Os Povos do Médio Oriente e Norte de África envolvem Árabes + Persas + Turcos + Curdos + Berberes / Amazigh + Hebreus (Israelitas). Os árabes estendem-se do Atlântico (Marrocos) ao Golfo Pérsico (Omã) nesta série de países – Egito, Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos, Sudão, Síria, Líbano, Jordânia, Palestina, Iraque, Península Arábica (Arábia Saudita, Iémen, Omã, EAU, Qatar, Kuwait, Bahrein). Falam vários dialetos da língua árabe. Ainda existe um subgrupo importante: beduínos (nómadas do deserto da Península Arábica e do Levante).
O Povo Persa -- que faz parte na sua maioria do Irão, fala o persa farsi, mas há minorias no Afeganistão e Tajiquistão (falantes de persa/dari/tajique). Portanto, os persas constituem uma identidade cultural distinta dos árabes. Os turcos distribuem-se sobretudo pela Anatólia: Turquia (núcleo), Chipre do Norte (reconhecido apenas por Ancara). A língua é o turco, e uma cultura que é herdeira do Império Otomano. Os Curdos são um povo das montanhas entre Turquia, Iraque, Síria e Irão (Curdistão). Não têm Estado próprio e falam curdo, da família indo-europeia. Ainda vivem numa luta na esperança de um dia constituírem um Estado independente.
Os Hebreus ou Israelitas quase dispensam apresentações. O Estado de Israel resulta de uma concertação ocidental liderada pelos ingleses que culminou em 1948 na proclamação de independência em contestação de quase todos os outros povos do Médio Oriente. Os israelitas resultam de uma longa diáspora do povo judeu marcado pelo Holocausto nazi durante a Segunda Guerra Mundial. A língua é o hebraico moderno, embora também reconheçam o árabe falado por 20% da sua população de origem árabe.
Na Síria a grande maioria da população é árabe, de língua árabe e cultura árabe, embora existam minorias importantes (curdos, assírios, arménios, drusos, circassianos, turcomanos). Oficialmente, o Estado sírio é definido como parte do “mundo árabe”, e a Síria foi um dos berços do pan-arabismo (com figuras como Michel Aflaq, fundador do Baath). O Iraque também é maioritariamente árabe, mas com uma diversidade ainda mais acentuada: os árabes são a maioria, sobretudo no centro e sul); Curdos (no Norte, com autonomia na região do Curdistão iraquiano); outras minorias: turcomanos, assírios, yazidis, mandeus. Em suma, Síria e Iraque são, no essencial, países árabes, parte da chamada “nação árabe” (al-Umma al-ʿArabiyya), mas com mosaicos étnicos significativos. Diferem do Irão, por exemplo, que é persa no núcleo (ainda que também tenha árabes, curdos, azeris, balúchis). Ou seja, tirando Israel e o Irão, praticamente todos os outros países do Médio Oriente são árabes, com exceções importantes de minorias.
Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia fazem parte do chamado Magrebe Árabe. A língua árabe é oficial (embora no dia a dia se fale árabe magrebino, com grandes variações locais) e também o francês continua a ter peso (especialmente em Marrocos e Argélia). São reconhecidos como países árabes, membros da Liga Árabe. Nestes quatro países existe uma componente étnica muito forte de berberes / amazigh, povos nativos do Norte de África que têm hoje movimentos de afirmação cultural e linguística.
O Mundo Árabe vai do Atlântico (Marrocos) até ao Golfo Pérsico (Omã), atravessando todo o Norte de África e o Médio Oriente, com exceção dos três casos já referidos: Turquia, Irão e Israel. Os berberes / amazigh distribuem-se pelo Norte de África (Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Mali, Níger) e também não têm um Estado independente, com forte presença em Marrocos e Argélia. A língua amazigh é da família afro-asiática, diferente do árabe. São povos autóctones do Magrebe, anteriores à chegada dos árabes. Os beduínos são uma parte interna do mundo árabe, enquanto os berberes são um povo à parte, que foi parcialmente arabizado, mas preserva uma identidade distinta. Estas duas identidades étnicas entroncam nas grandes famílias da região do Médio Oriente – que envolve árabes, persas, turcos.
Como se encaixam berberes e beduínos no Médio Oriente e Norte de África? A palavra “beduíno” vem do árabe badawī (بَدَوِي), que significa literalmente habitante do deserto. São árabes nómadas ou semi-nómadas, tradicionalmente criadores de camelos, cabras e ovelhas, vivendo em tendas e deslocando-se conforme as estações e a disponibilidade de pasto e água. A sua cultura está associada sobretudo à Península Arábica, mas também se espalham pelo deserto sírio, Jordânia, Iraque, Egito (Sinai) e até partes do Saara. Falam dialetos árabes, alguns dos quais preservam traços mais antigos do árabe clássico. Organizada em tribos (qabīla) e clãs familiares, com forte lealdade tribal. Códigos de honra: hospitalidade, coragem, lealdade à tribo e poesia oral são marcas centrais. Foram os beduínos que preservaram e transmitiram a poesia pré-islâmica, considerada uma joia da língua árabe. A partir do século XX, muitos beduínos foram sedentarizados pelos governos (especialmente na Arábia Saudita, Israel, Egito e Jordânia), passando a viver em cidades e aldeias. Mesmo assim, mantêm uma identidade própria e são vistos como guardiões da “tradição árabe”. Em alguns países (ex.: Israel, Jordânia, Egito) ainda há comunidades beduínas que vivem em tendas no deserto e mantêm parte do modo de vida antigo. Os berberes / amazigh não são árabes – são os povos autóctones do Norte de África, com raízes muito mais antigas, pré-islâmicas (existiam já no tempo dos faraós e romanos). Vivem principalmente no Magrebe (Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia), e também em partes do Saara e do Mali/Níger. A língua amazigh/tamaziɣt é da família afro-asiática, como o árabe, mas diferente. Podem ser agricultores de montanha (Atlas), pastores nómadas no Saara ou até urbanos. Têm uma forte consciência cultural própria, distinta dos árabes. Hoje muitos são bilíngues (amazigh + árabe ou francês). Os movimentos de afirmação amazigh conquistaram reconhecimento. Por exemplo, a língua amazigh é oficial em Marrocos e na Argélia.

Sem comentários:
Enviar um comentário