelos olhos.
É aqui que entra em cena a ideia de “dados dos sentidos” que resultam da nossa experiência com um mundo independente. Mas nós não percecionamos dados dos sentidos. Esse é o erro dos idealistas. A experiência tem uma dimensão fenomenológica. Ninguém faz a mais pequena ideia como uma coisa material entra no domínio da consciência. A fenomenologia é a melhor explicação do azul do mar que vemos quando temos essa experiência de ver o mar. A fenomenologia é o que traduz o entendimento das propriedades secundárias dos objetos de que falava John Locke, ou mesmo Galileu.
Assim, as experiências percetuais têm duas dimensões: a dimensão representacional dos dados dos sentidos e a dimensão fenomenológica. Isso não invalida que tenhamos crenças, como a crença de às vezes temos ilusões, e outras vezes até alucinações. Isso faz parte da nossa racionalidade, umas vezes de apenas senso comum, outras vezes de sabedoria. Um exemplo em que não acreditamos no que vemos é o da ilusão de Müller-Lyer; ou o exemplo do lápis partido dentro de um copo de água.
Assim, a “vermelhidão” seria uma experiência produzida pelo sistema perceptivo. Mas aqui já aparece um primeiro problema - a experiência do vermelho tem um caráter existencial. Ela não desaparece só porque foi descrita causalmente e explicada por conceitos da física moderna. A física pode explicar por que ocorre, em que condições, e através de que mecanismos. Mas não elimina o fenómeno enquanto fenómeno. É exatamente neste ponto que os filósofos da Fenomenologia insistem. Filósofos, como Husserl ou Merleau-Ponty, diriam algo próximo disto: a ciência abstrai do mundo vivido para construir modelos matemáticos. O “mundo da física” é uma derivação abstrata; o “mundo vivido” é anterior. Antes de haver: espectros, equações, fotões, radiações - há: o azul do céu, o calor do sol, o som da chuva, o sabor do café. A fenomenologia ao não negar, por exemplo a chuva, não nega a física. O que os fenomenólogos negam é que a Física esgote o sentido da realidade.
O erro categorial dos cientistas fisicalistas é um erro conceptual. O facto do que se passa em matemática, ou em modelos metodológicos da física, que consiste em não encontrar cores nesses seus modelos, não se pode inferir logicamente que as cores não são reais. Porque os modelos físicos foram construídos precisamente removendo qualidades subjetivas, quantificando apenas relações mensuráveis. A física trabalha muito bem com massa, carga, frequência, geometria, energia. Mas “vermelho enquanto vivido” não é uma magnitude matemática. Então a ausência da cor na ontologia física pode significar apenas que o método físico não foi feito para captar esse tipo de fenómeno. Não que o fenómeno seja irreal. A experiência subjetiva é real enquanto experiência. E a ciência descreve a estrutura objetiva do mundo. É o exemplodo arco-íris, que existe como fenómeno, mas não existe como objeto sólido no mundo. O calor sentido e a temperatura física não são a mesma coisa. A ciência moderna estribou-se justamente no conceito de "objetividade". Ou seja, há uma distinção entre a aparência do mundo e a sua estrutura descrita em linguagem matemática.
Na filosofia contemporânea de matriz anglo-americana, ou dita da tradição analítica, que apesar de se distanciar da Fenomenologia, ou dita tradição continental, faz reaparecer este problema com outra designação: os qualia. Só que acrescenta na explicação, como por exemplo explicar a experiência subjetiva do vermelho, da dor, do sabor, etc., os termos e conhecimentos adquiridos pela neurociência e outras ciências cognitivas descritos apenas em termos físico-neuronais?
Hoje há uma corrente de filósofos americanos que se debatem com o “problema duro da consciência”: a descrição objetiva parece incapaz de capturar o carácter vivido da experiência. Talvez o verdadeiro problema esteja no conceito de “real”. Talvez haja aqui dois sentidos diferentes de “realidade”: Realidade física objetiva, aquilo que pode ser medido, modelado matematicamente, e que existe independentemente do observador; e a Realidade fenomenológica - aquilo que aparece na experiência, é vivido e possui qualidade sensível. O conflito surge quando um lado tenta reduzir completamente o outro.
Resumindo e concluindo - a física descreve a estrutura relacional e quantitativa do mundo; a fenomenologia descreve o modo como o mundo se manifesta à consciência. Não são necessariamente descrições rivais. Podem ser níveis diferentes. O erro talvez esteja tanto no cientismo que reduz tudo ao físico, como num subjetivismo que ignora a objetividade do mundo natural. Mas o único mundo que realmente conhecemos diretamente é precisamente o mundo qualitativo. O “mundo incolor” da física é uma construção teórica extremamente poderosa — mas não é o mundo tal como é vivido. E talvez o problema conceptual surja quando se confunde o mapa com o território. A abstração com a plenitude do real.
