Manifestações proibidas durante três dias, a partir de sexta-feira, na sequência dos ataques aos adeptos do Maccabi Telavive que se deslocaram a Amesterdão para ver o encontro do seu clube contra o Ajax, para a Liga Europa. Os adeptos do Maccabi foram "atacados", e a polícia de choque teve de intervir para protegê-los e escoltá-los para hotéis. A autarca diz que os distúrbios fazem lembrar os pogroms da história contra os judeus. A polícia neerlandesa informou que cinco pessoas foram hospitalizadas e 62 foram detidas depois de os atacantes terem "visado sistematicamente os adeptos israelitas". Os adeptos do Maccabi, por sua vez, atacaram um táxi e incendiaram uma bandeira palestiniana na quarta-feira, um dia antes dos ataques generalizados contra israelitas.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram os adeptos do Maccabi a entoar cânticos racistas contra muçulmanos. Outros subiram a um edifício para retirar uma bandeira palestiniana. A autarca de Amesterdão diz que não há desculpa para o que considera serem atos criminosos que ameaçaram a vida e cultura judaicas. Uma avaliação de risco efetuada no mês passado não tinha detetado qualquer ameaça concreta. O rei dos Países Baixos, Willem-Alexander, estabeleceu uma ligação entre o Holocausto e a violência de quinta-feira à noite, dizendo que o país "falhou com a comunidade judaica". Em março, a inauguração de um novo museu do Holocausto em Amesterdão levou a manifestações pró-palestinianas em toda a cidade.
Aquilo que o analista John Robb havia dito há tempos – quando Merkel sob o elogio da esquerda acolheu mais de um milhão de migrantes: "A Alemanha acabou de lixar a Europa" – ressoou com muitas preocupações na época e continua a ser discutida. O gesto de Merkel foi amplamente elogiado pela esquerda e por setores humanitários como um exemplo de liderança moral e solidariedade num momento de crise global, especialmente diante da guerra na Síria e outras situações de instabilidade.
No entanto, como Robb e outros analistas apontaram, essa decisão trouxe implicações complexas e multifacetadas para a Europa. Entre os efeitos percebidos, houve um aumento na polarização política, com o fortalecimento de movimentos de extrema-direita e partidos nacionalistas que capitalizaram as preocupações com a integração de grandes números de migrantes. Questões de segurança, identidade cultural e a sobrecarga dos sistemas sociais e económicos em alguns países europeus alimentaram uma narrativa de insatisfação que muitos argumentam ter contribuído para mudanças no equilíbrio político, como o Brexit e a ascensão de líderes populistas. Um divisor de águas que desestabilizou politicamente a Europa, criando divisões profundas e uma reação que ainda molda o cenário político do continente.
A verdade é que a maioria são ainda jovens, desintegrados da cultura europeia, com a memória ainda fresca da violência nis seus países de origem, que não têm nada a perder. A sua fidelidade tribal desafia o Estado do acolhimento cuja cultura lhe é hostil. A integração de grandes contingentes de migrantes jovens acabados de chegar à Europa afigurava-se, sem dúvida, de uma envergadura titânica. Muitos desses indivíduos vinham de contextos onde a violência, a instabilidade política e a precariedade social marcava profundamente as suas vidas. Essa realidade dificulta naturalmente a adaptação ao ambiente europeu, que tem suas próprias normas culturais, sociais e legais, muitas vezes distintas das experiências e valores que esses jovens trazem consigo.
A sensação de desintegração e a dificuldade em se conectar com a sociedade de acolhimento podem levar alguns a se voltarem para formas alternativas de pertencimento, como redes comunitárias de base étnica ou tribal. Isso é reforçado pela existência de enclaves culturais onde a integração plena com os valores europeus é limitada, criando uma tensão entre as expectativas dos estados acolhedores e as realidades das comunidades migrantes. Além disso, a juventude de muitos desses migrantes pode significar uma predisposição a desafios específicos, como a busca por identidade e sentido em um ambiente que pode parecer hostil ou indiferente às suas necessidades.
É verdade que, em situações onde o sentimento de pertença ao estado acolhedor é fraco, a lealdade pode se voltar para formas mais imediatas e familiares de conexão, como a tribo, a família ou grupos com os quais compartilham experiências. É claro que muitos se esforçam e conseguem integrar-se, contribuindo para a sociedade e buscando construir uma vida estável e pacífica. A questão central para os estados europeus é encontrar maneiras eficazes de promover a integração, oferecendo oportunidades reais de participação social e económica, enquanto abordam os desafios de segurança e coesão social que possam surgir.
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