A localização de Ofir é um dos maiores mistérios históricos ligados ao Antigo Testamento. Há várias teorias do local onde ficava Ofir: África, Índia, Arábia – no contexto histórico das viagens marítimas de Salomão. A Bíblia não diz exatamente onde ficava, então os historiadores e arqueólogos propuseram várias teorias. A Teoria da Índia é a mais popular. Muitos estudiosos acreditam que Ofir pode ter sido na região da Índia, especialmente no Sudoeste (Kerala ou costa de Malabar). Grande produção antiga de ouro e especiarias. Comércio marítimo ativo já na antiguidade. Palavras bíblicas como “madeira de sândalo” apontam para a Índia. Ligações comerciais possíveis via Mar Vermelho. Outra hipótese forte é a região do Corno de África, especialmente Etiópia ou áreas próximas (Eritreia/Somália). Ouro abundante na região. Proximidade com rotas marítimas do Mar Vermelho. Tradições antigas ligam a região a Salomão e Sabá. Alguns estudiosos sugerem o sul da Península Arábica, hoje parte da Arábia Saudita, ou áreas vizinhas (Iémen antigo). Mais próxima de Israel. Comércio conhecido de ouro, incenso e especiarias. Navegação relativamente mais simples para a época.
As viagens eram feitas a partir de portos como Eziom-Geber, no Mar Vermelho, por marinheiros de Salomão e do rei Hirão de Tiro (aliado de Salomão). Essas expedições demoravam anos e traziam ouro, pedras preciosas, madeira rara (como sândalo) e animais exóticos.
Curiosamente existe o nome "Ofir" numa praia de Esposende, em Portugal. Dizem dos Cavalos de Fão, os penedos ao largo no mar. É mesmo uma curiosidade interessante, e não é coincidência que esse nome apareça em Portugal. Praia de Ofir é uma das praias mais conhecidas do norte de Portugal, com dunas, pinhal e uma paisagem muito característica. Os chamados “Cavalos de Fão” são formações rochosas no mar, mesmo em frente à costa. Penedos isolados no oceano, moldados pela erosão do mar ao longo de milhares de anos. Parecem “cavalos” a emergir da água quando as ondas batem.
Como é que aparece o nome “Ofir” em Portugal? Aqui entra a parte curiosa: o nome Ofir dado à praia é relativamente recente (século XX), quando a ida à praia como forma de lazer se alargou e se generalizou ao turismo. E um nome lendário associado a ouro é naturalmente muito apelativo ao marketing da vida boa. Não há evidência histórica de ligação direta entre o Ofir bíblico e Portugal. Por conseguinte, é mais uma associação cultural e simbólica do que geográfica.
Um afloramento de rochas quartzíticas do Ordovícico submersas, bem visível na maré baixa, distante cerca de 500/600 metros da linha da costa. Ganharam o nome de Cavalos de Fão pelo seu formato, tendo sido associadas lendas e histórias de naufrágios dos pescadores locais. A lenda vai precisamente à Bíblia. O Rei Salomão enviava frotas fenícias a esta costa para recolher ouro com que construiria o seu templo. Como forma de agradecer às gentes de Ofir, mandou embarcar uma preciosa oferta: cavalos nobres, vindos do Oriente. Mas o mar revoltou-se, e os barcos naufragaram antes de chegar a terra. Os cavalos, lançados às ondas, foram petrificados por duendes do litoral. E é essa a origem das rochas que hoje ali se veem, de acordo com essa lenda.
Noutra versão, um povo do Norte tentou invadir esta costa rica e fértil. Os habitantes de Ofir resistiram, conhecendo os segredos do mar e das dunas. Ao verem a coragem do povo, os deuses protegeram-nos: transformaram os cavalos dos invasores em pedra e levantaram, no mar, uma barreira de rochedos, tão forte como a vontade dos que ali viviam.
Estas formações, que emergem das marés frente à praia de Ofir, são mais do que lenda. São um símbolo do vínculo entre o património natural e o imaterial. No Parque Natural do Litoral Norte, onde dunas, mato e zonas húmidas se entrelaçam com a cultura local, os Cavalos de Fão permanecem como guardiões silenciosos da história, da identidade e da biodiversidade costeira.
As histórias antigas de naufrágios de pescadores ficaram imortalizadas na música “Cavalos de Fão”, de José Cid, editada em 2011 no disco “Quem tem medo de baladas”.



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