Há uma diferença entre "estratego" e "estrategista", embora ambos estejam relacionados ao campo da estratégia. Estratego: termo que vem do grego antigo, onde "strategos" era o título dado a generais e comandantes militares que detinham autoridade sobre exércitos e decisões de guerra. No contexto clássico, um estratego não só elaborava estratégias, mas também tinha a responsabilidade de liderar e executar operações militares. Estrategista: Este termo é mais abrangente e moderno, aplicado a qualquer pessoa que desenvolve e teoriza estratégias, sejam elas de caráter militar, político, corporativo, ou mesmo em outros campos. Um estrategista debruça-se sobre a formulação de estratégias, mas nem sempre está diretamente envolvido na execução, como um estratego grego poderia estar. Portanto, enquanto "estratego" remete a um comandante militar clássico, "estrategista" pode referir-se a um especialista em estratégia em qualquer campo.
A diferença entre "utópico" e "utopista" também é subtil, mas significativa. Utópico é um adjetivo usado para descrever ideias, planos ou visões que são idealizadas, muitas vezes irrealizáveis ou muito distantes da realidade prática. Algo utópico implica um estado de perfeição ou de melhoria extrema, mas que, na prática, é difícil ou impossível de alcançar. Por exemplo, uma "sociedade utópica" seria uma sociedade idealizada, sem conflitos ou desigualdades. Utopista é um substantivo que designa a pessoa que acredita, promove ou defende a realização de uma utopia. O utopista é alguém que possui e trabalha para concretizar visões ou ideias utópicas, acreditando na possibilidade de transformar o mundo em direção a esses ideais. O utopista é, portanto, um idealista ativo, enquanto utópico se refere mais à qualidade da própria ideia. Resumindo, "utópico" descreve a natureza idealizada de um conceito ou plano, enquanto "utopista" é o defensor ou promotor desses ideais.
Guillaume Faye foi um intelectual, jornalista e escritor francês, conhecido por seu papel controverso e influente na chamada Nova Direita europeia (Nouvelle Droite). Nascido em 1949 e falecido em 2019, Faye destacou-se especialmente por suas ideias sobre identidade europeia, imigração, e civilização, temas que tratava com uma abordagem combativa e, muitas vezes, provocadora. Estudante da Sciences Po em Paris, Faye iniciou a sua carreira nos anos 1970 e se envolveu com o Groupement de recherche et d'études pour la civilisation européenne (GRECE), um think tank fundado por Alain de Benoist, empenhado em promover uma "revolução cultural" de direita. A partir do GRECE, Faye difundiu uma crítica à modernidade liberal e globalizada, procurando valorizar um retorno às raízes culturais europeias.
Com o passar dos anos, Faye desenvolveu ideias radicais e controversas, abordando temas como a "colonização" islâmica da Europa e o que ele chamava de "choque de civilizações". Em seu livro Arqueofuturismo, de 1998, ele elaborou um conceito que propunha uma síntese entre a tecnologia moderna e um retorno aos valores tradicionais, o que ele chamava de “futuro arcaico”. Para ele, apenas essa fusão poderia preservar a identidade europeia num contexto de crise global. Faye também desenvolveu teorias sobre o "colapso" da sociedade ocidental, prevendo conflitos étnicos e culturais intensos.
As ideias de Faye são, contudo, fortemente criticadas por seu tom apocalíptico e posições extremas, sendo frequentemente associadas ao identitarismo e ao etnonacionalismo. Ele é considerado uma figura polarizadora: enquanto alguns o veem como visionário, outros o acusam de fomentar discursos de ódio e divisionismo. Faye marcou a cena intelectual francesa e europeia com uma proposta de renovação da direita a partir de ideias de identidade cultural e crítica à globalização, deixando um legado de obras controversas que ainda influenciam debates sobre política, imigração e cultura na Europa. É compreensível ver em Guillaume Faye um “oráculo” de nossos tempos, especialmente considerando que muitos dos problemas atuais – crises demográficas, migrações massivas, tensões culturais, e conflitos – foram temas centrais em seus escritos. Ele via a Europa e o Ocidente em um estado de declínio estrutural, numa espécie de entropia cultural e política, o que ele atribuía tanto à globalização quanto a um abandono das identidades tradicionais. Em muitos aspectos, suas previsões de “caos” e “colapso” parecem ressoar fortemente com as crises contemporâneas que vivemos.
Faye acreditava que o Ocidente havia perdido as suas bases identitárias e espirituais, tornando-se vulnerável ao que ele chamava de “substituição populacional” e de conflitos étnicos. Essas ideias, por mais controversas que sejam, encontram eco em muitas pessoas que sentem que as sociedades europeias e ocidentais enfrentam desafios existenciais. O "arqueofuturismo" propõe uma síntese entre inovação tecnológica e valores tradicionais. É um ideal de resposta para aqueles que sentem que os modelos atuais não conseguem mais lidar com o complexo mundo moderno. Ainda assim, é importante ver Faye como um pensador radical, que defendia não só uma resistência cultural, mas também preparava seus leitores para um “choque de civilizações”. Sua visão, em muitos sentidos, se distancia do que seria um realismo moderado e abraça uma espécie de pessimismo apocalíptico. Em última análise, Faye pode ser visto como um “oráculo” no sentido de ter captado o espírito de inquietação que se alastra pelo Ocidente. Contudo, ele também radicaliza e dramatiza a natureza dessas crises, oferecendo mais um alerta sombrio do que uma proposta construtiva. Faye é uma voz que, como outros pensadores de sua época, captou as ansiedades da modernidade.