Mas outra coisa completamente diferente é como nós conseguimos ter acesso a essa realidade. O cérebro processa os sons mais rapidamente do que as imagens. Tudo parece estar sincronizado, mas sabe-se que o som é processado mais rapidamente que a luz. O que isto significa é que a nossa perceção da realidade resulta de elaborados truques de edição do cérebro. O cérebro esconde a diferença dos tempos da informação que lhe chega do mundo lá fora através dos sentidos. O que acreditamos ser a realidade, é afinal, uma versão retardada que o nosso cérebro recolhe de todas as informações provenientes dos sentidos.
O cérebro gera a sua própria realidade antes ainda de receber as informações provenientes dos sentidos. É conhecido como o modelo interno do cérebro, cuja base pode ser observada na anatomia que vai do tálamo até ao córtex. A informação sensorial passa por aí a caminho da região adequada do córtex. Por exemplo, a informação visual vai para o córtex visual, pelo que existe uma enorme quantidade de ligações que vão do tálamo para o córtex visual. Primeiro, o que o cérebro supõe que vai estar lá fora é transmitido pelo córtex visual ao tálamo. Aqui o cenário é comparado, e depois vai ser ajustado pelos movimentos do corpo. O tálamo limita-se a comunicar as diferenças entre o que os olhos estão a registar e o modelo interno do cérebro.
Todas as noites, depois de adormecermos, temos experiências visuais plenas e ricas a sonhar. Temos os olhos fechados, mas desfrutamos um mundo exuberante e colorido. E acreditamos piamente nesse realismo. Todas as nossas experiências anteriores contribuem para o modelo interno do nosso cérebro. E em vez de usarmos os nossos sentidos para reconstruirmos constantemente a nossa realidade a partir do zero, usamos primeiro, a cada momento, o nosso modelo interno no cérebro. Comparamos a informação sensorial com o modelo que o nosso cérebro já construiu. O cérebro limita-se apenas a atualizá-lo, aperfeiçoá-lo e corrigi-lo. O cérebro é tão especializado nessa tarefa que normalmente nem temos consciência disso.
É também o modelo interno do cérebro que permite manter a estabilidade do mundo exterior mesmo quando nos movimentamos. Por exemplo, peguemos no telemóvel para filmar uma dada paisagem. Mas em vez de fazer uma panorâmica suave do cenário, movemos a câmara exatamente da mesma maneira que os olhos se movem. Os nossos olhos deslocam-se com movimentos bruscos conhecidos como sacadas quatro vezes por segundo. Se tentássemos filmar assim, não tardaríamos a descobrir que não é maneira de fazer um vídeo. Ao reproduzi-lo iríamos ficar enjoados só de olhar para aqueles movimentos rápidos e abruptos. Então como é que o mundo nos parece estável quando olhamos para ele, na medida em que os olhos veem em supetões muito rápidos? Não vemos o mundo a abanar tanto como no filme. E não ficamos enjoados como a ver o filme. É que o nosso modelo interno do cérebro funciona a partir do pressuposto de que o mundo exterior é estável. Os nossos olhos dançam como quando fazemos isso com as câmaras de vídeo. Simplesmente, o que o cérebro faz é apenas recolher os detalhes que se vão juntar ao modelo interno. O que o cérebro faz é juntar pedaços de informação de todos os sentidos e movimentos do corpo, e não experiência apenas a informação visual que entra apenas pelos olhos.
É aqui que entra em cena a ideia de “dados dos sentidos” que resultam da nossa experiência com um mundo independente. Mas nós não percecionamos dados dos sentidos. Esse é o erro dos idealistas. A experiência tem uma dimensão fenomenológica. Ninguém faz a mais pequena ideia como uma coisa material entra no domínio da consciência. A fenomenologia é a melhor explicação do azul do mar que vemos quando temos essa experiência de ver o mar. A fenomenologia é o que traduz o entendimento das propriedades secundárias dos objetos de que falava John Locke, ou mesmo Galileu.
