Pequena Idade do Gelo é a designação dada ao período não tão curto assim, de arrefecimento do clima, entre os séculos XIV e XIX, com a sua maior intensidade verificada durante o século XVII. Durante esse período houve uma série de eventos climáticos extremos, como invernos rigorosos, geadas fora de época e colheitas fracassadas. Isso teve impactos significativos na agricultura, na economia e na vida quotidiana principalmente da Europa, mas também noutras partes do globo. É demonstrada pelo avanço dos glaciares e pela redução da temperatura média global. Este período também é associado a eventos históricos como a Peste Negra e a Guerra dos Trinta Anos.
Três caçadores e seus cães estão caminhando por uma paisagem coberta de neve. Uma aldeia pitoresca e um grupo de pessoas à beira de uma fogueira lá ao fundo. Há uma vasta natureza com um lago congelado que os envolve. Caçadores e os seus cães passam por um renque de árvores completamente despidas exceto os corvos e a neve nos ramos. Esta pintura a óleo de Bruegel, que faz parte de um conjunto de quatro a ilustrar as estações do ano é única na sua capacidade de capturar a natureza nos seus cenários da vida real de maneira harmoniosa. Mesmo o verde brilhante do céu em contraste com o branco da neve que nos faz sentir o frio.Não se confunda este período com o último período glacial, também referido como Idade do Gelo, Glaciação do Würmiano ou Laurenciano. Este perído teve lugar durante a última parte do Pleistoceno com episódios alternados de avanço e recuo dos glaciares em que o Último Máximo Glacial ocorreu entre 26.000 e 20.000 anos atrás. No entanto, as diferenças locais dificultam a comparação dos detalhes de continente para continente. Por exemplo, há cerca de 11.700 anos atrás terminou o Dryas Jovem que havia começado mil anos antes, ainda na época do Pleistoceno, ao qual se seguiu o Holoceno, que é a época geológica atual.
Vários eventos têm sido asociados ou correlacionados: baixas cíclicas da radiação solar; atividade vulcânica; mudanças na circulação das correntes oceânicas; variações na órbita da Terra; inclinação axial (força orbital); variações demográficas das populações não apenas humanas; migrações como as dos mongóis; Peste Negra; epidemias nas Américas com fortes quedas demográficas nas populações humanas depois do contacto com os europeus.
Os prolongados períodos frios e secos trouxeram fracas produções agrícolas e pecuárias, com as consquentes fomes e doenças. Baixa do emprego e consequentes dificuldades económicas. A doença e o desemprego geram ciclos de feedback positivo com consquências letais. Embora as comunidades tivessem alguns planos de contingência, como melhores misturas de culturas, stoques emergenciais de grãos e comércio internacional de alimentos, eles nem sempre se mostraram eficazes. Os crimes violentos aumentam pelo roubo e assaasinato. Os crimes sexuais também aumentaram. Os europeus, buscando explicações para os quatro cavaleiros do Apocalipse, tinham de encontrar os culpados, os tais bodes expiatórios. As ações violentas contra a minorias e grupos marginalizados aumentaram. Um exemplo de bode expiatório: o julgamento das bruxas por bruxaria.
No entanto, na Irlanda, gerou-se um fenómeno parecido, mas o bode expiatório passou a ser outro: os protestantes. Os católicos culparam a Reforma das desgraças que entretanro chegaram à ilha. Os Anais do Lago Cé, em sua entrada de 1588, descreve uma tempestade de neve e pleno verão. Culparam a presença de um "bispo perverso, herético, em Oilfinn", o bispo protestante de Elphin, John Lynch.
O inverno de 1794-1795 foi particularmente duro: o exército de invasão francesa sob Pichegru marchou sobre os rios congelados dos Países Baixos, e a frota holandesa ficou bloqueada no gelo no porto de Den Helder. O gelo marinho ao redor da Islândia se estendia por quilómetros em todas as direções e fechava os portos para a navegação. A população da Islândia caiu para metade, mas isso pode ter sido causado pela fluorose óssea após a erupção do Laki em 1783. A Islândia também sofreu falhas nas culturas de cereais e as pessoas deixaram de ter uma dieta à base de cereais.
Depois que o clima da Gronelândia se tornou mais frio e tempestuoso por volta de 1250, a dieta dos assentamentos vikings nórdicos também mudaram. Por volta de 1300, a caça às focas fornecia mais de três quartos de sua alimentação. Em 1350, houve redução da demanda por suas exportações, e o comércio com a Europa caiu. O último documento dos assentamentos data de 1412 e, ao longo das décadas seguintes, os europeus remanescentes partiram no que parece ter sido uma retirada gradual, causada principalmente por fatores económicos, como o aumento da disponibilidade de fazendas nos países escandinavos. A Gronelândia foi em grande parte isolada pelo gelo de 1410 a 1720.























