A banalização das manifestações de rua promovidas pela esquerda nos finais do século XX e inícios do século XXI, acabou por se transformar numa armadilha contra si própria agora que o pêndulo virou para a extrema-direita com insurreições de acesso aberto. Quando manifestações se tornam recorrentes e perdem um foco claro ou um impacto efetivo acabam por minar a percepção da sua legitimidade e autenticidade. Com a viragem do pêndulo político para a extrema-direita, as insurreições de acesso aberto podem valer-se dessa normalização e, paradoxalmente, inverter a narrativa: o uso de protestos massivos e disruptivos como forma de ação política, antes associado à esquerda, passa a ser instrumentalizado por grupos que antes os criticavam.
Essas manifestações de direita geralmente surgem com um forte apelo emocional e um discurso de reação contra as instituições estabelecidas, sendo vistas por alguns como uma "recuperação" do espaço público e uma resposta aos avanços percebidos da esquerda. Contudo, essa transformação também traz riscos, pois as insurreições de acesso aberto podem ser menos controláveis e mais suscetíveis a radicalizações e violência, o que levanta questões sobre a estabilidade social e o papel do Estado na manutenção da ordem democrática.
Durante o protesto em que cerca de 130 mil pessoas exigiam a demissão de Carlos Mazón, presidente do governo da região, pelo atraso na resposta à tempestade DANA, viveram-se momentos de tensão, quando alguns manifestantes lançaram foguetes e lama contra a porta da Câmara Municipal de Valência. De acordo com vários meios de comunicação, as unidades anti-motim da polícia tiveram de intervir quando vários manifestantes tentaram incendiar um dos portões da Câmara Municipal de Valência. O jornal ABC afirma também que manifestantes atiraram latas de tinta vermelha contra a polícia.
A manifestação tem como participantes umas 40 organizações sociais e cívicas, além de sindicatos, e a porta-voz da comissão organizadora, Anna Oliver, explicou ao “El País” que o objetivo é “exigir responsabilidades, informação verídica e meios para as vítimas”, além de “denunciar a ignomínia do Governo valenciano que não avisou e que, com essa falta de previsão, provocou vítimas mortais”. A manifestação começou pelas seis da tarde e os incidentes terão aconteido umas três horas depois. Depois do ocorrido, a presidente da Câmara Municipal de Valência, María José Catalá, criticou os manifestantes que deixaram a fachada do edifício grafitada, com vidros partidos pelo arremesso de objetos e uma das portas em mau estado devido ao fogo de um dos foguetes.
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