Assim, as experiências percetuais têm duas dimensões: a dimensão representacional dos dados dos sentidos e a dimensão fenomenológica. Isso não invalida que tenhamos crenças, como a crença de às vezes temos ilusões, e outras vezes até alucinações. Isso faz parte da nossa racionalidade, umas vezes de apenas senso comum, outras vezes de sabedoria. Um exemplo em que não acreditamos no que vemos é o da ilusão de Müller-Lyer; ou o exemplo do lápis partido dentro de um copo de água.
Assim, a “vermelhidão” seria uma experiência produzida pelo sistema perceptivo. Mas aqui já aparece um primeiro problema - a experiência do vermelho tem um caráter existencial. Ela não desaparece só porque foi descrita causalmente e explicada por conceitos da física moderna. A física pode explicar por que ocorre, em que condições, e através de que mecanismos. Mas não elimina o fenómeno enquanto fenómeno. É exatamente neste ponto que os filósofos da Fenomenologia insistem. Filósofos, como Husserl ou Merleau-Ponty, diriam algo próximo disto: a ciência abstrai do mundo vivido para construir modelos matemáticos. O “mundo da física” é uma derivação abstrata; o “mundo vivido” é anterior. Antes de haver: espectros, equações, fotões, radiações - há: o azul do céu, o calor do sol, o som da chuva, o sabor do café. A fenomenologia ao não negar, por exemplo a chuva, não nega a física. O que os fenomenólogos negam é que a Física esgote o sentido da realidade.
O erro categorial dos cientistas fisicalistas é um erro conceptual. O facto do que se passa em matemática, ou em modelos metodológicos da física, que consiste em não encontrar cores nesses seus modelos, não se pode inferir logicamente que as cores não são reais. Porque os modelos físicos foram construídos precisamente removendo qualidades subjetivas, quantificando apenas relações mensuráveis. A física trabalha muito bem com massa, carga, frequência, geometria, energia. Mas “vermelho enquanto vivido” não é uma magnitude matemática. Então a ausência da cor na ontologia física pode significar apenas que o método físico não foi feito para captar esse tipo de fenómeno. Não que o fenómeno seja irreal. A experiência subjetiva é real enquanto experiência. E a ciência descreve a estrutura objetiva do mundo. É o exemplodo arco-íris, que existe como fenómeno, mas não existe como objeto sólido no mundo. O calor sentido e a temperatura física não são a mesma coisa. A ciência moderna estribou-se justamente no conceito de "objetividade". Ou seja, há uma distinção entre a aparência do mundo e a sua estrutura descrita em linguagem matemática.
Mas há uma dificuldade enorme para o fisicalismo. A fenomenologia aponta algo muito difícil de dissolver: Toda a ciência acontece dentro da consciência. O físico vê instrumentos, interpreta gráficos, formula conceitos, observa medições. Tudo isso ocorre no campo da experiência. Logo a experiência não pode ser simplesmente descartada como “menos real”, porque ela é a condição de possibilidade da própria ciência. Isto foi um tema central em Husserl, especialmente na crítica ao “objetivismo”.
Na filosofia contemporânea de matriz anglo-americana, ou dita da tradição analítica, que apesar de se distanciar da Fenomenologia, ou dita tradição continental, faz reaparecer este problema com outra designação: os qualia. Só que acrescenta na explicação, como por exemplo explicar a experiência subjetiva do vermelho, da dor, do sabor, etc., os termos e conhecimentos adquiridos pela neurociência e outras ciências cognitivas descritos apenas em termos físico-neuronais?
Hoje há uma corrente de filósofos americanos que se debatem com o “problema duro da consciência”: a descrição objetiva parece incapaz de capturar o carácter vivido da experiência. Talvez o verdadeiro problema esteja no conceito de “real”. Talvez haja aqui dois sentidos diferentes de “realidade”: Realidade física objetiva, aquilo que pode ser medido, modelado matematicamente, e que existe independentemente do observador; e a Realidade fenomenológica - aquilo que aparece na experiência, é vivido e possui qualidade sensível. O conflito surge quando um lado tenta reduzir completamente o outro.
Resumindo e concluindo - a física descreve a estrutura relacional e quantitativa do mundo; a fenomenologia descreve o modo como o mundo se manifesta à consciência. Não são necessariamente descrições rivais. Podem ser níveis diferentes. O erro talvez esteja tanto no cientismo que reduz tudo ao físico, como num subjetivismo que ignora a objetividade do mundo natural. Mas o único mundo que realmente conhecemos diretamente é precisamente o mundo qualitativo. O “mundo incolor” da física é uma construção teórica extremamente poderosa — mas não é o mundo tal como é vivido. E talvez o problema conceptual surja quando se confunde o mapa com o território. A abstração com a plenitude do real.
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