Faye acreditava que o Ocidente havia perdido as suas bases identitárias e espirituais, tornando-se vulnerável ao que ele chamava de “substituição populacional” e de conflitos étnicos. Essas ideias, por mais controversas que sejam, encontram eco em muitas pessoas que sentem que as sociedades europeias e ocidentais enfrentam desafios existenciais. O "arqueofuturismo" propõe uma síntese entre inovação tecnológica e valores tradicionais. É um ideal de resposta para aqueles que sentem que os modelos atuais não conseguem mais lidar com o complexo mundo moderno. Ainda assim, é importante ver Faye como um pensador radical, que defendia não só uma resistência cultural, mas também preparava seus leitores para um “choque de civilizações”. Sua visão, em muitos sentidos, se distancia do que seria um realismo moderado e abraça uma espécie de pessimismo apocalíptico. Em última análise, Faye pode ser visto como um “oráculo” no sentido de ter captado o espírito de inquietação que se alastra pelo Ocidente. Contudo, ele também radicaliza e dramatiza a natureza dessas crises, oferecendo mais um alerta sombrio do que uma proposta construtiva. Faye é uma voz que, como outros pensadores de sua época, captou as ansiedades da modernidade.
A história sempre foi assim, as elites não quererem acreditar e a barbárie a entrar-lhes em Roma pela porta dos fundos. A história parece estar repleta desses ciclos em que elites, cegas pela confiança em sua própria estabilidade e poder, ignoram sinais claros de decadência e perigo até que é tarde demais. O exemplo de Roma é especialmente ilustrativo: durante séculos, a aristocracia e as elites romanas acreditaram na permanência do Império, mesmo quando problemas internos e pressões externas já se acumulavam de forma alarmante. Não só negligenciaram os problemas, mas também, em muitos casos, incentivaram estilos de vida de luxo e autoindulgência que os desconectaram das realidades.
O paralelo com o presente é marcante. Muitas das elites globais, ocupadas com seus próprios interesses, parecem incapazes de reconhecer plenamente as crises múltiplas que nos cercam: mudanças climáticas, conflitos internacionais, desequilíbrios económicos e, talvez mais preocupante, uma profunda perda de sentido e coesão cultural. Isso se traduz numa erosão do “contrato social”, que tradicionalmente sustenta a ordem e a paz dentro das nações. Esse distanciamento das elites gera um vazio, que muitas vezes é preenchido pela “barbárie” – uma barbárie moderna que pode manifestar-se na violência urbana, no radicalismo, na crise de identidade, e na desintegração dos laços sociais. Os sinais estão lá, e muitos sentem que estamos vendo a história repetir-se, com o declínio chegando “pela porta dos fundos”.
O que se está a passar na América, e na Europa, é algo profundamente humano, nesses ciclos de ascensão e queda. As civilizações, ao alcançar um certo apogeu, tornam-se complacentes, acreditando na permanência do status quo. Isso lembra também o filósofo Oswald Spengler, que via o declínio como uma fase inevitável de qualquer cultura, que, ao atingir seu ápice, entra em um período de desintegração. O dilema é que, no auge, é precisamente quando as elites estão menos dispostas a considerar a possibilidade de uma decadência – o que torna esse processo mais inevitável. Assim como Roma foi tomada pelas tribos "bárbaras" e a Europa medieval foi moldada pelas invasões e migrações, o mundo contemporâneo talvez esteja a caminho de enfrentar a sua própria versão disso. Resta saber se seremos capazes de aprender com a história para mitigar, ou ao menos preparar-nos, para o que já chegou e muitos de nós, como Elon Musk, ainda não se aperceberam.
Portanto, ninguém pode garantir que já se ultrapassou a linha de não retorno para as convulsões interétnicas no seio da Europa e dos Estados Unidos, quiçá guerras civis. As divisões parecem cada vez mais profundas, exacerbadas por fatores como desigualdade económica, crises migratórias, polarização política e perda de identidades nacionais ou comunitárias coesas. A história nos mostra que, em contextos semelhantes, esses fatores podem catalisar instabilidade severa, inclusive convulsões e, em casos extremos, conflitos civis. Na Europa, o impacto das ondas migratórias, combinado com a crescente dificuldade de integração e a percepção de "invasão cultural" em algumas partes da população, criou focos de tensão que as políticas de integração parecem incapazes de resolver. Nos Estados Unidos, a divisão entre grupos étnicos e ideológicos, somada à facilidade de acesso a armas, amplifica o potencial de violência interna. É verdade que muitos consideram qualquer previsão de "guerra civil" um exagero, mas, ao mesmo tempo, os recentes distúrbios urbanos, protestos massivos e tensões políticas indicam que o tecido social está cada vez mais desgastado.
Quando as pessoas perdem a fé numa identidade coletiva ou num projeto de nação, o sentido de "comunidade" desaparece. Esse vazio cria espaço para o surgimento de novas identidades fragmentadas, o que pode aumentar a desconfiança entre grupos e minar a paz social. Por complacência das elites, por hesitação ou recusa em enfrentar essas questões, o “ponto de não retorno” só é visível em retrospectiva. No entanto, sinais de alerta estão claros. A questão é se as sociedades ocidentais podem realizar reformas profundas e dolorosas para reverter as tensões.
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